O Safra elevou a recomendação da XP (XPBR3) para compra, após avaliar que a companhia reúne uma combinação mais favorável de proteção, geração de capital e previsibilidade de resultados em um cenário de maior deterioração do crédito no Brasil.
O novo preço-alvo definido pelo banco é de US$ 22 por ação, o que representa potencial de valorização de aproximadamente 34%.
Segundo o Safra, a mudança de recomendação ocorre após a forte compressão dos múltiplos da ação nos últimos anos, mesmo com estimativas de lucro relativamente estáveis.
Valuation da XP está próximo das mínimas históricas
A XP negocia atualmente em níveis próximos aos menores múltiplos observados desde a reprecificação estrutural da ação.
O Safra estima múltiplo de preço sobre lucro de 7,7 vezes para 2026 e de 7,2 vezes para 2027. Ainda assim, as projeções de lucro permaneceram praticamente estáveis nos últimos 18 meses. A projeção de lucro líquido é de R$ 5,54 bilhões em 2026 e de R$ 5,95 bilhões em 2027, com retorno sobre patrimônio líquido entre 22% e 23%.
Na avaliação do Safra, o ciclo de revisões negativas que pressionava a percepção sobre a companhia perdeu força, enquanto o valuation segue descontado.
Distribuição de capital pode impulsionar retorno ao acionista
Outro ponto central da tese envolve a capacidade de geração e distribuição de capital da XP (XP).
Segundo as estimativas do Safra, a companhia pode liberar cerca de R$ 8 bilhões em capital excedente entre o segundo trimestre de 2026 e o fim de 2027.
O valor equivale a aproximadamente 75% do lucro distribuível no período e pode ser direcionado para recompras de ações e pagamento de dividendos.
A projeção considera uma otimização da estrutura de capital dentro da faixa de índice de Basileia entre 16% e 19%, alinhada às metas da própria companhia.
Menor exposição ao crédito reforça tese defensiva
O Safra também avalia que o mercado subestima o diferencial competitivo da XP em um cenário de deterioração gradual do crédito no país.
A companhia possui exposição limitada ao crédito de massa para pessoas físicas, segmento que tende a enfrentar maior pressão diante da inflação persistente e do elevado nível de endividamento das famílias.
Segundo o banco, os grandes bancos tradicionais ainda carregam nos balanços parte dos riscos acumulados após anos de expansão do crédito.
Nesse contexto, plataformas de investimento como a XP aparecem em posição mais defensiva, já que dependem menos da expansão do crédito para sustentar receitas e rentabilidade.
Deterioração do crédito pode ocorrer de forma gradual
O Safra avalia que o mercado pode estar analisando o risco de crédito de forma excessivamente concentrada nos índices tradicionais de inadimplência.
Na visão do banco, a deterioração do ciclo deve aparecer principalmente por meio do aumento gradual das provisões para perdas, do custo de crédito e do volume de renegociações.
Programas públicos de estímulo ao crédito, além de iniciativas de renegociação de dívidas, podem evitar uma alta abrupta da inadimplência nos próximos trimestres.
Ainda assim, o banco acredita que a qualidade dos lucros das instituições financeiras tradicionais pode sofrer pressão ao longo de 2027.
Receita ainda exige cautela
Apesar da recomendação mais positiva, o Safra destaca que a tese não depende de uma aceleração relevante das receitas da XP.
Nos últimos trimestres, a receita foi um dos principais pontos de frustração da companhia, especialmente diante da maior concorrência dos grandes bancos e do BTG.
Além disso, o período pré-eleitoral exige cautela adicional em relação ao comportamento dos mercados e da atividade de emissão no mercado de capitais.
Para o banco, eventuais cortes de juros e uma recuperação mais forte do mercado representam potenciais catalisadores positivos, mas não fazem parte das premissas centrais da recomendação.
Principais riscos da recomendação
O Safra destaca alguns fatores que podem limitar o desempenho da XP nos próximos trimestres.
Entre os principais riscos estão:
- Período prolongado de aversão ao risco no mercado brasileiro
- Janela fechada para emissões no mercado de capitais
- Maior volatilidade nos spreads de crédito
- Competição mais agressiva por assessores e captação
- Mudanças regulatórias ou tributárias
- Decisões inadequadas de alocação de capital pela companhia
Mesmo assim, o banco mantém visão favorável para a ação diante da combinação entre valuation descontado, geração de caixa e menor exposição ao ciclo de crédito.