O posicionamento dos investidores institucionais nos setores de varejo e farmacêutico segue cauteloso no Brasil. A avaliação surgiu durante reuniões realizadas pelo Safra em São Paulo e no Rio de Janeiro ao longo da última semana.
Apesar de parte das empresas negociar em níveis considerados atrativos, o mercado ainda demonstra pouca convicção para aumentar exposição ao setor. O principal motivo continua sendo o cenário macroeconômico desafiador, marcado por juros elevados, consumo pressionado e baixa visibilidade para revisões positivas de lucro no curto prazo.
Entre os nomes mais discutidos pelos investidores estiveram C&A, RD Saúde, Smart Fit, Assaí e Vivara.
RD Saúde desperta interesse no setor farmacêutico
O sentimento em relação ao segmento farmacêutico mostrou tom mais construtivo.
A RD Saúde (RADL3) voltou ao radar de parte dos investidores devido ao valuation considerado mais atrativo e à percepção de que a companhia ainda possui espaço para ganhos operacionais.
As discussões se concentraram principalmente na capacidade da empresa de compensar pressões de custos, incluindo potenciais mudanças na escala de trabalho dos funcionários.
Também entraram no debate a margem EBITDA sustentável no longo prazo, o múltiplo considerado justo para as ações e os impactos do avanço de medicamentos genéricos de GLP-1 sobre preços e volumes de vendas.
No caso da Pague Menos (PGMN3) e da Panvel (PNVL3), os investidores demonstraram maior preocupação com geração de caixa, rentabilidade regional e retorno da expansão de lojas.
C&A lidera preferência entre empresas de vestuário
No segmento de vestuário, os investidores mostraram preferência por empresas consideradas descontadas, com destaque para a C&A (CEAB3).
A varejista foi frequentemente mencionada como potencial posição comprada. Ainda assim, o excesso de ações disponíveis no mercado continua sendo visto como um obstáculo para uma valorização mais consistente.
A Renner (LREN3) mantém atratividade ligada ao pagamento de dividendos e às expectativas positivas para o segundo trimestre de 2026. Mesmo assim, o mercado demonstra cautela em relação à exposição ao crédito e à sustentabilidade da recuperação operacional.
Já a Guararapes (GUAR3) apareceu como possível candidata a revisões positivas de resultados, embora preocupações com crédito e menor liquidez ainda limitem o interesse de alguns investidores.
Smart Fit segue entre as ações mais debatidas
A Smart Fit (SMFT3) continua entre os papéis mais discutidos no setor de consumo.
Os investidores reconhecem a forte execução operacional da companhia e enxergam o valuation atual como um ponto de entrada atrativo para exposição ao crescimento de longo prazo.
Por outro lado, permanecem dúvidas sobre o espaço remanescente para expansão da rede, o ritmo de abertura de academias frente aos concorrentes e o potencial de novas avenidas de crescimento, como TotalPass e operações internacionais.
Assaí enfrenta dúvidas sobre concorrência
No varejo alimentar, o tom das discussões foi mais cauteloso.
Em relação ao Assaí (ASAI3), os investidores debateram a estrutura acionária da companhia e a participação do Grupo Muffato no negócio.
Também surgiram questionamentos sobre o aumento da concorrência no setor e sobre estratégias integradas entre diferentes formatos de varejo, incluindo farmácias dentro de lojas de atacarejo e programas de cashback conectando supermercados, postos de combustíveis e drogarias.
O Grupo Mateus (GMAT3) enfrenta preocupações semelhantes. Além da concorrência, os investidores monitoram desafios ligados a controles internos, dinâmica regional e sensibilidade ao cenário macroeconômico.
Vivara divide opiniões entre investidores
A Vivara (VIVA3) gerou avaliações mais divididas.
Parte do mercado vê o valuation atual como atrativo, enquanto outros investidores seguem preocupados com a sustentabilidade operacional da companhia.
As principais dúvidas envolvem a recorrência das margens recentes, a desaceleração observada na marca Life e o aumento da concorrência, especialmente da Pandora.
Apesar do interesse gerado pelos preços das ações, o mercado ainda busca sinais mais claros de consistência operacional antes de uma possível reprecificação do papel.
Alpargatas e Grupo SBF atraem atenção pelo valuation
A Alpargatas (ALPA4) apareceu nas discussões como uma oportunidade assimétrica.
Os investidores citam fatores como cobertura limitada pelo mercado, avanço do processo de turnaround, potencial melhora de resultados e possível pagamento de dividendos.
Mesmo assim, dúvidas sobre valuation ainda permanecem.
No Grupo SBF (SBFG3), o debate também gira em torno do desconto das ações. O mercado questiona quais fatores poderiam destravar valor para a companhia após eventos positivos de curto prazo já precificados, como o aumento de vendas ligadas à Copa do Mundo.
Natura e AZZAS enfrentam percepção mais negativa
Entre os nomes mais pressionados nas discussões estiveram Natura (NTCO3) e AZZAS (AZZA3).
No caso da Natura, os investidores demonstraram preocupação com a profundidade do processo de turnaround operacional e com os impactos da entrada da Advent na estrutura acionária e na gestão da companhia.
Já a AZZAS segue cercada por dúvidas relacionadas à governança, controles internos e potencial venda de marcas dentro de uma avaliação por soma das partes.
Mesmo com alguns valuations considerados atrativos no setor, os investidores seguem seletivos e aguardam sinais mais claros de melhora macroeconômica e recuperação consistente de resultados antes de ampliar exposição ao varejo brasileiro.