A Vale (VALE3) informou uma nova sensibilidade para a divisão de Soluções de Minério de Ferro, comparando o cenário projetado para 2026 antes e depois do conflito no Oriente Médio.
Segundo a companhia, a operação pode gerar aumento líquido de cerca de US$ 1,5 bilhão no fluxo de caixa livre estimado para 2026 em relação ao cenário anterior. Esse avanço seria impulsionado por aproximadamente US$ 1,2 bilhão adicionais em EBITDA.
A revisão considera preço do minério de ferro de US$ 112 por tonelada, acima dos US$ 102 por tonelada do cenário anterior. Além disso, leva em conta taxa de câmbio de R$ 4,90 por dólar, ante R$ 5,27 antes.
Hedge e câmbio reforçam efeito positivo
Além da melhora de preço e câmbio, a Vale estima ganhos adicionais de cerca de US$ 425 milhões com operações de proteção cambial e de combustíveis.
Parte desse efeito positivo, porém, será compensada por aumento de cerca de US$ 100 milhões em gastos de manutenção. Ainda assim, o saldo líquido segue favorável para a geração de caixa da divisão de minério de ferro.
Na avaliação do Safra, essa atualização ajuda a reduzir preocupações do mercado sobre perda de rentabilidade causada por custos de produção e fretes desde o início do conflito no Oriente Médio.
Níquel pode surpreender positivamente
A segunda atualização relevante veio da operação de níquel da Vale Base Metals, chamada pela companhia de VBM Níquel. A empresa apresentou sensibilidades para EBITDA e fluxo de caixa livre com diferentes premissas de preço do metal, entre US$ 16 mil e US$ 20 mil por tonelada.
Pelas indicações da Vale, se os preços do níquel permanecerem próximos do nível atual de mercado, a operação pode entregar resultados acima do consenso. Com preços ao redor de US$ 19 mil por tonelada, o EBITDA da divisão poderia atingir cerca de US$ 1,8 bilhão em 2026 e US$ 2,2 bilhões em 2027.
Nesse cenário, o fluxo de caixa livre poderia chegar a cerca de US$ 500 milhões em 2026 e US$ 800 milhões em 2027.
Sensibilidade mostra forte alavanca ao preço do níquel
O Safra destaca que seu cenário-base para o níquel ainda é mais conservador. O banco trabalha com preço médio de US$ 17,3 mil por tonelada em 2026 e de US$ 17,6 mil por tonelada em 2027.
Com essas premissas, o EBITDA projetado seria de US$ 1,2 bilhão em 2026 e de US$ 1,3 bilhão em 2027, portanto abaixo do consenso. No entanto, sob a premissa de US$ 18 mil por tonelada usada pela Vale, esse número subiria para US$ 1,55 bilhão em 2026 e US$ 2 bilhões em 2027.
Segundo a análise do banco, a sensibilidade divulgada pela companhia indica que o EBITDA da operação de níquel aumenta cerca de US$ 225 milhões para cada alta de US$ 1 mil por tonelada no preço médio anual do metal.
Fluxo de caixa livre ganha importância
Mais do que o avanço no EBITDA, o Safra chama atenção para a melhora potencial do fluxo de caixa livre. Isso porque a operação de níquel era vista anteriormente como próxima ou abaixo do ponto de equilíbrio em geração de caixa.
Agora, com preços mais próximos dos níveis atuais do mercado, a unidade pode passar a gerar caixa de forma positiva. Para o banco, esse ponto tem peso importante na percepção sobre valor e qualidade dos ativos.
O que muda para a ação
Na visão do Safra, a atualização divulgada pela Vale é positiva. O aumento da sensibilidade de geração de caixa no minério de ferro não fazia parte do cenário-base do banco e ajuda a aliviar temores recentes sobre a rentabilidade da operação.
Ao mesmo tempo, o potencial adicional em níquel amplia a chance de revisões positivas nas estimativas, caso os preços do metal permaneçam em níveis mais altos. Esse efeito pode melhorar a leitura sobre o conjunto dos negócios da companhia.