A Vibra Energia (VBBR3) apresentou resultados sólidos no segundo trimestre de 2026, apoiada pela melhora das margens na distribuição de combustíveis e pela recuperação gradual da Comerc Energia, empresa não listada.
A companhia registrou geração operacional de caixa ajustada recorrente de R$ 4,35 bilhões no período, alta de 78% em relação ao primeiro trimestre. O resultado ficou 6% acima da estimativa do Safra.
O lucro líquido alcançou R$ 2,35 bilhões, avanço de 46% na comparação trimestral e em linha com a projeção do banco. O desempenho operacional mais forte, no entanto, foi parcialmente compensado pelo aumento do resultado financeiro negativo, das despesas tributárias e dos custos de depreciação e amortização.
Margens de combustíveis
O segmento de distribuição de combustíveis registrou geração operacional de caixa ajustada recorrente de R$ 4,12 bilhões, alta de 83% em relação ao primeiro trimestre e 7% acima da estimativa do Safra.
A margem média por metro cúbico subiu 76% no período, para R$ 456. O avanço foi sustentado principalmente pelas operações de varejo e pelo segmento empresarial.
O ambiente competitivo também se mostrou mais favorável. A melhora refletiu a continuidade da fiscalização contra práticas irregulares no mercado e um cenário de oferta mais restrita.
Varejo cresce
A operação de varejo apresentou geração operacional de caixa ajustada recorrente de R$ 2,53 bilhões, alta de 48% na comparação trimestral.
Os volumes vendidos cresceram 5%, enquanto a margem média atingiu R$ 436 por metro cúbico.
A Vibra encerrou o trimestre com 7.556 postos de serviço, o que representa 42 adições líquidas. Considerando as novas unidades antes dos fechamentos, foram 230 postos incorporados à rede.
Segmento empresarial avança
O segmento empresarial registrou geração operacional de caixa ajustada recorrente de R$ 1,70 bilhão, alta de 150% em relação ao primeiro trimestre.
Os volumes permaneceram estáveis, mas o resultado foi beneficiado por um mix de vendas mais rentável. A maior participação de produtos aditivados e a execução comercial contribuíram para a expansão das margens, que chegaram a R$ 523 por metro cúbico.
A Vibra Energia também assinou mais de 100 novos contratos de fornecimento durante o trimestre.
Comerc Energia se recupera
A Comerc Energia registrou geração operacional de caixa ajustada de R$ 228 milhões atribuível à participação da Vibra, em linha com a estimativa do Safra e 19% acima do resultado do primeiro trimestre.
O desempenho ocorreu apesar das restrições elevadas na geração de energia, conhecidas no setor como cortes de produção.
A área de geração foi beneficiada por compensações relacionadas a eventos anteriores de restrição. Já a distribuição continuou ampliando sua base de clientes.
A operação de negociação de energia permaneceu como o principal ponto de pressão. O resultado refletiu uma menor exposição a movimentos direcionais de preços e posições estruturais desfavoráveis.
Geração de caixa aumenta
A Vibra Energia registrou fluxo de caixa livre de R$ 3,65 bilhões no segundo trimestre, ante R$ 1,73 bilhão no trimestre anterior.
O avanço foi impulsionado pela maior geração operacional de caixa. Parte do efeito, contudo, foi limitada por uma dinâmica desfavorável do capital de giro.
Segundo a companhia, esse impacto foi temporário e deve ser revertido nos próximos períodos.
A forte geração de caixa também permitiu que o conselho de administração aprovasse o pagamento de R$ 499 milhões em juros sobre capital próprio.
Dívida líquida recua
A dívida líquida da Vibra Energia encerrou o segundo trimestre em R$ 16,1 bilhões, queda de 14% em relação ao trimestre anterior.
A relação entre dívida líquida e geração operacional de caixa dos últimos 12 meses caiu de 2 para 1,3 vez. A melhora refletiu tanto a redução do endividamento quanto o crescimento de 33% da geração operacional de caixa acumulada em 12 meses.
O prazo médio da dívida aumentou de 4,3 para 5,1 anos. Ao mesmo tempo, o custo médio caiu de 0,66 ponto percentual acima da taxa do mercado interbancário para 0,22 ponto percentual.
A redução do endividamento foi sustentada principalmente pela forte geração de caixa. As iniciativas de gestão de passivos também ajudaram a alongar os vencimentos e reduzir o custo de financiamento.
Pagamento aos acionistas
O conselho de administração aprovou a distribuição de R$ 499 milhões em juros sobre capital próprio.
O valor corresponde a aproximadamente R$ 0,42 por ação e a um retorno de 1,2% sobre a cotação de referência. Considerando a tributação, o retorno líquido estimado é de 1,1%.
O pagamento está previsto para 16 de novembro de 2027. As ações serão negociadas sem direito à distribuição a partir de 22 de setembro de 2026.
Perspectivas
A Vibra Energia encerra o segundo trimestre com melhora simultânea nas margens, na geração de caixa e no perfil de endividamento.
O desempenho da distribuição de combustíveis continua sendo o principal motor dos resultados. A recuperação da Comerc Energia também contribui para diversificar as fontes de geração operacional de caixa.
Para os próximos trimestres, os principais pontos de acompanhamento serão a manutenção das margens no varejo e no segmento empresarial, a reversão do impacto do capital de giro e a continuidade da redução da dívida líquida.