A XP (XPBR3) reportou lucro líquido de R$ 1,318 bilhão no primeiro trimestre de 2026. O número caiu 1% na comparação trimestral e ficou 7% abaixo do registrado um ano antes, além de vir 2% abaixo da estimativa do Safra.
Segundo a avaliação do banco, a principal frustração no lucro veio da alíquota efetiva de imposto, de 9,9%, acima da projeção de 7,2%. Com isso, um resultado operacional em linha com o esperado acabou se transformando em um lucro líquido inferior ao previsto.
Ainda assim, o ponto de maior atenção esteve na composição das receitas. O Safra avalia que o desempenho mais fraco no negócio principal da companhia merece monitoramento, sobretudo diante da queda mais acentuada da renda fixa no varejo.
Receita mostra pressão no negócio principal
A receita bruta da XP cresceu 8% em relação ao mesmo período do ano passado, mas recuou 7% frente ao trimestre anterior, em linha com a projeção do Safra. O principal ponto negativo foi a receita de renda fixa, que ficou 15% abaixo do esperado, impactada pela volatilidade dos spreads de crédito.
Por outro lado, outras linhas ajudaram a reduzir parte da pressão. As receitas de outros negócios de varejo, com destaque para o float, superaram as estimativas. Também houve desempenho melhor em serviços a emissores e na área institucional.
Na prática, isso indica que a XP conseguiu compensar parte da fraqueza no núcleo da operação com receitas mais resilientes em outras frentes. Mesmo assim, o Safra vê o resultado como levemente negativo para a revisão das estimativas de lucro do mercado ao longo de 2026.
Gestão adota tom mais positivo
Na teleconferência de resultados, a administração da XP reiterou o guidance para 2026 e mostrou mais confiança na capacidade de entregar crescimento de receita em ritmo de dois dígitos no ano.
A companhia também indicou visão mais favorável para a alocação dos clientes em crédito privado. Além disso, afirmou que o ambiente atual de mercado de capitais para dívida está relativamente alinhado ao que havia sido previsto no orçamento anual.
Para o Safra, a mensagem mais relevante do call foi a de que a normalização dos spreads e a recuperação da atividade tendem a se concentrar na segunda metade do ano. Esse ponto ajudou a suavizar a leitura negativa inicial dos números do trimestre.
Clientes e captação avançam, mas em ritmo moderado
Nos indicadores operacionais, a XP reportou captação líquida de varejo de R$ 19 bilhões no trimestre. O volume ficou abaixo do observado em períodos anteriores. Já os ativos sob custódia no varejo somaram R$ 1,296 trilhão, com alta de 1% na comparação trimestral.
A base de clientes ativos alcançou 4,79 milhões, com adição líquida de 28 mil no trimestre. O número de assessores subiu 2%, para 18,3 mil, enquanto o total de funcionários também avançou 2%.
Nas novas verticais, os números mostraram expansão em parte relevante das operações. O volume transacionado em cartões cresceu 10% em um ano, para R$ 13,3 bilhões. Os ativos de previdência subiram para R$ 98 bilhões. Já a carteira de crédito recuou 7% no trimestre, para R$ 23,5 bilhões. Em seguros, os prêmios emitidos chegaram a R$ 405 milhões, com alta anual de 16%.
Mudança financeira e reforço ao acionista
A XP também anunciou mudança no comando financeiro. O atual diretor financeiro, Victor Mansur, deixará o cargo e será sucedido por Gustavo Alejo. Segundo a companhia, não há previsão de mudança na estratégia geral.
Na visão do Safra, o histórico de Alejo no setor bancário pode contribuir para a expansão das operações de atacado e crédito da empresa.
Ao mesmo tempo, a companhia informou retenção de 77% dos recursos ligados ao FGC Payments e esclareceu que esse montante não está incluído nos R$ 19 bilhões de captação líquida reportados no trimestre.
A empresa ainda anunciou dividendos de R$ 500 milhões e um novo programa de recompra de ações de R$ 1 bilhão. Somados, os dois movimentos representam retorno potencial de cerca de 3,5% ao acionista.
Capital segue sólido
No capital, a XP apresentou índice principal de capital de 17,5%, com avanço de 0,2 ponto percentual em relação ao trimestre anterior. Os ativos ponderados por risco cresceram 3%, para R$ 122 bilhões, puxados principalmente pelo risco de mercado.
O indicador reforça a leitura de que a companhia segue operando com folga de capital, o que sustenta tanto a distribuição de dividendos quanto o novo programa de recompra.
O que muda para a ação
Para o Safra, o resultado da XP foi fraco no negócio principal, embora a administração tenha transmitido uma mensagem mais construtiva para os próximos trimestres. A combinação entre controle de despesas, expectativa de melhora do ambiente de crédito e manutenção do guidance ajuda a limitar uma leitura mais negativa.
Ainda assim, o banco avalia que o mercado tende a ajustar suas projeções de lucro para 2026. A expectativa é de convergência para um lucro líquido entre R$ 5,5 bilhões e R$ 5,6 bilhões no ano, sustentado pelo controle de custos, mas limitado por desafios na receita.
Diante deste cenário, o Safra mantém recomendação neutra para XPBR3.