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Banco Central lança ecossistema de duplicatas escriturais

Nova infraestrutura começa a operar em 30 de junho e promete reduzir riscos, ampliar a transparência e diminuir o custo do crédito para empresas

2 minutos
Ecossistema de duplicatas escriturais

Lançamento do ecossistema marca a entrada em operação de uma nova infraestrutura digital para o mercado de crédito no Brasil | Foto: Getty Images

O ecossistema de duplicatas escriturais entrou em vigor nesta terça-feira, 30 de junho, dando início à operação de uma infraestrutura que redesenha o uso de recebíveis no mercado de crédito brasileiro.

O projeto cria um ambiente padronizado, digital e interoperável para emissão, registro, negociação e liquidação das duplicatas, com o objetivo de aumentar a segurança jurídica das operações e reduzir assimetrias de informação entre empresas, financiadores e investidores.

A iniciativa representa um avanço estrutural para o sistema financeiro ao permitir que duplicatas mercantis passem a existir exclusivamente em formato escritural, eliminando o risco de duplicidade, fraudes e disputas de titularidade.

Com isso, o título ganha mais confiabilidade como garantia, fator que tende a ampliar o acesso ao crédito, sobretudo para pequenas e médias empresas, e a pressionar para baixo o custo das operações.

Como funciona o ecossistema de duplicatas escriturais?

O novo ecossistema conecta escrituradoras, registradoras, depositários centrais e instituições financeiras em um ambiente integrado, com regras comuns e supervisão do Banco Central.

Cada duplicata passa a ter registro único, rastreável e auditável ao longo de todo o seu ciclo de vida, desde a emissão até a liquidação.

A infraestrutura reduz a fragmentação que hoje marca o mercado de recebíveis e cria condições para maior concorrência entre financiadores.

Ao ampliar a visibilidade sobre a qualidade dos créditos e as garantias associadas, o sistema melhora a precificação do risco e estimula o desenvolvimento de novos produtos financeiros lastreados em duplicatas.

Impactos esperados para o mercado de crédito

Segundo o Banco Central, a entrada em operação do ecossistema inaugura um novo estágio de maturidade do projeto de modernização do crédito no país.

A expectativa é de ganhos de eficiência operacional, maior segurança jurídica e redução do custo de capital para empresas que utilizam recebíveis como garantia.

O movimento se alinha a outras iniciativas recentes da autoridade monetária voltadas à digitalização e à integração de mercados, como o Open Finance.

No caso das duplicatas escriturais, o efeito tende a ser direto sobre a economia real, ao facilitar o financiamento da atividade produtiva e fortalecer o uso de instrumentos de mercado em substituição a estruturas mais opacas e custosas.

Próximos passos e evolução do modelo

O lançamento marca o início da negociação das duplicatas dentro do novo ambiente, com previsão de expansão gradual do uso do instrumento ao longo de 2026.

A consolidação do modelo dependerá da adesão de empresas, instituições financeiras e investidores, além da evolução dos padrões tecnológicos e operacionais entre os participantes.

Para o mercado, o ecossistema de duplicatas escriturais sinaliza uma mudança definitiva na forma como os recebíveis circulam no sistema financeiro, criando bases mais sólidas para o crescimento do crédito com menor risco e maior eficiência.

Saiba mais sobre duplicata escritural no Safra Insights:

Dúvidas comuns

A duplicata escritural é um documento que registra uma dívida ou venda a prazo, sendo escriturada e registrada eletronicamente. Diferentemente das duplicatas tradicionais em papel, ela existe exclusivamente em formato digital, eliminando riscos de duplicidade, fraudes e disputas de titularidade, e oferecendo maior confiabilidade como garantia nas operações de crédito.

O novo ecossistema conecta escrituradoras, registradoras, depositários centrais e instituições financeiras em um ambiente integrado e padronizado. Cada duplicata recebe um registro único, rastreável e auditável ao longo de todo seu ciclo de vida, desde a emissão até a liquidação, reduzindo a fragmentação do mercado de recebíveis e criando condições para maior concorrência entre financiadores.

O Banco Central lançará o ecossistema de duplicatas escriturais no dia 30 de junho, iniciando a operação de uma infraestrutura que redesenha o uso de recebíveis no mercado de crédito brasileiro. A negociação das duplicatas dentro do novo ambiente começará nessa data, com previsão de expansão gradual do uso do instrumento ao longo de 2026.

A duplicata escritural amplia o acesso ao crédito, especialmente para pequenas e médias empresas, ao aumentar a segurança jurídica das operações e reduzir assimetrias de informação entre empresas, financiadores e investidores. O título ganha mais confiabilidade como garantia, o que tende a pressionar para baixo o custo das operações e facilitar o financiamento da atividade produtiva com menor risco.

Ao ampliar a visibilidade sobre a qualidade dos créditos e as garantias associadas, o sistema melhora significativamente a precificação do risco. Isso estimula o desenvolvimento de novos produtos financeiros lastreados em duplicatas e cria condições para maior eficiência operacional e redução do custo de capital para empresas que utilizam recebíveis como garantia.

O efeito tende a ser direto sobre a economia real, ao facilitar o financiamento da atividade produtiva e fortalecer o uso de instrumentos de mercado em substituição a estruturas mais opacas e custosas. A iniciativa representa um avanço estrutural para o sistema financeiro, sinalizando uma mudança definitiva na forma como os recebíveis circulam no sistema financeiro, criando bases mais sólidas para o crescimento do crédito.

O lançamento do ecossistema se alinha a outras iniciativas recentes da autoridade monetária voltadas à digitalização e à integração de mercados, como o Open Finance. Ambas as iniciativas fazem parte de um projeto maior de modernização do crédito no país, buscando aumentar a eficiência, transparência e segurança do sistema financeiro brasileiro.

A consolidação do modelo dependerá da adesão de empresas, instituições financeiras e investidores, além da evolução dos padrões tecnológicos e operacionais entre os participantes. O sucesso da iniciativa está vinculado à adoção gradual do instrumento ao longo de 2026 e à capacidade do mercado de se adaptar à nova infraestrutura padronizada e interoperável.

Isabella Zanelli

Jornalista em formação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP). LinkedIn

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