B3 avança com força no 1º trimestre e Safra eleva projeções para 2026
Dados operacionais de março reforçam perspectiva de crescimento de receitas e lucro da operadora da bolsa brasileira, com impulso de derivativos, ações e serviços de tecnologia
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Movimento mais intenso em derivativos e renda variável sustentou a melhora das perspectivas para a B3 no início de 2026, apesar de uma base mais exigente para valorização adicional das ações | Foto: Divulgação
A B3 (B3SA3) encerrou março com sinais consistentes de aceleração operacional e deve reportar um primeiro trimestre de 2026 mais forte, segundo análise dos especialistas em investimentos do Safra.
O Safra revisou para cima suas estimativas para a companhia após a divulgação dos dados operacionais do mês e a atualização de premissas macroeconômicas, passando a projetar lucro líquido recorrente de R$ 1,502 bilhão no trimestre.
A leitura central para o investidor é que a operadora da bolsa brasileira segue se beneficiando de um ambiente favorável para volumes negociados, especialmente em derivativos e ações, além de manter expansão em linhas mais resilientes, como dados, tecnologia e plataformas.
Ao mesmo tempo, após a forte valorização acumulada do papel nos últimos 12 meses, o espaço para uma reprecificação adicional por múltiplos parece mais limitado.
Março reforça tendência positiva para receitas
O principal destaque do mês foi o desempenho do mercado de derivativos. O volume médio diário avançou 49% em março na comparação com fevereiro, alcançando R$ 16,6 bilhões. Em relação a março de 2025, o crescimento foi de 42%. Excluindo criptoativos, a alta anual foi ainda mais intensa, de 73,4%.
No mercado de ações, o volume médio diário total atingiu R$ 37,3 bilhões em março. Houve recuo de 4,7% na comparação mensal, mas o número ainda representa expansão expressiva de 48,3% em relação ao mesmo período do ano passado.
Já a velocidade de giro caiu 3 pontos percentuais frente a fevereiro, para 166,1%, mas permaneceu em patamar considerado saudável e acima dos 140,8% registrados um ano antes.
Esse conjunto de indicadores levou o Safra a considerar o trimestre como sólido. No acumulado do primeiro trimestre, o volume médio diário chegou a R$ 36,6 bilhões, com alta de 48% em base anual, sinalizando maior capacidade de conversão de atividade de mercado em receita.
Derivativos puxam o resultado
Dentro de derivativos, o maior avanço veio dos contratos de juros em reais, cujo volume médio diário saltou 83,8% em março ante fevereiro e 91,1% frente a março de 2025. Também houve crescimento relevante em índices de ações, câmbio e juros em dólar.
A receita estimada com derivativos somou R$ 371 milhões no mês, alta de 52,3% na comparação mensal e de 44,7% em base anual. Para o Safra, esse desempenho deve sustentar parte importante da expansão de receita no trimestre.
Safra prevê alta de quase 20% na receita líquida do trimestre
Para o primeiro trimestre de 2026, a estimativa é de receita líquida de R$ 2,851 bilhões, avanço de 19,4% sobre um ano antes e de 7,5% na comparação com o quarto trimestre de 2025. A expectativa reflete crescimento disseminado entre os principais segmentos da companhia.
O Safra projeta:
- Receitas de ações de R$ 743 milhões, com alta de 31% no trimestre e de 45,5% em um ano;
- Receitas de derivativos de R$ 946 milhões, avanço de 3,9% trimestral e 7,4% anual;
- Receitas de tecnologia e plataformas de R$ 514 milhões, alta de 11,9% em base anual;
- Receitas de soluções de dados e analytics de R$ 310 milhões, crescimento de 19,8% ano contra ano.
A exceção deve ficar com renda fixa e crédito, cuja receita estimada em R$ 353 milhões implica queda de 7,1% frente ao trimestre anterior, ainda que com alta de 11,9% em relação ao primeiro trimestre de 2025. A desaceleração reflete menor volume de emissões nessa linha.
Margem deve melhorar com diluição de custos
Pelo lado das despesas, a projeção é de recuo de 1,3% na comparação trimestral, para R$ 910 milhões, embora ainda com alta de 9,9% em base anual. A combinação de receitas mais fortes com despesas relativamente controladas deve levar a uma expansão de 320 pontos-base na margem Ebitda recorrente, para 72,2%.
Com isso, o lucro líquido recorrente projetado de R$ 1,502 bilhão representaria crescimento de 2,6% em relação ao trimestre anterior e de 33,1% na comparação anual.
Preço-alvo sobe para R$ 23, mas valorização já reduziu folga
Após incorporar os novos dados operacionais e o benefício de escudo fiscal, o Safra elevou suas projeções de lucro líquido para a B3 em 2026 e 2027. A nova estimativa para 2026 passou para R$ 6,51 bilhões, enquanto a de 2027 subiu para R$ 7,05 bilhões. Os números ficaram, respectivamente, 18% e 20% acima das previsões anteriores.
O preço-alvo para a ação B3SA3 foi elevado de R$ 17 para R$ 23, com recomendação outperform mantida. Considerando o preço de R$ 19,84 informado no relatório, o potencial de valorização estimado é de 15,9%.
Ainda assim, o Safra pondera que a forte alta acumulada do papel — de 61,8% em 12 meses e 42,8% no ano até a data do relatório — reduziu o espaço para expansão adicional de múltiplos. Pelas novas projeções, a ação negocia a 15 vezes lucro estimado para 2026 e a 13,5 vezes para 2027. Excluindo a distribuição extraordinária de juros sobre capital próprio, esses múltiplos sobem para 17,2 vezes e 15,8 vezes, respectivamente.
O que sustenta a tese de investimento
A visão construtiva para a B3 se apoia em quatro vetores principais:
- Maior volatilidade de mercado, que favorece a negociação de derivativos;
- Nível ainda robusto de giro em ações, apoiando receitas da bolsa;
- Crescimento de receitas mais previsíveis, como dados, analytics e tecnologia;
- Melhora das estimativas de lucro, com maior alinhamento às faixas de guidance.
Riscos seguem no radar do investidor
Apesar do quadro positivo, a tese não está isenta de riscos. O Safra destaca como principais pontos de atenção:
- deterioração das condições macroeconômicas;
- aumento da concorrência na indústria de mercados de capitais;
- ruídos de percepção sobre o papel;
- disputas legais com desfechos desfavoráveis.
Para o investidor, isso significa que a B3 continua sendo vista como uma companhia de alta qualidade, com receitas diversificadas e forte alavancagem operacional, mas cujo retorno adicional dependerá cada vez mais da entrega de resultado e menos apenas de reavaliação de mercado.
Leitura para o investidor
A atualização do Safra reforça a percepção de que a B3 começou 2026 em ritmo mais forte do que o esperado. O desempenho de março indica continuidade de um ambiente favorável para volumes, especialmente em derivativos, e sugere um trimestre de avanço relevante em receita, margem e lucro recorrente.
Para quem acompanha o papel, a mensagem principal é dupla: os fundamentos operacionais melhoraram e justificam revisão positiva de estimativas, mas parte relevante dessa melhora já foi capturada pela valorização recente da ação. Em outras palavras, a tese permanece positiva, embora mais dependente da execução operacional e da manutenção de um ambiente de mercado aquecido.
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