O Banco Safra mantém a Smart Fit (SMFT3) como sua principal preferência no setor de consumo discricionário e vestuário de varejos. A recomendação de compra também foi mantida, com preço-alvo de R$ 25,50 para os próximos 12 meses.
A tese de investimento continua apoiada no crescimento acelerado da companhia. O Safra projeta expansão média anual de 20% para a receita entre 2025 e 2028.
O avanço deve ocorrer principalmente por meio da abertura de novas unidades, da proposta de valor da rede e de um modelo de negócios que estimula a permanência dos clientes. Esse efeito ajuda a manter baixos níveis de cancelamento de planos.
A expansão internacional também segue como um dos principais vetores de crescimento. A divisão Outros Países, responsável por aproximadamente 35% da receita, avançou 23% no primeiro semestre de 2026, na comparação anual, e apresentou rentabilidade acima da média do grupo.
Modelo integrado protege margens
Os agregadores de academias pressionam temporariamente a rentabilidade da Smart Fit. Essas plataformas reúnem diferentes redes em uma única assinatura e podem reduzir o valor capturado diretamente pelas academias.
Ainda assim, a integração entre as operações da Smart Fit ajuda a manter parte maior do valor dentro do próprio grupo. A estrutura também reforça a vantagem competitiva da companhia em relação aos concorrentes.
Na avaliação do banco Safra, a escala, a expansão internacional e o modelo integrado devem sustentar o crescimento rentável ao longo dos próximos anos.
A ação é negociada a 9,8 vezes o lucro estimado para 2027, abaixo da média histórica próxima de 15 vezes. O valuation, portanto, continua considerado atrativo.
Lojas Renner perde ritmo
O Safra mantém recomendação de compra para a Lojas Renner (LREN3), mas reduziu o preço-alvo de R$ 20,50 para R$ 15,00.
A companhia continua avançando em melhorias no sortimento de produtos e na gestão de estoques. No entanto, a execução das vendas ficou abaixo da observada entre outras empresas do setor no segundo trimestre de 2026.
Além disso, a Renner reduziu a projeção de crescimento da receita do varejo para uma faixa entre 4% e 8%, ante a estimativa anterior de 9% a 13%.
A revisão indica um ritmo comercial mais fraco do que o esperado. O cenário exige acompanhamento, principalmente diante da perspectiva mais conservadora para o consumo no segundo semestre.
Realize pressiona resultado
A operação de serviços financeiros Realize apresentou deterioração relevante no segundo trimestre de 2026.
As despesas operacionais aumentaram mesmo com a redução da carteira de crédito. Como resultado, o lucro da divisão caiu 22% na comparação anual.
O desempenho reforça a necessidade de monitorar a qualidade da carteira e a eficiência da operação. Uma eventual recuperação dependerá da capacidade de controlar custos sem comprometer a oferta de crédito aos clientes.
Apesar dos desafios, o banco Safra avalia que o valuation descontado e o balanço sólido da Renner continuam sustentando a tese de investimento.
As ações são negociadas a 7,6 vezes o lucro estimado para 2027, abaixo da média histórica de 9,4 vezes.
Vivara enfrenta estoques elevados
A recomendação para a Vivara (VIVA3) permanece neutra. O Safra reduziu o preço-alvo de R$ 24,00 para R$ 23,00.
A empresa continua exposta ao ambiente macroeconômico desafiador, que pode reduzir a demanda por produtos de maior valor. A divisão Life, principal vetor de crescimento da companhia, tende a sentir esse efeito de forma mais direta.
Os estoques também continuam como um ponto de atenção. A Vivara registra aproximadamente 580 dias de estoque, nível que pressiona a rentabilidade e pode aumentar a necessidade de descontos para acelerar as vendas.
A menor produção reduz ainda a captura de incentivos fiscais sobre as vendas. Ao mesmo tempo, uma demanda mais fraca pode prolongar o processo de normalização dos estoques.
O banco Safra avalia que a visibilidade para uma recuperação dos resultados permanece limitada. A ação é negociada a 7,8 vezes o lucro estimado para 2027, apenas ligeiramente acima da média do setor, mas existem oportunidades mais atrativas entre as empresas analisadas.
Natura ainda depende da recuperação
A recomendação para a Natura (NTCO3) também é neutra. O preço-alvo foi reduzido de R$ 9,00 para R$ 8,50.
A companhia ainda enfrenta incertezas relacionadas à reestruturação da Avon na América Latina e à forte deterioração da operação brasileira.
As vendas da Natura recuaram 9% no primeiro semestre de 2026, na comparação anual. No mesmo período, a margem operacional ajustada caiu 2,5 pontos percentuais.
A desaceleração da Natura Brasil se intensificou no segundo trimestre, enquanto a Avon Brasil continuou apresentando desempenho abaixo do esperado.
A falta de visibilidade sobre o momento da recuperação limita a confiança na tese de investimento. Além disso, a ação é negociada a 9,5 vezes o lucro estimado para 2027, um nível considerado elevado diante dos desafios operacionais.
Juros seguem como principal risco
O cenário de juros elevados por mais tempo pode pressionar ainda mais o consumo discricionário. Com menor renda disponível, os consumidores tendem a adiar compras de roupas, joias, cosméticos e serviços não essenciais.
Mudanças na legislação trabalhista e na jornada de trabalho também podem elevar os custos com pessoal. O impacto seria mais relevante para empresas com operações intensivas em mão de obra, pressionando as margens.
A política de crédito representa outro ponto de atenção. Uma retomada das concessões para estimular a demanda pode ajudar as vendas, mas também elevar o risco de inadimplência e comprometer os resultados financeiros.
Smart Fit mantém melhor relação entre risco e retorno
A atualização das estimativas reforça uma visão mais seletiva para o setor de varejo. A Smart Fit combina crescimento acelerado, expansão internacional, baixa sensibilidade à inadimplência e valuation abaixo da média histórica.
A Lojas Renner mantém pontos positivos, como o balanço sólido e a avaliação descontada, mas precisa recuperar o ritmo das vendas e melhorar o desempenho da Realize.
A Vivara enfrenta estoques elevados e menor visibilidade para a retomada dos resultados. Já a Natura ainda depende de uma recuperação mais consistente das operações no Brasil e da reestruturação da Avon na América Latina.
Diante desse cenário, o banco Safra mantém a Smart Fit como principal escolha no setor e adota uma postura mais cautelosa para Lojas Renner, Vivara e Natura.