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Axia, ex-Eletrobras, avança na simplicação da estrutura

A Axia é a principal operadora do Brasil nos segmentos de geração e transmissão de energia, com uma capacidade instalada de 44 GW

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Axia

Em outubro, a companhia anunciou a venda de sua participação na Eletronuclear para a J&F por R$535 milhões | Foto: Getty Images

A Axia (ELET3, ex- Eletrobras) reportou queda de 4,8% a/a na receita líquida regulatória e retração no EBITDA, explicados pelo menor volume comercializado após as vendas das térmicas no Amazonas para a J&F, concluída em mai/25 e efeitos pontuais relacionados a revisão da RBSE e venda de energia na UHE Tucuruí, registrada no 3T24.

O Banco Safra destaca o forte avanço da política de simplificação da estrutura de ativos que vem sendo implementada pela companhia, que inclui a venda de participações minoritárias, consolidação de ativos e participação em novos leilões de
transmissão.

Estrutura acionária da Axia (ELET3)

Grupo governo (41,4%), acionistas não residentes (33,8%) e acionistas residentes (24,8%).

Em outubro, a companhia anunciou a venda de sua participação na Eletronuclear para a J&F por R$535 milhões, incluindo a
assunção da integralização de debêntures que seriam emitidas a favor da Eletronuclear (R$2,4 bilhões) e a liberação de garantias prestadas pela Axia (R$5,9 bilhões).

A operação gerou reconhecimento de perdas contábeis de R$7,3 bilhões, dado que o ativo estava registrado a R$7,8 bilhões no balanço.

Na visão do Banco Safra, a transação é positiva, considerando que o projeto Angra 3 ainda se encontra em fase de desenvolvimento, com investimentos totais indefinidos. Ainda em outubro, foi anunciada a venda da EMAE para a Sabesp por R$477 milhões.

Desempenho operacional

A receita líquida regulatória totalizou R$9,9 bilhões no 3T25 (-4,8% a/a), explicado pelo menor volume total comercializado, após a venda das térmicas no Amazonas, venda adicional de energia da UHE Tucuruí, ocorrida apenas no 3T24 e revisão da RBSE (receita de base de remuneração de transmissão) com efeito negativo sob o desempenho do segmento.

A queda foi parcialmente compensada pela melhora na receita com vendas no mercado spot, que registrou crescimento de 83% do volume vendido e de 38% no preço médio realizado e avanço da receita de transmissão, beneficiada pela redução da parcela de ajuste (PA).

O EBITDA regulatório ajustado foi de R$6,4 bilhões (-5,8% a/a), acompanhando a menor composição da receita líquida. O resultado foi parcialmente compensado pela redução dos custos e despesas com PMSO (-6% a/a) e menores gastos com combustível para produção de energia, decorrentes da venda das térmicas no Amazonas.

A margem EBITDA, por sua vez, atingiu 64,2%, leve queda em relação à margem do 3T24 que foi de 64,8%.

Fluxo de caixa livre. A Axia reportou uma queima de caixa livre de R$1,1 bilhão no trimestre, sendo composto por uma geração operacional de R$6,7 bilhões, investimentos de R$1,7 bilhão, pagamento de despesas financeiras (incluindo serviço da dívida e litígios) de R$2,5 bilhões, pagamento de dividendos e recompra de ações de R$4,0 bilhões e recebimento de
empréstimos e encargos financeiros descontados de pagamentos de previdência complementar e captação de recursos que totalizaram +R$0,5 bilhão.

Perfil da Dívida

A dívida bruta ajustada atingiu R$72,0 bilhões (+1,4% t/t), com a dívida sendo 60% indexada ao CDI, 34% a inflação, com o restante distribuído em linhas pré-fixadas (2,2%), indexadas a TJLP (4,2%) e euro.

Ao final do trimestre, a dívida possuía um prazo médio de vencimento de 55,5 meses (vs. 55,5 meses no 2T25 e 59,4 meses no
3T24), tendo um custo médio de CDI+0,64% a.a. (vs. CDI+0,59% a.a no 3T24). A dívida líquida, por sua vez, atingiu R$42,6 bilhões (+6,1% a/a), após a queima de caixa de R$1,1 bilhão derivada do pagamento de dividendos, e efeitos não caixa.

Alavancagem

A alavancagem (dívida líquida/EBITDA regulatório) registrou um leve aumento, saindo de 1,8x no 2T25 para 1,9x no 3T25, refletindo majoritariamente o maior endividamento líquido no período.

A companhia possui emissões com cláusulas restritivas (covenants) que limitam a alavancagem a 3,75x.

Liquidez

Caixa e equivalentes totalizavam R$28,3 bilhões, sendo suficientes para amortizar a dívida de curto prazo de R$11,2 bilhões em 2,5x. Considerando as amortizações de curto prazo relativas às linhas de empréstimos compulsórios, a liquidez seria 2,1x.

Destaques de Crédito

A Axia, é a principal operadora do Brasil nos segmentos de geração e transmissão de energia, com uma capacidade instalada de 44 GW (18% da capacidade instalada no Brasil) e mais de 74 mil km de linhas de transmissão (37% da extensão total no Brasil). Desde sua privatização em 2022, a companhia vem avançando na simplificação societária e na retomada dos investimentos em geração hídrica e transmissão.

Os movimentos mais recentes incluem a aquisição da UHE Três Irmãos e o arremate de quatro lotes no leilão de transmissão realizado pela Aneel em novembro. A forte regulação do setor, aliada à escala operacional e à racionalização do portfólio, reforçam a qualidade de crédito da companhia.

Dentre os principais pontos positivos para a companhia, destacamos: (i) forte perfil de negócios, associado à sua extensa capacidade operacional e diversificação geográfica dos ativos (ii) simplificação da estrutura societária (iii) previsibilidade de receitas.

Os riscos, por sua vez, permanecem centrados em: (i) garantias prestadas a subsidiárias (ii) exposição ao risco de preço
de venda de energia e nível de descontratação do portfólio (iii) alterações regulatórias no setor.

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