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Varejo alimentar em nova fase e revela oportunidades seletivas de expansão

Após um ciclo acelerado de crescimento, o atacarejo brasileiro enfrenta maior pressão competitiva, enquanto Assaí e Grupo Mateus avaliam espaços ainda pouco explorados


O varejo alimentar brasileiro, em especial o segmento de atacarejo, passou por um dos ciclos de expansão mais intensos dos últimos anos. Segundo análise do Safra, os principais operadores do setor abriram cerca de 700 lojas nos últimos seis anos, movimento que ampliou a capilaridade do formato e reforçou sua relevância no consumo das famílias.

Hoje, o atacarejo já responde por aproximadamente 60% das lojas de varejo alimentar no país, enquanto os supermercados tradicionais concentram os 40% restantes dentro da amostra analisada. Esse avanço, no entanto, trouxe efeitos colaterais. A maior competição pressiona vendas mesmas lojas e margens, sobretudo em um ambiente macroeconômico mais desafiador.

Ambiente global impõe desafios adicionais ao consumo

O cenário internacional adiciona camadas de complexidade ao setor. A economia global desacelera de forma gradual, com crescimento mais contido nas economias avançadas, inflação ainda resistente em alguns mercados e política monetária apenas começando um processo cauteloso de flexibilização.

Conflitos geopolíticos persistentes, tensões comerciais e ajustes nas cadeias globais de suprimento mantêm a volatilidade dos preços de alimentos e energia. Para o consumidor, isso significa menor previsibilidade de renda real, fator que reforça a busca por formatos mais baratos, como o atacarejo, mas também limita o ritmo de crescimento do consumo.

Operadores regionais ganham espaço no mapa do atacarejo

A expansão recente do setor de varejo alimentar não se concentrou apenas nas companhias listadas. Aproximadamente metade das novas lojas abertas no período analisado veio de operadores regionais, que fortaleceram posições em seus mercados de origem.

Redes como Fort Atacadista, do Grupo Pereira, Stok Center, do Zaffari, Komprão, do Grupo Koch, e Max Atacadista, do Grupo Muffato, avançaram principalmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Esse movimento elevou a concorrência local e reduziu espaços óbvios para crescimento rápido.

Ainda assim, o Safra avalia que o setor segue fragmentado e oferece potencial relevante de consolidação no longo prazo, sobretudo liderada por grandes companhias nacionais.

Onde ainda existe espaço para crescer

A análise detalhada de presença regional, renda média e tamanho das cidades revela que ainda existem oportunidades seletivas de expansão para os principais players listados.

O estudo do Safra estima potencial para abertura de cerca de 118 lojas adicionais pelo Assaí (ASAI3) e 109 unidades pelo Grupo Mateus (GMAT3), considerando regiões e perfis demográficos onde a penetração do atacarejo permanece abaixo do potencial.

Essas oportunidades de mercado inexploradas (white spaces) se concentram, em geral, em cidades médias e regiões com crescimento populacional, além de áreas onde o consumo é mais sensível a preço e sortimento.

Consolidação segue no radar, mas com limitações no curto prazo

Apesar do espaço estrutural para consolidação, o Safra vê uma janela mais restrita para movimentos de fusões e aquisições no curto prazo. O nível atual de alavancagem do Assaí e a recente aquisição do Grupo Novo Atacarejo pelo Grupo Mateus reduzem a flexibilidade financeira para novas transações relevantes.

No horizonte mais longo, contudo, o banco mantém a visão de que a consolidação tende a ganhar força, apoiada pelo amadurecimento do setor e pela necessidade de ganhos de escala e eficiência operacional.

Avaliação e recomendação refletem cenário mais competitivo

Diante desse contexto, o Safra mantém recomendação Neutra para ASAI3, com preço-alvo de R$ 9,40 por ação, e para GMAT3, com preço-alvo de R$ 6,00 por ação.

A avaliação considera a intensidade competitiva do setor, o ambiente macroeconômico ainda desafiador e o fato de que ambas as companhias negociam a múltiplos considerados justos, de cerca de 13 vezes e 7 vezes o lucro estimado para 2026, respectivamente.

Em um setor que cresceu rápido e agora entra em fase de maior disciplina, a expansão segue possível, mas exige seletividade, eficiência e leitura cuidadosa do cenário econômico.


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