A Vale (VALE3) apresentou resultados acima das estimativas no segundo trimestre de 2026. O EBITDA ajustado alcançou US$ 4,1 bilhões, valor 5% superior à projeção do Banco Safra e 4% acima do consenso de mercado.
O principal destaque positivo veio da divisão de Soluções de Minério de Ferro, que registrou desempenho superior ao esperado. Em contrapartida, a área de Metais para Transição Energética ficou abaixo das projeções, pressionada principalmente pelo resultado mais fraco do negócio de níquel.
Apesar da surpresa positiva nos números, o Safra avalia a divulgação como levemente negativa devido à revisão das projeções de custos e à visibilidade limitada sobre a manutenção dos níveis de geração de caixa observados neste trimestre.
Vale eleva projeções de custos para 2026
Um dos principais pontos de atenção do balanço foi a atualização das estimativas de custos para este ano.
A Vale elevou sua projeção de custo caixa de produção de minério de ferro para uma faixa entre US$ 22,5 e US$ 23,5 por tonelada. Anteriormente, a expectativa variava entre US$ 20 e US$ 21,5 por tonelada.
A companhia também revisou para cima sua estimativa de custo total da operação de minério de ferro, que passou para uma faixa entre US$ 58 e US$ 62 por tonelada.
Segundo a mineradora, a revisão reflete principalmente a valorização do real frente ao dólar e os preços mais elevados do petróleo, fatores que pressionam a estrutura de custos da operação.
Projetos avançam na área de minério de ferro
No segmento de minério de ferro, a Vale informou que o projeto Serra Sul +20 iniciou operações em julho.
Já a entrada em funcionamento do britador compacto do complexo S11D segue prevista para o quarto trimestre de 2026.
Na divisão de Metais para Transição Energética, a companhia ajustou suas projeções de produção para cobre e níquel. Ao mesmo tempo, reduziu as estimativas de custos para ambos os metais, o que contribui para melhorar a competitividade dessas operações.
Geração de caixa surpreende positivamente
A geração de caixa foi um dos principais destaques do trimestre.
O fluxo de caixa livre recorrente atingiu US$ 1,5 bilhão, praticamente o dobro da estimativa do Safra. O resultado foi beneficiado por menores necessidades de capital de giro, redução das despesas financeiras líquidas, menor desembolso com tributos e investimentos ligeiramente abaixo do esperado.
A alavancagem financeira permaneceu controlada, com relação entre dívida líquida e EBITDA de 0,8 vez.
Além disso, a dívida líquida expandida recuou 6% em relação ao trimestre anterior, encerrando o período em US$ 16,7 bilhões.
Dividendos e recompra de ações reforçam retorno ao acionista
A Vale também anunciou a distribuição de US$ 1,7 bilhão em dividendos e juros sobre capital próprio, com pagamento previsto para setembro.
Além disso, o conselho aprovou um novo programa de recompra de até 100 milhões de ações, equivalente a aproximadamente 2% das ações em circulação no mercado.
As iniciativas reforçam o compromisso da companhia com a remuneração dos acionistas, mesmo em um cenário de preços mais desafiador para algumas commodities.
Minério de ferro impulsiona resultado operacional
A divisão de Soluções de Minério de Ferro registrou EBITDA de US$ 3,1 bilhões, superando as expectativas do mercado.
O custo caixa da produção de minério fino atingiu US$ 24,1 por tonelada, influenciado pela valorização do real, pelo giro de estoques, pela desconsolidação da Aliança Energia e pelos maiores preços do diesel no mercado brasileiro.
Mesmo assim, o nível de rentabilidade da operação permaneceu melhor do que o projetado pelo Safra.
Perspectiva para o próximo trimestre é mista
Para o terceiro trimestre de 2026, o Safra vê um cenário equilibrado entre fatores positivos e negativos.
No minério de ferro, os preços seguem abaixo da média observada entre abril e junho, o que pode pressionar os resultados da companhia. Por outro lado, a expectativa é de aumento dos embarques da commodity, o que tende a compensar parcialmente esse efeito.
No cobre, o cenário é mais favorável, com preços ligeiramente superiores aos registrados no trimestre anterior. Já o níquel continua enfrentando um ambiente mais desafiador.
Do lado operacional, o banco espera crescimento dos volumes embarcados de minério de ferro e níquel, enquanto a produção de cobre deve apresentar desempenho mais moderado.
Na avaliação do Safra, os resultados confirmam a capacidade operacional da Vale, mas o aumento das projeções de custos e as dúvidas sobre a sustentabilidade da geração de caixa impedem uma leitura mais positiva do trimestre.