Banco Safra eleva projeção do PIB de 2026 para 1,7%
Revisão reflete expectativa de retomada gradual da atividade, após desaceleração no fim de 2025 e com apoio do setor externo
09/03/2026 2 minutos
Agropecuária e indústria extrativa seguem como principais vetores do crescimento, enquanto consumo e investimento reagem de forma gradual, segundo o Banco Safra | Foto: Getty images
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 0,1% no quarto trimestre de 2025, em termos reais e com ajuste sazonal, em linha com a projeção do Banco Safra e ligeiramente abaixo do consenso de mercado. O resultado veio após revisão baixista do desempenho do terceiro trimestre, que passou de alta de 0,1% para estabilidade, reforçando o quadro de desaceleração ao longo da segunda metade do ano.
Ainda assim, a equipe de macroeconomia do Banco Safra elevou a projeção de crescimento do PIB em 2026 de 1,6% para 1,7%, diante da expectativa de flexibilização gradual da política monetária e da manutenção de um ambiente externo favorável às exportações brasileiras.

Agropecuária sustenta atividade; indústria segue desigual
A agropecuária voltou a se destacar no quarto trimestre, com crescimento de 0,5% frente ao trimestre anterior. No acumulado de 2025, o setor avançou 11,7%, impulsionado por ganhos de produtividade e pelo desempenho robusto de culturas como soja e milho. O segmento respondeu por 0,7 ponto percentual do crescimento total do PIB no ano.
A indústria recuou 0,7% no quarto trimestre, pressionada pela retração da construção civil e pelo desempenho fraco da indústria de transformação. O setor seguiu sustentado pelas indústrias extrativas, impulsionadas pela expansão da produção de petróleo, além de energia elétrica, gás e água.
Serviços crescem, mas setores mais sensíveis ao ciclo recuam
O setor de serviços avançou 0,8% no quarto trimestre, com crescimento concentrado em segmentos menos dependentes do ciclo econômico, como informação e comunicação e intermediação financeira. Em contrapartida, atividades mais sensíveis à renda e ao crédito, como comércio e transportes, apresentaram retração.
No acumulado de 2025, os serviços cresceram 1,8% e responderam pela maior contribuição ao PIB, refletindo sua participação de mais de 59% na economia brasileira.
Demanda interna perde força; setor externo segue como amortecedor
A absorção doméstica voltou a perder dinamismo no fim de 2025. O consumo das famílias permaneceu estável no trimestre, enquanto o investimento recuou 3,5%, refletindo o enfraquecimento da construção civil e a volatilidade de grandes projetos.
O setor externo manteve desempenho robusto, com exportações avançando 3,7% no trimestre e 6,2% no acumulado do ano, sustentadas pela agropecuária e pela indústria extrativa. As importações recuaram, refletindo a fraqueza da demanda interna.
Crescimento de 2026 dependerá de aceleração ao longo do ano
O carrego estatístico para 2026 é estimado em apenas 0,2 ponto percentual, o que limita o crescimento automático da economia. Para atingir a expansão de 1,7% prevista, o PIB deverá acelerar ao longo dos trimestres, gradualmente impulsionado pelo início do ciclo de flexibilização monetária.
A projeção do Banco Safra prevê crescimento de 2,1% da agropecuária, 1,5% da indústria — ainda concentrada no segmento extrativo — e 1,8% dos serviços. O consumo das famílias deve avançar 1,7%, enquanto o investimento deve crescer 0,8%, ainda contido pelos efeitos defasados dos juros elevados.
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