As vendas de veículos no Brasil mantiveram ritmo forte em julho, impulsionadas pelos programas de incentivo ao setor automotivo. Os dados divulgados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) mostram crescimento relevante dos emplacamentos, com destaque para automóveis, veículos comerciais leves, caminhões e reboques.
Na avaliação do Safra, o desempenho favorece principalmente empresas como Iochpe-Maxion e Randoncorp, enquanto os números reforçam um cenário mais desafiador para Marcopolo.
Emplacamentos crescem em julho
As vendas de veículos somaram 280 mil unidades em julho, alta de 15% em relação ao mesmo mês do ano anterior e crescimento de 3% frente a junho.
Considerando o número de dias úteis, os emplacamentos avançaram 15% na comparação anual.
Já o volume total de vendas, incluindo motocicletas e reboques, alcançou 505 mil unidades, também registrando crescimento de 10% em relação a julho de 2025.
No acumulado do ano, os emplacamentos chegaram a 3,22 milhões de unidades.
Veículos leves lideram expansão
O segmento de veículos leves apresentou o melhor desempenho entre as principais categorias.
As vendas cresceram 17% na comparação anual, sustentadas pela demanda aquecida no varejo e pelos incentivos do programa Carro Sustentável.
Segundo dados do setor, os modelos elegíveis ao programa registraram crescimento expressivo desde o lançamento da iniciativa, reforçando o impacto positivo sobre a demanda.
Automóveis e comerciais leves continuaram sendo os principais motores de expansão do mercado.
Caminhões mostram recuperação
O segmento de caminhões também apresentou evolução relevante.
As vendas avançaram 7% em relação a julho de 2025 e registraram crescimento de 19% frente ao mês anterior.
O movimento reflete o impacto positivo do programa Move Brasil, que estimula a renovação de frotas por meio de linhas de financiamento específicas.
Apesar da recuperação recente, o acumulado do ano ainda permanece abaixo dos níveis observados em 2025, refletindo o efeito dos juros elevados sobre as decisões de investimento das empresas.
Reboques registram forte crescimento
Entre os segmentos analisados, os reboques tiveram um dos desempenhos mais fortes.
As vendas cresceram 27% na comparação anual e 31% frente a junho.
A inclusão da categoria na segunda fase do programa Move Brasil contribuiu para acelerar a demanda e impulsionar os volumes comercializados.
Ônibus seguem como ponto de atenção
O segmento de ônibus continuou apresentando recuperação mais lenta.
As vendas recuaram 2% em relação ao mesmo período do ano anterior, mesmo com a disponibilidade de linhas de financiamento voltadas ao setor.
Segundo o Safra, a ausência de programas específicos de incentivo limita uma retomada mais consistente da demanda, especialmente nos segmentos de ônibus urbanos e rodoviários.
Iochpe-Maxion pode se beneficiar da demanda doméstica
Na avaliação do Safra, os números de julho são positivos para a Iochpe-Maxion (MYPK3).
A companhia possui exposição relevante aos segmentos de automóveis, veículos comerciais leves e caminhões, justamente as categorias que apresentaram os melhores desempenhos no período.
O banco avalia que a continuidade da demanda doméstica pode contribuir para uma melhora dos volumes da empresa nos próximos trimestres.
Randoncorp ganha impulso com caminhões e reboques
Os dados também reforçam uma perspectiva favorável para a Randoncorp (RAPT4).
A companhia atua diretamente nos mercados de implementos rodoviários e componentes para caminhões, segmentos que registraram forte recuperação em julho.
O Safra destaca que o programa Move Brasil tem sido um importante fator de suporte para a renovação de frotas e para a recuperação das vendas da companhia.
Ainda assim, o banco alerta que parte dessa demanda pode ter sido antecipada pelos incentivos governamentais, o que pode resultar em uma desaceleração dos volumes no fim do ano.
Marcopolo enfrenta cenário mais desafiador
Por outro lado, os dados foram negativos para a Marcopolo (POMO4).
A retração das vendas de ônibus reforça as preocupações sobre a velocidade de recuperação da companhia após os resultados mais fracos apresentados recentemente.
Segundo o Safra, o desempenho do segmento sugere que os desafios permanecem relevantes, especialmente nos mercados de ônibus urbanos e rodoviários.
O que esperar para os próximos meses
Embora os números de julho indiquem um ambiente favorável para parte da cadeia automotiva, o Safra acredita que os efeitos dos programas de incentivo devem ser acompanhados com cautela.
A avaliação é que iniciativas como Carro Sustentável e Move Brasil podem antecipar compras que ocorreriam nos próximos trimestres, reduzindo parte da demanda futura.
Mesmo assim, o desempenho recente reforça uma visão mais positiva para empresas expostas aos segmentos de veículos leves, caminhões e implementos rodoviários, enquanto o mercado de ônibus continua apresentando sinais de recuperação mais lenta.