A indústria farmacêutica e o varejo farmacêutico mantiveram um ritmo robusto de crescimento em fevereiro de 2026, embora em velocidade menor do que a observada em janeiro. Os dados divulgados pela Associação da Indústria Farmacêutica, a Sindusfarma, mostram que as vendas no varejo, indicador conhecido como sell-out, avançaram 11% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Já as vendas da indústria para os canais de distribuição, o sell-in, cresceram 9% no mesmo intervalo.
O resultado representa uma desaceleração em relação a janeiro, quando o varejo havia crescido 12% e a indústria, 11%. Ainda assim, o desempenho segue saudável e em linha com uma demanda resiliente por medicamentos no país.
Desaceleração do setor farmacêutico
A leitura para os números de fevereiro é construtiva. A perda de ritmo na comparação com janeiro parece mais associada a um efeito de calendário do que a uma mudança de tendência. Fevereiro tem menos dias úteis e, por isso, costuma concentrar um volume menor de vendas em relação ao primeiro mês do ano.
Além disso, o Safra avalia que os medicamentos da classe GLP-1 continuam entre os principais motores de crescimento do setor. O aumento da oferta e da demanda desses produtos deve sustentar a expansão das vendas nos próximos meses.
Medicamentos para obesidade e diabetes sustentam a demanda
A expectativa do Safra segue positiva para o setor farmacêutico. A combinação entre maior disponibilidade de medicamentos de GLP-1 e demanda aquecida tende a manter o mercado em trajetória favorável em 2026.
Esse movimento deve beneficiar especialmente as empresas listadas acompanhadas pelo banco, com potencial de ganho de participação de mercado entre as redes de farmácias sob cobertura.
Raia Drogasil deve acelerar crescimento em 2026
Entre os destaques do setor, a expectativa é de crescimento mais forte para Raia Drogasil (RADL3) ao longo de 2026. O Safra projeta uma aceleração das vendas da companhia, com possível avanço de margem operacional no primeiro semestre, favorecida também por uma base de comparação mais fraca.
A leitura é que o ambiente segue propício para a empresa ampliar participação de mercado e capturar ganhos de eficiência em um cenário de demanda ainda aquecida.
Panvel e Pague Menos seguem no radar positivo
O Safra também mantém visão favorável para Panvel (PNVL3) e Pague Menos (PGMN3). No caso da Panvel, a avaliação é que a companhia continua fortalecendo sua presença na Região Sul, ao mesmo tempo em que avança na melhora de rentabilidade.
Para a Pague Menos, o banco segue confiante na recuperação da Extrafarma, movimento que deve contribuir para a melhora do desempenho consolidado. Os resultados mais recentes já indicam uma evolução gradual dessa estratégia.
Hypera ainda deve crescer abaixo do mercado
No segmento industrial, Hypera (HYPE3) deve continuar reportando um desempenho de vendas ao consumidor abaixo da média do mercado. A expectativa é de crescimento em ritmo moderado, abaixo da expansão observada no mercado de medicamentos isentos de patente, que avançou 8,7% em fevereiro na comparação anual.
Ainda assim, o quadro geral para o setor permanece positivo. Os dados de fevereiro reforçam a percepção de que o mercado farmacêutico segue em expansão e deve continuar entre os segmentos mais resilientes da bolsa brasileira em 2026.