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Raio X do investidor: mais de 23 milhões de brasileiros querem começar a investir

Pesquisa da Anbima indica estabilidade após cinco anos de avanço gradual na cultura de investimentos, com maior diversificação de carteira e saldo potencial de 8,7 milhões de novos investidores neste ano

4 minutos
Anbima

Levantamento da Anbima e Datafolha ouviu 5.832 pessoas em novembro de 2025 para mapear hábitos de poupança, investimento e saúde financeira do brasileiro | Foto: Getty Images

A 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, divulgada pela Anbima, mostra que o brasileiro chega a 2026 mais familiarizado com produtos financeiros e com maior disposição para investir, mas ainda sob forte restrição de renda e baixa capacidade de formação de reservas.

O estudo elaborado em parceria com o Datafolha indica que o avanço da cultura de investimentos segue em curso, embora em ritmo mais moderado do que no período imediatamente posterior à pandemia.

A parcela da população com aplicações financeiras alcançou 36% em 2025, o equivalente a 60,6 milhões de pessoas. Em 2021, essa fatia era de 31%. Já o percentual de brasileiros que conseguiu economizar algum dinheiro no ano subiu de 27% para 33% no mesmo intervalo.

A proporção dos que fizeram algum tipo de investimento — financeiro ou não — também avançou, de 18% para 24%, atingindo o maior nível da série.

Apesar disso, a leitura predominante da Anbima é de estabilidade. Depois de cinco anos de progressos incrementais, os dados de 2025 sugerem que o mercado chegou a um patamar em que novos saltos dependerão menos do interesse das pessoas e mais das condições econômicas concretas, como renda, emprego e capacidade de poupança.

Mais de 23 milhões de brasileiros pretendem começar a investir em 2026

O principal dado prospectivo do estudo está na intenção declarada para este ano. Entre os brasileiros que hoje não investem, 23,2 milhões afirmam que pretendem começar a aplicar em produtos financeiros em 2026.

Ao mesmo tempo, 14,5 milhões dos que já investem dizem que podem deixar de investir. Se essas intenções se confirmarem, o saldo líquido seria de 8,7 milhões de novos investidores.

A projeção, porém, deve ser lida com cautela. A própria pesquisa observa que existe uma tendência natural ao otimismo nas respostas sobre comportamento futuro. Ainda assim, o número reforça que o mercado segue com potencial de ampliação da base, mesmo em um ambiente de renda pressionada.

Não investidores ainda são maioria no país

O Brasil continua sendo predominantemente um país de não investidores. Segundo a pesquisa, 64% da população não possuem aplicações em produtos financeiros. Dentro desse grupo, 55% não guardam dinheiro de nenhuma forma.

A principal explicação está nas condições materiais. Entre os que não poupam, 82% afirmam que a razão é financeira — sobretudo falta de dinheiro, pressão de gastos e outras prioridades do orçamento. Esse percentual subiu em relação a 2021, quando era de 75%, indicando que o bloqueio à entrada no mercado financeiro segue mais ligado à renda disponível do que à simples falta de informação.

Conhecimento sobre investimentos cresce e carteira começa a mudar

Um dos avanços mais claros da série histórica está no conhecimento espontâneo sobre investimentos. A parcela da população que consegue citar algum produto sem receber opções passou de 28% em 2021 para 43% em 2025, o maior patamar da pesquisa.

Esse ganho de repertório começa a alterar a composição das carteiras. A poupança continua sendo o produto mais usado, citada por 22% da população e ainda predominante entre os investidores, mas perdeu espaço nos últimos cinco anos. Entre quem já investe, a presença da caderneta caiu de 75% para 61%.

No mesmo período, os títulos privados passaram de 8% para 20% entre os investidores, enquanto os fundos subiram de 9% para 14%. O movimento sugere que o investidor brasileiro começa a reduzir a concentração na poupança e a migrar, ainda que gradualmente, para instrumentos com maior diversificação.

Títulos privados ganham espaço

Os títulos privados são o principal destaque desse processo. O conhecimento espontâneo sobre esses produtos subiu de 6% para 14% em cinco anos, enquanto o uso atual e a intenção de investir chegaram a 7% da população.

Na avaliação da pesquisa, esse avanço reflete a combinação entre retorno percebido, sensação de segurança e facilidade de acesso. Para parte crescente do investidor, os títulos privados se consolidam como alternativa natural à poupança, sobretudo em um ambiente de maior distribuição digital de produtos de renda fixa.

Inteligência artificial no mundo dos investimentos

A digitalização segue transformando a jornada do investidor. Embora conversar com gerente ou assessor ainda seja o principal meio para decidir sobre investimentos, com 26% das menções, o uso de canais online para efetivar aplicações cresceu de 48% para 63% entre 2021 e 2025. No mesmo período, a ida presencial ao banco caiu de 43% para 32%.

Na busca por informação, o YouTube permaneceu como o canal mais citado entre investidores, com 35%, seguido pelo Instagram, com 27%. A televisão perdeu espaço, recuando de 34% para 21% em cinco anos.

Pela primeira vez, a pesquisa também captou o uso de assistentes de inteligência artificial, mencionados por 9% dos investidores como fonte de informação sobre produtos financeiros.

