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Varejo discricionário enfrenta macro desafiador, mas oferece oportunidades

Safra atualiza preços-alvo para o setor e vê oportunidades após desempenho fraco recente, apesar dos riscos ligados a juros elevados e menor poder de compra


O Safra atualizou seus preços-alvo de 12 meses e estimativas para o segmento de consumo discricionário e vestuário, incorporando resultados recentes, novas premissas macroeconômicas e um custo de capital mais elevado. O cenário reflete maior incerteza para o segundo semestre de 2026, com atenção especial ao impacto do aperto monetário sobre o poder de compra e o ritmo da atividade.

Apesar do ambiente mais desafiador, o banco avalia que o desempenho inferior recente do setor discricionário abriu espaço para oportunidades em companhias com execução consistente e balanços robustos, que hoje negociam a múltiplos considerados atrativos.

Fitness se destaca com crescimento estrutural

O Safra manteve recomendação de compra para a Smart Fit (SMFT3) e para a Track&Field (TFCO4), empresas bem posicionadas para capturar tendências estruturais ligadas ao fitness e ao bem-estar.

A Smart Fit combina forte expansão com uma proposta de valor resiliente. A expectativa é de crescimento médio anual de 18% na receita e de 17% no lucro entre 2025 e 2028, com a ação negociando a múltiplo de 12,3 vezes o lucro estimado para 2026. Já a Track&Field se beneficia de alto engajamento de marca e de um modelo asset-light, com projeção de crescimento anual de 21% no lucro no mesmo período, o que sustenta um valuation mais elevado, em torno de 12,2 vezes o lucro de 2026.

Recuperação operacional favorece nomes específicos

Entre os destaques positivos, o Safra reforça a visão construtiva para a Centauro, controlada pela SBF (SBFG3). A empresa mostra recuperação operacional consistente, com melhora de margens e retomada do canal de atacado da Fisia. Ventos favoráveis de eventos esportivos e do câmbio reforçam o cenário, com projeção de crescimento de 16% da receita e expansão de 60 pontos-base da margem bruta até 2026. A ação negocia a cerca de 5,1 vezes o lucro estimado para o período.

Vestuário ganha impulso com clima e expansão

No segmento de vestuário, o Safra adota postura mais construtiva. O clima mais frio favorece as coleções de inverno e ajuda a sustentar as vendas. A C&A (CEAB3) aparece como uma das principais oportunidades, negociando a 6,3 vezes o lucro estimado para 2026, apoiada por iniciativas de produtividade e pela abertura de 10 a 15 lojas no próximo ano.

A Lojas Renner (LREN3) e a Riachuelo (RIAA3) negociam próximas à média do setor, em torno de 9 vezes o lucro projetado. Ainda assim, o Safra vê bons pontos de entrada, sustentados por planos robustos de expansão. A Renner projeta a abertura de 110 a 140 lojas até 2030, enquanto a Riachuelo estima entre 150 e 200 novas unidades ao longo da próxima década.

Recomendações neutras refletem desafios específicos

O banco manteve recomendação neutra para a Alpargatas (ALPA4), a Vivara (VIVA3) e a Azzas (AZZA3). No caso da Alpargatas, a melhora operacional e a recuperação internacional já parecem refletidas no preço da ação, que negocia a 13,9 vezes o lucro estimado para 2026.

Para Vivara e Azzas, apesar dos múltiplos descontados, em torno de 8,0 e 6,6 vezes o lucro de 2026, respectivamente, o Safra enxerga obstáculos relevantes. A Vivara enfrenta pressão de demanda e níveis elevados de estoques, enquanto a Azzas ainda mostra momentum fraco e menor alavancagem operacional, o que tende a retardar a recuperação das margens.

Principais riscos no radar

O Safra destaca três riscos centrais para o setor nos próximos trimestres. O primeiro é a manutenção de juros elevados, que pode afetar o consumo discricionário. O segundo envolve mudanças na jornada de trabalho, com impactos potenciais sobre hábitos de consumo. O terceiro está relacionado à política de crédito e à qualidade das carteiras, fatores que podem influenciar o ritmo de vendas e a rentabilidade das empresas.


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