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Balanço da Nvidia: o que esperar no atual estágio da inteligência artificial?

Safra projeta receita de US$ 94,2 bilhões no segundo trimestre fiscal de 2027 e vê sinais de que demanda, networking e financiamento podem sustentar o ciclo de investimentos em inteligência artificial

4 minutos
Nvidia análise balanço

Nvidia deve divulgar o balanço trimestral em 26 de agosto de 2026, com o negócio de data centers como principal motor de crescimento | Foto: Getty Images

A gigante de tecnologia Nvidia (NVDC34) deve divulgar seu balanço do segundo trimestre fiscal em 26 de agosto de 2026. O Banco Safra projeta resultados acima das estimativas médias do mercado e mantém visão positiva para a companhia.

A previsão é de receita de US$ 94,2 bilhões, alta de 102% em relação ao mesmo período do ano anterior e 2,4% acima do consenso, de US$ 92 bilhões.

O negócio de data centers deve continuar concentrando praticamente todo o crescimento. O Safra estima receita de US$ 87,8 bilhões, avanço anual de 114% e 2,7% acima do consenso.

As principais projeções para o trimestre são:

IndicadorEstimativa Safra
Receita totalUS$ 94,2 bilhões
Receita de data centersUS$ 87,8 bilhões
Margem bruta GAAP74,9%
Lucro operacional GAAPUS$ 62 bilhões
LPA ajustadoUS$ 2,14
Fluxo de caixa livreUS$ 41,3 bilhões

O resultado deve mostrar se a demanda por infraestrutura de inteligência artificial continua avançando em ritmo suficiente para justificar os elevados investimentos realizados por grandes empresas de tecnologia.

Guidance para o terceiro trimestre será o principal foco

Na avaliação do Safra, mais importante do que o resultado passado será a projeção da Nvidia para o terceiro trimestre fiscal de 2027.

O banco estima receita de US$ 112,1 bilhões, aproximadamente 7,7% acima do consenso, e lucro por ação ajustado de US$ 2,59, ante US$ 2,36 na média das estimativas.

A orientação da companhia deve ajudar a responder às principais dúvidas do mercado:

  • Os investimentos dos hyperscalers continuarão acelerando?
  • A demanda por GPUs permanecerá forte com o avanço dos ASICs?
  • A nova arquitetura Vera Rubin contribuirá para as receitas ainda em 2026?
  • As margens continuarão próximas de 75%?
  • A Nvidia conseguirá transformar parte da venda de hardware em receita recorrente?

Empresas de nuvem dão sinais de retorno sobre o investimento

O Safra identifica nos resultados recentes dos grandes provedores de nuvem evidências mais claras de retorno sobre os investimentos em IA.

Receitas de nuvem em aceleração, expansão de margens e crescimento de contratos futuros indicam que os gastos iniciais com infraestrutura começam a se converter em monetização.

O backlog e o RPO combinados dos principais provedores de nuvem alcançariam aproximadamente US$ 1,7 trilhão, segundo o relatório.

Essa dinâmica reduz o risco de que o ciclo de IA seja apenas uma corrida por capacidade sem retorno econômico. Para o banco, a utilização dos equipamentos e a geração de receita podem acelerar após a primeira fase de investimentos, em um movimento semelhante à chamada curva em J.

As empresas também têm incentivo para manter capacidade excedente, diante do risco de perder competitividade em caso de novos avanços nos modelos de IA. Essa postura pode sustentar uma demanda relativamente inelástica por equipamentos da Nvidia.

Networking e Vera Rubin podem indicar a próxima etapa

A demanda por networking é considerada pelo Safra um indicador antecedente dos investimentos em computação. Os componentes de rede costumam ser instalados durante a formação de novos clusters, antes da ocupação completa da capacidade de aceleradores.

Por isso, a continuidade do crescimento nessa área pode sinalizar novas rodadas de expansão dos data centers.