Educação financeira ainda alcança poucos

Apesar do avanço do conhecimento, a educação financeira formal continua restrita. Apenas 21% da população dizem já ter participado de alguma aula, curso ou palestra sobre o tema. Entre os investidores, esse percentual sobe para 33%. Entre os não investidores, cai para 14%.

O estudo também mostra que maior escolaridade e contato com educação financeira estão associados a melhores respostas em perguntas básicas sobre juros e maior autocontrole financeiro. A relação não resolve, sozinha, o problema da inclusão no mercado, mas reforça o peso do repertório na capacidade de poupar e investir.

Reserva de emergência e aposentadoria seguem frágeis

A pesquisa mostra que 69% da população afirmam ter algum dinheiro guardado para emergências, mas a proteção é curta. Em 43% dos casos, esse valor duraria no máximo seis meses. Quase um terço dos brasileiros não possui qualquer reserva.

O quadro é ainda mais frágil no longo prazo. Entre os não aposentados, 60% esperam depender da previdência pública para se sustentar na velhice, mas apenas 16% já começaram a formar uma reserva para aposentadoria. A discrepância entre expectativa e preparação é um dos pontos mais sensíveis do levantamento.

Estresse financeiro continua elevado

Outro dado relevante da edição é a permanência do alto estresse financeiro. Segundo o indicador calculado pela Anbima, 47% da população apresentam nível alto de estresse e 48%, nível médio. Só 5% aparecem em faixa de baixo estresse.

O grupo com maior pressão financeira concentra menos poupança, menos reserva, menos investimento e mais inadimplência. O resultado sugere que a evolução da cultura financeira no país convive com um ambiente doméstico ainda bastante vulnerável.

Leitura para 2026

A conclusão central da pesquisa é que o investidor brasileiro está mais informado, mais digital e um pouco mais diversificado do que há cinco anos, mas continua operando dentro de limites impostos pelo orçamento.

O potencial de expansão do mercado existe e é relevante, mas sua materialização dependerá da melhora das condições de renda e da capacidade de o sistema financeiro oferecer produtos simples, acessíveis e compatíveis com a realidade das famílias, segundo o relatório da Ambima.

Segundo a pesquisa Raio X do Investidor Brasileiro da Anbima, 36% da população brasileira possui aplicações financeiras em 2025, o equivalente a 60,6 milhões de pessoas. Esse percentual cresceu em relação a 2021, quando era de 31%, demonstrando uma expansão gradual da cultura de investimentos no país.

De acordo com o estudo da Anbima, mais de 23,2 milhões de brasileiros que atualmente não investem afirmam que pretendem começar a aplicar em produtos financeiros em 2026. Porém, esse número deve ser lido com cautela, pois existe uma tendência natural ao otimismo nas respostas sobre comportamento futuro. O saldo líquido de novos investidores, considerando também os que podem deixar de investir, seria de aproximadamente 8,7 milhões.

A principal razão pela qual 64% da população não possui aplicações em produtos financeiros está nas condições materiais e de renda. Entre os que não poupam, 82% afirmam que a razão é financeira, sobretudo falta de dinheiro, pressão de gastos e outras prioridades do orçamento. Esse percentual aumentou em relação a 2021, indicando que o bloqueio à entrada no mercado financeiro está mais ligado à renda disponível do que à falta de informação.

Nos últimos cinco anos, houve uma mudança significativa na composição das carteiras. A poupança continua sendo o produto mais usado, mas perdeu espaço: entre investidores, caiu de 75% para 61%. Simultaneamente, os títulos privados passaram de 8% para 20%, enquanto os fundos subiram de 9% para 14%. Esse movimento sugere que o investidor brasileiro está reduzindo a concentração na poupança e migrando gradualmente para instrumentos com maior diversificação.

O conhecimento espontâneo sobre investimentos cresceu significativamente, passando de 28% em 2021 para 43% em 2025, o maior patamar da série histórica. Especificamente sobre títulos privados, o conhecimento espontâneo subiu de 6% para 14% em cinco anos. Esse ganho de repertório está alterando a composição das carteiras e consolidando os títulos privados como alternativa natural à poupança.

O YouTube permanece como o principal canal de busca por informação entre investidores, com 35% das menções, seguido pelo Instagram com 27%. A televisão perdeu espaço, recuando de 34% para 21% em cinco anos. Pela primeira vez, a pesquisa captou o uso de assistentes de inteligência artificial, mencionados por 9% dos investidores como fonte de informação sobre produtos financeiros. Além disso, o uso de canais online para efetivar aplicações cresceu de 48% para 63% entre 2021 e 2025.

A pesquisa mostra que 69% da população afirmam ter algum dinheiro guardado para emergências, mas a proteção é curta: em 43% dos casos, duraria no máximo seis meses. No longo prazo, a situação é ainda mais frágil: entre os não aposentados, 60% esperam depender da previdência pública, mas apenas 16% já começaram a formar uma reserva para aposentadoria. Essa discrepância entre expectativa e preparação é um dos pontos mais sensíveis do levantamento.

Segundo o indicador calculado pela Anbima, 47% da população apresentam nível alto de estresse financeiro e 48% apresentam nível médio, deixando apenas 5% em faixa de baixo estresse. O grupo com maior pressão financeira concentra menos poupança, menos reserva, menos investimento e mais inadimplência, sugerindo que a evolução da cultura financeira no país convive com um ambiente doméstico ainda bastante vulnerável.
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