Os volumes combinados combustíveis como de diesel, gasolina e etanol vendidos no Brasil cresceram 7% em julho, na comparação com junho, para 12,3 milhões de metros cúbicos.
Em relação a julho de 2025, o avanço foi de 2%, segundo dados preliminares da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.
O resultado indica uma recuperação mensal relevante, embora o crescimento anual permaneça moderado.
Petrobras mantém preços
Desde o último relatório, a Petrobras (PETR4) manteve os preços do diesel e da gasolina nas refinarias.
Mesmo sem alterações, os valores domésticos continuam abaixo das referências internacionais. O desconto em relação à paridade de importação está em aproximadamente 85% para o diesel e 50% para a gasolina.
O Banco Safra mantém recomendação de compra para a Petrobras, com preço-alvo de R$ 57.
Margens diminuem
As margens de comercialização recuaram desde o último relatório do Safra.
A margem do diesel caiu R$ 0,03 por litro. No caso da gasolina, a redução foi de R$ 0,05 por litro.
A queda ocorre em um cenário de estabilidade nos preços praticados pela Petrobras e de mudanças nos custos de aquisição e distribuição dos combustíveis.
Importações de diesel disparam
As importações consolidadas de diesel aumentaram 156% em julho, na comparação com junho. O avanço reflete, em parte, fatores sazonais.
O crescimento foi puxado principalmente pelo aumento dos volumes provenientes dos Estados Unidos. As importações originadas da Rússia também avançaram, mas em ritmo mais moderado, de 6% no mês.
A evolução das importações pode influenciar a competição no mercado interno e pressionar as margens das distribuidoras.
Disputa por mercado muda
As principais distribuidoras apresentaram desempenhos diferentes em participação de mercado.
A Vibra Energia (VBBR3) perdeu 20 pontos-base e encerrou julho com 22,0% do mercado. A Raízen (RAIZ4) recuou 10 pontos-base, para 18,7%.
Na direção oposta, a Ipiranga ganhou 30 pontos-base e alcançou 18,0% de participação. As demais distribuidoras mantiveram, em conjunto, 41,3% do mercado.
Os dados mostram uma disputa mais equilibrada entre as principais empresas do setor, com ganhos pontuais de participação mesmo em um ambiente de volumes crescentes.
Biodiesel fica mais caro
O preço médio do biodiesel em agosto, considerando os dados disponíveis até o momento, está 3% acima da média registrada em julho.
A alta pode elevar os custos das distribuidoras e influenciar as margens do diesel, dependendo da evolução dos preços e da capacidade de repasse ao consumidor.
Safra mantém atenção ao setor
O crescimento das vendas de combustíveis em julho foi positivo, mas a queda das margens exige atenção.
Além disso, o forte aumento das importações de diesel pode intensificar a concorrência no mercado brasileiro. A evolução dos preços da Petrobras, das importações e do biodiesel deve continuar entre os principais fatores para os resultados das distribuidoras nos próximos meses.