A arquitetura Vera Rubin já estaria em produção plena, com embarques previstos para o segundo semestre de 2026. O mercado deve buscar informações sobre o ritmo de adoção, a disponibilidade de componentes e a contribuição da plataforma para as receitas do terceiro e do quarto trimestre fiscal de 2027.

O negócio de CPUs também pode ampliar as fontes de crescimento. A Nvidia teria indicado visibilidade de aproximadamente US$ 20 bilhões em receita anual de CPUs, impulsionada por cargas de trabalho autônomas e pelo aumento da necessidade de processamento associado à inferência de IA.

Financiamento institucional pode reduzir preocupações com crédito

Outro ponto destacado pelo Safra é a criação de plataformas de financiamento para infraestrutura de IA baseadas em Nvidia, com capacidade superior a US$ 500 bilhões e participação de instituições como Apollo, BlackRock, Blackstone, Brookfield, Goldman Sachs e KKR.

A estrutura pode transferir parte do financiamento e da análise de crédito para investidores institucionais, reduzindo a pressão sobre o balanço da Nvidia e ampliando o capital disponível para os clientes.

O relatório também ressalta que equipamentos antigos, como os baseados na arquitetura A100, continuam economicamente úteis. A possibilidade de realocar esses ativos entre diferentes usuários pode preservar seu valor residual e melhorar as condições de financiamento.

Para a Nvidia, o modelo pode combinar receita de venda de infraestrutura com participação futura na receita gerada pela utilização desses sistemas. Se essa estrutura ganhar escala, a companhia poderá desenvolver uma camada de receita mais recorrente e menos dependente de novos ciclos de hardware.

Margens e fluxo de caixa seguem como diferenciais

A possível maior participação da memória nos sistemas de próxima geração é um risco para as margens. Ainda assim, o Safra acredita que escala, compromissos de longo prazo com fornecedores e coordenação tecnológica devem preservar condições comerciais favoráveis.

A expectativa do banco é de que a margem bruta estrutural permaneça acima de 70%, mesmo com maior pressão de custos.

A geração de caixa também deve ampliar a capacidade de retorno aos acionistas. O Safra estima fluxo de caixa livre acumulado de aproximadamente US$ 540 bilhões entre os anos fiscais de 2027 e 2028.

A distribuição aos acionistas poderia superar gradualmente o compromisso de devolver cerca de 50% do fluxo de caixa, abrindo espaço para mais recompras de ações e dividendos.

Safra mantém visão positiva para a Nvidia

No relatório de 16 de julho de 2026, o Safra mantinha recomendação Outperform para a Nvidia. A ação era negociada a US$ 217,55, enquanto o preço-alvo indicado era de US$ 320, potencial de valorização de 47,1% em relação àquele nível.

A visão positiva está baseada na combinação de:

  1. Crescimento ainda acelerado dos data centers;
  2. Expansão da base de clientes;
  3. Demanda por networking;
  4. Contribuição da arquitetura Vera Rubin;
  5. Desenvolvimento do negócio de CPUs;
  6. Possível formação de receitas recorrentes;
  7. Forte geração de fluxo de caixa.

Os principais riscos são uma desaceleração dos investimentos em IA, maior participação de ASICs na inferência, pressão sobre custos de memória, problemas de execução na transição tecnológica e preocupações com financiamento circular.

O que observar no balanço

O balanço de 26 de agosto de 2026 deve ser avaliado não apenas pelos números do segundo trimestre, mas também por quatro sinais estratégicos:

  • A força do guidance para o terceiro trimestre;
  • A evolução do networking;
  • O ritmo de implantação da Vera Rubin;
  • A explicação da Nvidia sobre margens, memória e financiamento dos clientes.

Para o Safra, esses fatores serão decisivos para determinar se o atual ciclo de investimentos em inteligência artificial ainda tem espaço para se prolongar.

Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.

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