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Ajuste nas projeções para C&A, Renner e Riachuelo após resultados

Banco Safra revisa preços-alvo e estimativas do varejo de vestuário, com destaque para C&A Brasil, Lojas Renner e Riachuelo, e mantém recomendações de compra


O Banco Safra atualizou suas estimativas e preços-alvo para o fim de 2026 de três das principais companhias do varejo de vestuário no Brasil: C&A Brasil (CEAB3), Lojas Renner (LREN3) e Riachuelo (RIAA3). A revisão incorpora os resultados mais recentes das empresas e novas premissas macroeconômicas.

Apesar de ajustes pontuais, o Safra mantém recomendação de compra para os três papéis. O banco avalia que os atuais níveis de valuation seguem atrativos, sobretudo em um ambiente de melhora gradual das condições operacionais.

C&A mantém tese atrativa, apesar de revisões

A C&A segue como uma das principais oportunidades do setor varejo de vestuário aos preços atuais, segundo o Safra. O banco reduziu o preço-alvo para R$ 17,50, ante R$ 22,50, após um quarto trimestre de 2025 abaixo do esperado.

As novas projeções indicam vendas líquidas 3,9% menores em 2026 e margem EBITDA 110 pontos-base inferior às estimativas anteriores, refletindo perda de alavancagem operacional. Ainda assim, a ação negocia a 7,1 vezes o lucro estimado para 2026, abaixo da média de 10 vezes do consumo discricionário.

O Safra destaca iniciativas de produtividade nas lojas, como os projetos de Energia e Dispersão, além do plano de abertura de 10 a 15 novas unidades em 2026. A reestruturação da Fashiontronics, concluída no terceiro trimestre de 2025, deve permitir que a operação de Beleza rode integralmente no novo modelo em 2026, com recuperação relevante de margens.

Renner confirma recuperação operacional

A Renner apresentou um quarto trimestre de 2025 sólido, confirmando a avaliação de que a fraqueza observada no terceiro trimestre foi transitória. O Safra elevou a estimativa de receita para 2026 em 2,8% e aumentou a margem EBITDA em cerca de 50 pontos-base, com ganhos de eficiência.

O lucro líquido projetado recuou 2%, em função de maiores despesas financeiras. Mesmo assim, o banco manteve recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 22,00, ante R$ 21,00 anteriormente.

As ações negociam a 9,9 vezes o lucro estimado para 2026. Historicamente, a companhia opera com prêmio em relação ao setor, sustentado por melhor execução comercial, gestão de estoques mais eficiente e evolução da Realize, que segue aprimorando a qualidade de crédito com uma política mais conservadora.

Riachuelo sustenta crescimento consistente

A Riachuelo deve manter desempenho consistente nos próximos anos, apoiada por um plano acelerado de expansão de lojas e ganhos contínuos de eficiência de custos na planta industrial. O Safra elevou as estimativas de 2026, excluindo o Midway Mall.

As novas projeções indicam vendas 1,7% maiores e expansão de 120 pontos-base na margem bruta. A margem EBITDA subiu 80 pontos-base. O preço-alvo passou para R$ 13,00, ante R$ 11,00, com upside estimado de 40%.

O valuation segue atrativo, com múltiplo de 9,2 vezes o lucro estimado para 2026, abaixo da média de 10 vezes do setor discricionário.

Metodologias e premissas de valuation

As avaliações das ações CEAB3, LREN3 e Riachuelo derivam de modelos de fluxo de caixa livre para a firma descontado. No caso da C&A, o Safra considera custo de capital próprio de 17,2%, WACC de 13,8% e crescimento na perpetuidade de 5,0%.

Para a Renner, o banco utiliza custo de capital próprio de 16,6% e WACC de 13,4%, mantendo o crescimento de longo prazo em 5,0%. Já para a Riachuelo, as premissas incorporam redução marginal do custo de capital, com WACC de 13,6%.

Principais riscos no radar

O Safra destaca três riscos principais para o setor de varejo. O primeiro envolve a manutenção de juros elevados por um período prolongado, com impacto direto sobre o consumo discricionário. O segundo diz respeito à política de crédito e à qualidade das carteiras financeiras das companhias.

Por fim, o banco alerta para uma eventual reversão da isenção de imposto para remessas internacionais de até US$ 50, conhecida como taxa das blusinhas. A medida pode elevar a intensidade promocional, aumentar a competição por preços e pressionar as margens do varejo local.


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