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XP registra lucro de R$ 1,38 bilhão no segundo trimestre

Resultado da XP ficou amplamente em linha com as expectativas do Safra, com captação líquida forte no varejo e crescimento dos ativos sob custódia


A XP Inc. (XP) registrou lucro líquido de R$ 1,384 bilhão no segundo trimestre de 2026, alta de 5% na comparação trimestral e anual. O resultado ficou 1% acima da estimativa do Banco Safra.

O lucro antes de impostos somou R$ 1,565 bilhão, avanço de 10% em relação ao trimestre anterior e de 15% ante o mesmo período de 2025. O número superou em 6% a projeção do banco.

Apesar do resultado positivo, o Safra avalia que o desempenho ficou amplamente em linha com as expectativas. A diferença veio principalmente de menores impostos sobre vendas e deduções, despesas mais baixas com incentivos e um resultado de equivalência patrimonial superior ao projetado.

A XP também registrou um impacto de aproximadamente R$ 150 milhões relacionado à marcação a mercado em produtos de renda fixa. O efeito, no entanto, foi significativamente menor do que no primeiro trimestre e ficou próximo da estimativa do Safra.

Receitas corporativas se destacam

As receitas brutas da XP cresceram 8% em um ano e 3% na comparação trimestral, para um resultado próximo ao projetado pelo banco.

O principal destaque veio das receitas corporativas, que avançaram 22% no trimestre e ficaram 21% acima da estimativa do Safra. O desempenho compensou parcialmente as receitas mais fracas no varejo e em produtos de renda fixa.

As receitas de serviços corporativos e para emissores ficaram 10% acima da projeção. Já a receita do segmento institucional superou a estimativa em 5%.

No varejo, as receitas ficaram 3% abaixo do esperado. O desempenho positivo em ações, que superou a estimativa em 6%, foi compensado por resultados mais fracos em outras receitas de varejo e em renda fixa.

O lucro bruto alcançou R$ 3,353 bilhões, alta de 6% no trimestre e de 9% em 12 meses. O valor ficou 2% acima da projeção do Safra.

Captação líquida chega a R$ 20 bilhões

A captação líquida do varejo atingiu R$ 20 bilhões pelo segundo trimestre consecutivo. O volume cresceu 7% em relação ao primeiro trimestre e 28% na comparação anual.

A entrada líquida total foi de R$ 27,6 bilhões, alta de 94% no trimestre. O resultado foi impulsionado principalmente pelos fluxos institucionais.

Os ativos sob custódia do varejo somaram R$ 1,3 trilhão, avanço de 11% em 12 meses. Considerando todos os segmentos, o total chegou a R$ 1,535 trilhão, alta anual de 12%.

O número de clientes recuou 0,4% no trimestre, para 4,772 milhões. Ainda assim, houve crescimento de 1% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Novas verticais avançam

As novas áreas de negócios da XP seguiram apresentando crescimento no trimestre.

O volume total de pagamentos com cartões de crédito chegou a R$ 13,5 bilhões, alta de 8% em um ano. Os ativos de previdência cresceram 18% na comparação anual, para R$ 101 bilhões.

A carteira de crédito avançou 14% no trimestre e 6% em 12 meses, alcançando R$ 26,8 bilhões. Já a receita de seguros somou R$ 80 milhões, alta de 23% em um ano e de 36% na comparação trimestral.

Despesas ficam sob controle

As despesas operacionais ficaram próximas das projeções do Safra, com variação negativa de 1% em relação à estimativa.

As despesas com pessoal ficaram 2% abaixo do esperado. Com isso, o índice de remuneração recuou 0,45 ponto percentual no trimestre, para 22,7%.

O resultado antes de impostos também foi beneficiado por uma equivalência patrimonial de R$ 54 milhões, acima dos R$ 23 milhões projetados pelo Safra. O efeito foi parcialmente compensado por uma alíquota efetiva de imposto de renda de 14%, superior à estimativa de 8,8%.

XP anuncia cancelamento de ações

O índice de capital principal da XP recuou 0,3 ponto percentual no trimestre, para 17,1%. Os ativos ponderados pelo risco cresceram 4%, para R$ 127 bilhões, principalmente devido ao aumento do risco de mercado.

A companhia também anunciou o cancelamento de 11,8 milhões de ações ordinárias mantidas em tesouraria. O volume representa 2,3% do total de ações.

Com a operação, o número total de ações da XP caiu de 520,3 milhões para 508,5 milhões.

Safra mantém recomendação neutra

O Safra mantém uma visão neutra para as ações da XP. Para o banco, as tendências operacionais permaneceram praticamente inalteradas e não devem provocar uma reação significativa dos papéis após a divulgação dos resultados.

O terceiro trimestre, no entanto, pode apresentar uma receita mais forte. A avaliação considera o maior número de dias úteis e um ambiente de mercado potencialmente mais favorável.

Um aumento da volatilidade também pode abrir oportunidades adicionais para a XP em derivativos, câmbio e produtos de proteção financeira.

Mesmo com a recomendação neutra, o Safra considera a XP uma das companhias mais bem posicionadas do setor para os próximos trimestres. A empresa negocia a aproximadamente sete vezes sua projeção de lucro para 2027 e oferece potencial de retorno em dividendos de cerca de 10%.

Além disso, a XP possui menor exposição ao ciclo de crédito de varejo de massa em comparação com os grandes bancos tradicionais, o que reforça sua posição competitiva no mercado financeiro.


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