A Vitru (VTRU3) registrou crescimento de 9% na receita líquida no segundo trimestre de 2026. O avanço permaneceu concentrado nos cursos híbridos, que seguem como principal vetor de expansão da companhia.
A receita dos cursos de graduação híbridos aumentou 17% em relação ao mesmo período do ano anterior, para R$ 339 milhões. O segmento representou metade da receita da companhia no primeiro semestre de 2026.
A receita dos cursos de educação a distância cresceu 6%, para R$ 150 milhões. Já os cursos presenciais, sem considerar Medicina, avançaram 2%, para R$ 55 milhões.
A receita dos cursos de Medicina aumentou 6%, para R$ 81 milhões.
Mais alunos engajados
O número de alunos ingressantes engajados chegou a 87,8 mil, alta de 21% na comparação anual. Desse total, 50,6 mil estavam matriculados em cursos híbridos, crescimento de 35% em um ano.
Os alunos de cursos híbridos representaram 58% do total de novos ingressantes. O ingresso em Enfermagem permaneceu pouco representativo após a suspensão de novas matrículas em cursos híbridos, em setembro de 2025, devido ao novo marco regulatório.
A taxa de engajamento dos alunos ingressantes aumentou de 72,5% para 82,1%. Além disso, a evasão por falta de renovação caiu 55% na comparação anual.
Com isso, a base de alunos de graduação da Vitru alcançou 945 mil, alta de 6% em um ano. O valor médio das mensalidades dos cursos híbridos e a distância chegou a R$ 287 no primeiro semestre de 2026, crescimento de 2%.
Resultado operacional
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização ajustado somou R$ 278 milhões no segundo trimestre de 2026. O resultado representa alta de 9% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O valor ficou 3% acima da estimativa do Safra e 7% acima do consenso do mercado.
A margem operacional ajustada permaneceu praticamente estável na comparação anual. A redução de 13% nas perdas esperadas com créditos de difícil recuperação ajudou a compensar a pressão sobre os custos.
As perdas esperadas caíram para R$ 62 milhões e contribuíram com 2,37 pontos percentuais para a margem.
Pressão sobre custos
A margem bruta ajustada recuou 0,6 ponto percentual, para 70,3%. A queda ocorreu devido ao aumento de 11% nos custos dos serviços.
O avanço refletiu principalmente a estrutura necessária para manter as atividades presenciais dos cursos híbridos.
As despesas gerais e administrativas ajustadas aumentaram 41%, para R$ 45 milhões. O crescimento ocorreu principalmente devido à mudança da sede da Vitru em São Paulo, concluída ao fim do segundo trimestre de 2025.
Lucro líquido
As despesas financeiras líquidas alcançaram R$ 85 milhões, alta de 8% na comparação anual. O valor incluiu aproximadamente R$ 10 milhões em custos não recorrentes relacionados ao resgate de debêntures.
O resultado antes dos impostos somou R$ 127 milhões, alta de 20% em um ano.
O lucro líquido reportado foi de R$ 106 milhões, queda de 17% na comparação anual. O resultado foi afetado por uma despesa de imposto de renda diferido de R$ 21 milhões relacionada à combinação com a UniCesumar.
Esse efeito não representou saída de caixa. A companhia também adiciona de volta R$ 29 milhões em amortização de ativos intangíveis gerados na combinação de negócios.
Considerando esses ajustes, o lucro líquido para fins de imposto de caixa alcançou R$ 160 milhões, alta de 31% na comparação anual.
A despesa recorrente com impostos caiu para R$ 200 mil, ante R$ 22 milhões no segundo trimestre de 2025. Esse foi um dos principais fatores positivos abaixo do resultado operacional.
Geração de caixa
O fluxo de caixa operacional ajustado atingiu R$ 216 milhões, alta de 26% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O capital de giro consumiu 9% menos recursos no trimestre. Além disso, os impostos pagos em caixa caíram para R$ 1 milhão, ante R$ 16 milhões um ano antes.
Os investimentos somaram R$ 24 milhões, queda de 41% na comparação anual. O valor correspondeu a 3,6% da receita.
A Vitru, contudo, indicou que os investimentos devem ficar mais concentrados nos próximos trimestres. Por isso, o Safra recomenda cautela ao projetar a manutenção do nível atual.
Após os investimentos, o fluxo de caixa alcançou R$ 193 milhões. Depois da receita financeira líquida de R$ 23 milhões, do pagamento de juros de R$ 185 milhões e de R$ 5 milhões em prêmios de pagamento antecipado, o fluxo de caixa livre para o acionista ficou positivo em R$ 26 milhões.
No segundo trimestre de 2025, o indicador havia sido negativo em R$ 20 milhões.
Dívida diminui
A dívida líquida da Vitru, sem considerar os efeitos da norma contábil IFRS 16, terminou o trimestre em R$ 1,16 bilhão.
O valor representa redução de R$ 303 milhões em relação ao primeiro trimestre de 2026 e de R$ 630 milhões na comparação anual.
A alavancagem caiu para 1,36 vez. No primeiro trimestre de 2026, o indicador estava em 1,75 vez. Um ano antes, alcançava 2,34 vezes.
Esse foi o menor nível de alavancagem desde a combinação de negócios com a UniCesumar. A oferta subsequente de ações, concluída em abril e no valor de R$ 200 milhões, respondeu por parte relevante da redução da dívida no trimestre.
Visão do Safra
Para o Safra, a Vitru apresentou resultados operacionais sólidos no segundo trimestre de 2026.
O crescimento da receita, a maior taxa de engajamento dos alunos e a redução da evasão reforçam a importância dos cursos híbridos para a expansão da companhia.
A geração de caixa também melhorou, enquanto a dívida e a alavancagem recuaram de forma significativa. A redução dos impostos recorrentes contribuiu para o avanço do lucro ajustado.
O Safra mantém recomendação de compra para as ações da Vitru, considerando a evolução operacional e o processo de redução do endividamento da companhia.