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Viveo melhora operação, mas dívida limita recuperação

A Viveo (VVEO3) aumentou o resultado operacional no segundo trimestre de 2026, mas as despesas financeiras mantiveram a companhia no prejuízo


A Viveo (VVEO3) registrou receita líquida de R$ 2,91 bilhões no segundo trimestre de 2026. O resultado representa alta de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A receita ficou 2% acima da estimativa do Banco Safra e 1% acima do consenso do mercado.

O segmento de Hospitais e Clínicas foi o principal destaque. A receita cresceu 11%, para R$ 2,15 bilhões, acelerando em relação à alta de 5% registrada no primeiro trimestre de 2026.

O avanço refletiu o aumento do volume de medicamentos e os reajustes previstos em contratos. Esses fatores compensaram a queda de receita nos demais segmentos.

Desempenho dos segmentos

A receita de Laboratórios e Vacinas caiu 23% na comparação anual, para R$ 311 milhões.

O resultado refletiu uma base de comparação elevada. No segundo trimestre de 2025, a campanha de vacinação contra a gripe e o início da comercialização de novos imunizantes ficaram concentrados na rede privada. Em 2026, parte dessas vendas migrou para a rede pública.

O negócio de laboratórios permaneceu estável no período.

A receita do Varejo alcançou R$ 254 milhões, praticamente estável em relação ao segundo trimestre de 2025. O desempenho ocorreu após a acomodação dos preços, que haviam subido no início do ano.

O portfólio do segmento continuou ganhando participação.

A receita de Serviços somou R$ 195 milhões, queda de 10% na comparação anual. O resultado foi afetado pela reestruturação da operação de manipulação, após grandes clientes internalizarem parte das atividades.

Apesar da queda anual, a receita de Serviços aumentou 3% em relação ao primeiro trimestre de 2026, acompanhada por melhora das margens.

Margem bruta melhora

A margem bruta da Viveo aumentou 1,6 ponto percentual em um ano, para 16,6%. Esse foi o principal fator por trás da expansão do resultado operacional.

O lucro bruto alcançou R$ 484 milhões, alta de 15% na comparação anual e 7% acima da estimativa do Safra.

A melhora da margem ocorreu em todos os canais de atuação da companhia. O desempenho refletiu um mix de produtos mais favorável, reajustes de preços e atualizações contratuais.

Também contribuiu o menor reajuste autorizado para os preços de medicamentos em duas décadas. O aumento definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos foi de 1,13%.

Excluindo esse efeito, a margem bruta teria sido de 16,1%, ante 14,6% no segundo trimestre de 2025.

Resultado operacional avança

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização ajustado da Viveo alcançou R$ 217 milhões. O valor representa alta de 22% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O resultado ficou 7% acima da estimativa do Safra e 8% acima do consenso do mercado. Também foi o maior nível trimestral desde o terceiro trimestre de 2023.

A margem operacional ajustada aumentou 1,1 ponto percentual na comparação anual, para 7,4%.

As despesas operacionais, sem considerar depreciação, amortização e itens não recorrentes, somaram R$ 279 milhões. O valor representa alta de 4% em um ano e correspondeu a 9,6% da receita líquida.

O resultado operacional reportado foi de R$ 223 milhões, alta de 35% na comparação anual. O valor ficou acima do resultado ajustado devido a um crédito de aproximadamente R$ 10 milhões relacionado à reversão de um plano de remuneração de longo prazo após mudanças na administração.

Despesas financeiras pressionam

As despesas financeiras líquidas totalizaram R$ 182 milhões no segundo trimestre de 2026, alta de 16% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O valor ficou 26% acima da estimativa do Safra e absorveu praticamente todo o avanço operacional da companhia.

A Viveo registrou prejuízo líquido reportado de R$ 35 milhões. Após os ajustes relacionados a itens não recorrentes, o prejuízo líquido ficou em R$ 21 milhões.

O prejuízo ajustado representa melhora de 52% na comparação anual. Ainda assim, ficou acima da estimativa do Safra, que previa perda de R$ 10 milhões, e do consenso, de R$ 17 milhões negativos.

Fluxo de caixa

O fluxo de caixa livre para o acionista ficou próximo do equilíbrio. A estimativa do Safra aponta geração negativa de R$ 13 milhões no trimestre.

O cálculo considera fluxo de caixa operacional de R$ 162 milhões, investimentos de R$ 37 milhões, despesas financeiras pagas de R$ 128 milhões e pagamentos relacionados a aquisições de R$ 10 milhões.

No primeiro trimestre de 2026, o fluxo de caixa livre havia sido negativo em R$ 117 milhões. No segundo trimestre de 2025, o indicador havia sido positivo em R$ 48 milhões.

O trimestre incluiu R$ 250 milhões em antecipação de recebíveis. O ciclo de conversão de caixa ficou em 53 dias, melhora de quatro dias na comparação anual.

Sem considerar a antecipação de recebíveis, o ciclo teria sido de 60 dias, ante 64 dias no segundo trimestre de 2025.

Endividamento permanece alto

A dívida líquida da Viveo aumentou R$ 35 milhões na comparação trimestral, para R$ 2,92 bilhões.

O caixa terminou o período em R$ 451 milhões, ante R$ 812 milhões um ano antes. A dívida bruta, por outro lado, caiu R$ 300 milhões em 12 meses, para R$ 3,37 bilhões.

A relação entre dívida líquida e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização ajustado recuou para 4,39 vezes, ante 5,19 vezes no segundo trimestre de 2025.

Apesar da melhora anual, o nível permanece próximo do limite de 4,75 vezes estabelecido nos compromissos financeiros renegociados em junho. Considerando as obrigações relacionadas a aquisições, a alavancagem ficou em 4,65 vezes.

A renegociação reduziu as amortizações previstas para 2026 de R$ 1,1 bilhão para R$ 263 milhões. Com isso, 93% da dívida passou a ter vencimento no longo prazo.

O prazo médio da dívida ficou em 7,3 anos, com custo equivalente à taxa de juros interbancária mais 1,54 ponto percentual.

Aumento de capital

O período para participação no aumento de capital da Viveo termina em 31 de agosto de 2026.

As ações serão oferecidas a R$ 0,90 por papel, enquanto a cotação mencionada na análise estava em R$ 0,62.

Caso os acionistas subscrevam o valor mínimo da oferta, a alavancagem poderá cair para 3,19 vezes. Em um cenário de adesão integral, o indicador poderia recuar para 2,64 vezes.

No entanto, o tamanho final do aumento de capital ainda é incerto. Por isso, a redução da dívida dependerá do nível de participação dos investidores.

Visão do Safra

Para o Safra, a Viveo continuou apresentando melhora operacional no segundo trimestre de 2026.

A maior margem bruta, o crescimento da receita de Hospitais e Clínicas e o controle das despesas sustentaram a expansão do resultado operacional.

No entanto, o elevado endividamento continua sendo o principal tema da tese de investimento. As despesas financeiras absorveram grande parte dos ganhos operacionais e contribuíram para o prejuízo ajustado no trimestre.

O aumento de capital e a renegociação das dívidas podem reduzir a pressão financeira. Ainda assim, o tamanho final da oferta e o ritmo de desalavancagem permanecem incertos.

O Safra reitera a recomendação de venda para as ações da Viveo. O banco reconhece a melhora operacional, mas considera o nível de endividamento um risco significativo para os papéis.


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