A WEG (WEGE3), multinacional brasileira líder na fabricação de motores elétricos, transformadores, geradores e tintas, reportou um resultado negativo no primeiro trimestre de 2026, com receita líquida e lucro líquido abaixo das expectativas do mercado e das estimativas do Safra.
A receita líquida somou R$ 9,468 bilhões, com queda de 6,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O desempenho refletiu a retração de 19,5% da receita no mercado doméstico. A principal razão foi a ausência de entregas relevantes de geração solar centralizada, depois de um primeiro trimestre de 2025 excepcionalmente forte para essa linha de negócios.
Em contrapartida, a operação internacional mostrou maior resiliência. A receita externa cresceu 4,5% na comparação anual, mesmo com a valorização do real frente ao dólar, que reduziu parte do efeito positivo da operação no exterior quando convertida para a moeda brasileira.
Em base ajustada pelo câmbio, a receita consolidada teria ficado praticamente estável, com alta de 0,5%. Ainda assim, o avanço fora do Brasil não foi suficiente para compensar a queda mais intensa nas vendas domésticas.
Mercado externo sustenta parte do desempenho
No Brasil, a receita totalizou R$ 3,6 bilhões, com retração de 19,5% em um ano. O segmento de geração, transmissão e distribuição de energia foi o principal ponto de pressão, com queda de 36,4%, em razão da base de comparação elevada e da ausência das entregas de projetos solares observadas no ano anterior.
Por outro lado, a área de transmissão e distribuição teve desempenho mais favorável, apoiada em entregas de grandes transformadores e subestações relacionadas a leilões de transmissão. Já o segmento industrial cresceu 1,7%, sustentado por entregas de motores de ciclo mais longo contratados em trimestres anteriores, embora a demanda de ciclo curto tenha mostrado fraqueza.
No exterior, a receita alcançou R$ 5,9 bilhões, com alta de 4,5% em reais e de 16% em dólares. O segmento industrial avançou 6,2%, impulsionado pela demanda por motores de baixa tensão para os setores de óleo e gás e por sistemas de climatização voltados a centros de dados. Além disso, as entregas de ciclo longo seguiram consistentes.
Ao mesmo tempo, a divisão de geração, transmissão e distribuição cresceu 3,2%, beneficiada por entregas nos Estados Unidos e pelo bom nível de demanda na Colômbia.
Margem operacional resiste com ajuda de fatores pontuais
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, indicador que mede a geração operacional de caixa, totalizou R$ 2,103 bilhões, com recuo de 3,2% em relação ao primeiro trimestre de 2025. A margem operacional ficou em 22,2%, praticamente em linha com o esperado.
Apesar da queda da receita, a margem mostrou alguma sustentação. Esse movimento ocorreu por causa de um mix de produtos mais favorável, com menor participação da energia solar, e principalmente pela reversão da provisão de participação nos lucros registrada no ano passado.
Esses fatores compensaram a piora da margem bruta, que caiu 1,26 ponto percentual, para 31,6%. A pressão veio de custos mais altos de cobre, aumento de tarifas de importação nos Estados Unidos e menor diluição de custos fixos diante do faturamento mais fraco.
Assim, a rentabilidade operacional permaneceu relativamente estável, mas com qualidade inferior, já que parte da sustentação veio de efeitos pontuais e não da força do crescimento da receita.
Lucro líquido também fica abaixo das expectativas
O lucro líquido da WEG somou R$ 1,457 bilhão no primeiro trimestre de 2026, com queda de 5,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. O número ficou 2,3% abaixo da estimativa do Safra e 5,9% inferior ao consenso do mercado.
A margem líquida atingiu 15,4%, com leve alta anual. Ainda assim, o resultado foi pressionado pela receita mais fraca, pelo avanço das despesas com depreciação e amortização, que cresceram 10,6%, e pelo aumento da participação de acionistas minoritários.
Por outro lado, a alíquota efetiva de imposto caiu para 16,4%, ante 17,5% um ano antes, o que ajudou a amenizar parte da pressão sobre o lucro.
O que o resultado da WEG sinaliza
O resultado da WEG no primeiro trimestre de 2026 reforça uma leitura mais cautelosa para o curto prazo. A companhia segue mostrando capacidade de crescimento fora do Brasil e exposição a tendências estruturais relevantes, como infraestrutura elétrica, óleo e gás e centros de dados.
No entanto, a queda acentuada da receita doméstica e a dependência de efeitos pontuais para sustentar a margem indicam um trimestre de qualidade mais fraca. Para os próximos períodos, o mercado deve acompanhar sobretudo a recomposição do crescimento no Brasil, a evolução dos custos de matérias-primas e os impactos das tarifas nos Estados Unidos.
Em resumo, o Safra avalia que a WEG (WEGE3) entregou um resultado negativo no primeiro trimestre de 2026, com números abaixo do esperado e sinais mistos entre a resiliência da operação internacional e a fraqueza mais evidente no mercado doméstico.