Resultados do 2T26: sem Petrobras e Vale, lucro das empresas decepciona
Relatório do Safra aponta crescimento consolidado no trimestre, com destaque para petróleo, farmácias, locação de veículos e siderurgia; bancos e utilities enfrentam pressão
3 minutos Publicado em Atualizado emTemporada de balanços mostrou crescimento de receita no segundo trimestre, mas margens, despesas financeiras e qualidade dos ativos limitaram a expansão dos lucros | Foto: Getty Images
A temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 ficou em linha com as expectativas do Banco Safra, mas apresentou desempenho mais fraco quando excluídos Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) da amostra.
O balanço dos balanços indica crescimento robusto da receita, porém com menor conversão em EBITDA e lucro líquido diante da pressão sobre margens, despesas financeiras, itens não recorrentes e inadimplência.
Considerando todas as empresas acompanhadas, a receita líquida cresceu 13,8% na comparação anual, enquanto o EBITDA avançou 19,3% e o lucro líquido, 24,2%. Os números ficaram levemente acima das projeções do Safra, com surpresas de 1,5%, 4,1% e 1,1%, respectivamente.
A Petrobras foi determinante para o resultado consolidado, com EBITDA 8,5% acima da estimativa e lucro líquido 23,6% superior às projeções. Sem Petrobras e Vale, o crescimento da receita foi de 9,7%, mas o EBITDA avançou apenas 0,4% e o lucro líquido, 5,9% — resultado 4,8% abaixo do esperado pelo banco.
Dos 16 setores acompanhados, 11 registraram expansão do lucro líquido em relação ao segundo trimestre de 2025.
Petróleo, farmácias e locação foram destaques
Entre os segmentos com melhor combinação de crescimento anual e resultados acima das expectativas, o Safra destaca petróleo e gás, farmácias, locação de automóveis e siderurgia.
As petroleiras foram beneficiadas pela alta do petróleo, enquanto as distribuidoras de combustíveis registraram margens unitárias mais fortes e avanço da desalavancagem. No setor farmacêutico, o crescimento das vendas nas mesmas lojas e a expansão das margens contribuíram para a redução do endividamento.
As empresas de locação apresentaram melhora no tíquete médio e na ocupação das frotas. Na siderurgia, os principais destaques foram os preços no mercado doméstico e as margens da Gerdau na América do Norte.
Também houve desempenho positivo em empresas de tecnologia, saúde e alguns segmentos industriais. Entre os casos mencionados pelo Safra estão Embraer, WEG, Rede D’Or, Fleury, TOTVS, Locaweb e Smart Fit.
Bancos e utilities concentram pontos negativos
Os serviços financeiros foram um dos principais pontos de atenção da temporada. A piora da qualidade dos ativos e a desaceleração da margem financeira pressionaram os lucros dos bancos e levaram o Safra a adotar uma perspectiva mais cautelosa para os próximos trimestres.
Banco do Brasil, Bradesco e Santander apresentaram deterioração nas tendências de crédito. O Itaú mostrou maior resiliência, enquanto o Nubank teve o resultado mais forte entre os bancos digitais, ainda que o Inter tenha enfrentado limitações relacionadas à qualidade dos ativos.
Em utilities, empresas de saneamento e distribuição de energia foram afetadas por itens não recorrentes, inadimplência e custos mais elevados. No segmento de geração, restrições na produção eólica e menores ganhos no mercado à vista pressionaram os resultados.
Alimentos e bebidas também ficaram entre os setores mais fracos. A queda dos volumes de bebidas, a oferta restrita de gado nos Estados Unidos e a pressão dos preços de commodities afetaram empresas como M. Dias Branco, Três Tentos e frigoríficos.
Tom das companhias melhora, mas juros seguem no centro
A análise das teleconferências indicou melhora no tom das administrações em relação ao primeiro trimestre. Termos como “favorável”, “sólido” e “dividendos” ganharam espaço, enquanto as menções à inflação diminuíram.
Por outro lado, “taxa de juros” e “dívida líquida” foram os termos negativos que mais cresceram, reforçando o peso do custo de capital e da estrutura de financiamento nas decisões corporativas. A palavra “desafiador” também avançou, especialmente em shoppings, transportes, bens de capital e varejo.
As menções à inteligência artificial cresceram 20,2% em relação ao primeiro trimestre, após queda de 23,7% no período anterior.
Perspectiva para o terceiro trimestre é mais neutra
Para o terceiro trimestre, o Safra projeta um cenário mais equilibrado. A expectativa é de 40,3% de resultados positivos, abaixo dos 44,4% previstos para o segundo trimestre. A projeção de resultados neutros subiu de 41,9% para 45,2%, enquanto a parcela de resultados negativos aumentou de 13,7% para 14,5%.
Os setores com perspectiva positiva incluem petróleo e gás, distribuição de combustíveis, farmácias, siderurgia, papel e celulose, além de alimentos e bebidas.
No petróleo, embora os preços devam recuar em relação ao segundo trimestre, os níveis atuais ainda são considerados favoráveis, e uma produção maior pode sustentar os resultados. Nas farmácias, a expansão dos medicamentos à base de GLP-1 e o lançamento esperado de genéricos e similares são vistos como catalisadores.
Na siderurgia, o Safra espera melhora das margens da Gerdau na América do Norte após reajustes implementados no fim do segundo trimestre. Em papel e celulose, a Klabin deve apresentar resultados sequencialmente mais fortes, enquanto a visão para a Suzano é mista, com preços menores de celulose parcialmente compensados pelo câmbio e por maiores volumes.
Para alimentos e bebidas, o banco espera recuperação gradual do fluxo de caixa livre, embora o cenário de curto prazo para a carne bovina nos Estados Unidos ainda seja desafiador.
Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.
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