Assessor de investimentos se destaca e facilita acesso a produtos financeiros
Número de assessores de investimentos no Brasil sobe 2,1% em 12 meses e reforça a distribuição de produtos financeiros no país, com um toral de 27,7 mil profissioais
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Expansão da assessoria de investimentos no Brasil acompanha o avanço da indústria financeira, a interiorização do mercado de capitais e a demanda crescente por orientação qualificada aos investidores | Foto: Getty Images
O Brasil alcançou 27.721 assessores de investimentos credenciados em março de 2026, segundo relatório da ANCORD (Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias).
O número representa crescimento de 2,1% em relação ao mesmo período de 2025, consolidando a expansão de uma atividade que se tornou peça central na distribuição de produtos financeiros e no relacionamento com investidores em todo o país.
Do total de profissionais atualmente credenciados, 20.135 estão vinculados a instituições do mercado financeiro, o que evidencia o peso crescente das redes de assessoria dentro da estrutura comercial de bancos, corretoras e plataformas de investimento.
O avanço ocorre em paralelo ao aumento da participação de pessoas físicas no mercado financeiro e ao fortalecimento da indústria de intermediação, em um ambiente no qual a orientação especializada passou a exercer papel mais relevante tanto na alocação de recursos quanto na diversificação patrimonial.
“Temos mulheres e homens das mais variadas idades que colaboram diariamente com o fortalecimento do mercado de capitais no Brasil por meio de um atendimento qualificado. É um crescimento contínuo e consolidado em todos os estados brasileiros”, afirma o presidente da associação, Rafael Furlanetti.
Capilaridade regional mostra interiorização da atividade
O recorte regional do levantamento indica que a atividade tem avançado de forma disseminada pelo território nacional, embora ainda com forte concentração nos principais centros econômicos.
No Norte, o Pará reúne 172 assessores. No Centro-Oeste, Goiás lidera com 605 profissionais. No Sul, o Rio Grande do Sul soma 2.936 assessores, enquanto, no Nordeste, a Bahia concentra 564 profissionais. São Paulo, por sua vez, permanece na dianteira nacional, com 11.092 assessores de investimentos.
São Paulo lidera, mas crescimento se espalha pelos Estados
A liderança paulista reflete a densidade histórica do sistema financeiro local, a concentração de escritórios, plataformas e estruturas de distribuição, além da maior sofisticação da demanda por produtos de investimento. Ainda assim, a disseminação dos assessores por diferentes regiões sugere um processo de capilarização do mercado de capitais, com maior alcance da atividade para além dos grandes polos financeiros.
Esse movimento tende a ampliar o acesso dos investidores a atendimento especializado, especialmente em praças onde a oferta de orientação financeira era mais restrita. Para o mercado, a expansão territorial também fortalece a originação e a distribuição de produtos, em linha com a descentralização do investimento de varejo no país.
Tecnologia e certificação online ampliam o acesso à profissão
Segundo o relatório, os últimos quatro anos foram marcados por investimentos em modernização de processos, tecnologia e capacitação, além da consolidação do Exame de Certificação em formato online. Esse conjunto de fatores ampliou o acesso à profissão e permitiu a entrada de candidatos de diferentes regiões do país no mercado de assessoria de investimentos.
A digitalização do processo de certificação reduziu barreiras operacionais e geográficas, tornando o ingresso na carreira mais acessível. Na prática, isso contribuiu para diversificar a origem dos profissionais e para sustentar o crescimento da categoria em escala nacional.
Educação continuada ganha peso na qualificação técnica
A ANCORD também mantém o Programa de Educação Continuada (PEC), que oferece atualmente 702 cursos, com mais de 6 mil horas de conteúdo e 4 mil créditos gratuitos. A iniciativa é voltada ao aprimoramento técnico e à atualização permanente dos profissionais do setor.
Em um mercado mais competitivo e regulado, a formação contínua ganha relevância não apenas como diferencial comercial, mas como requisito para preservar a qualidade da orientação prestada aos investidores. À medida que o número de profissionais cresce, aumenta também a exigência por especialização, conhecimento de produtos e capacidade de adequação ao perfil de risco de cada cliente.
Faixa etária concentra força de trabalho entre 26 e 45 anos
O perfil etário dos assessores mostra predominância de profissionais em fase de consolidação de carreira. A faixa entre 26 e 45 anos responde por 64% do total, concentrando a maior parcela da categoria. Os jovens de 18 a 25 anos representam 11%, enquanto os profissionais de 46 a 55 anos somam 16%. Já aqueles com 56 anos ou mais correspondem a 9%.
A distribuição sugere um equilíbrio entre renovação e experiência, com entrada de novos profissionais e permanência de quadros mais maduros. Para o setor, esse perfil tende a favorecer tanto a expansão comercial quanto o aprofundamento técnico da atividade.
Maior número de assessores eleva competição e exigência por qualidade
O assessor de investimentos ocupa posição relevante na engrenagem do mercado financeiro ao orientar investidores na tomada de decisão, apoiar a construção de carteiras e contribuir para a mitigação de riscos no processo de acumulação patrimonial.
Com mais profissionais em atividade, o investidor amplia seu poder de escolha. Em contrapartida, o mercado passa a exigir maior expertise, diferenciação técnica e qualidade de atendimento. Esse ambiente mais competitivo pode beneficiar o cliente final, ao pressionar por padrões mais elevados de serviço, personalização e acompanhamento.
Sob a ótica da indústria financeira, o aumento da base de assessores também reforça a infraestrutura de distribuição, elemento estratégico para a expansão do mercado de capitais no Brasil. Em um cenário de maior sofisticação dos produtos e de diversificação do perfil dos investidores, a presença desses profissionais tende a seguir como um dos vetores de crescimento do setor.
Leitura de mercado
Mais do que um avanço quantitativo, o crescimento do número de assessores de investimentos sinaliza uma mudança estrutural na forma como os produtos financeiros chegam ao investidor brasileiro. A combinação entre tecnologia, educação continuada e expansão regional cria condições para um mercado mais profundo, competitivo e disseminado.
Se, de um lado, esse movimento amplia a penetração da indústria financeira, de outro ele impõe uma régua mais alta para os profissionais, que precisarão combinar qualificação técnica, capacidade consultiva e eficiência comercial em um ambiente de concorrência crescente.
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