O Banco Safra realizou, na semana passada, um non-deal roadshow (NDR), uma reunião com o objetivo de divulgar a estratégia e o desempenho da companhia, sem vender ações ou levantar capital, com executivos da Copel (CPLE6) e da Axia Energia (AXIA3), além de reuniões com investidores institucionais nos Estados Unidos. Participaram dos encontros o CFO da Copel, Felipe Guterres, e a diretora de Relações com Investidores, Erika Lima, assim como o CFO da Axia, Eduardo Haiama, e a responsável por RI, Carla Miller.
De forma geral, o sentimento dos investidores permaneceu positivo. Apesar do forte rali recente do Ibovespa e da compressão do spread entre as taxas internas de retorno do setor e os títulos públicos brasileiros, o valuation ainda não apareceu como uma preocupação central.
Copel: revisão tarifária e energia como catalisadores
Na avaliação do Safra, a Copel segue bem posicionada. A administração destacou a próxima revisão tarifária da distribuidora, em um contexto no qual a base de ativos regulatórios cresceu de forma relevante no último ciclo. O tema surge como um dos principais catalisadores no curto e médio prazos.
Além disso, a companhia comentou as tendências de preços de energia e a estratégia para maximizar o valor do portfólio. Outro ponto relevante envolve o próximo leilão de reserva de capacidade, no qual a Copel pretende participar com dois projetos, as usinas de Foz do Areia e Segredo.
A perspectiva para dividendos permanece favorável. Com a revisão tarifária e o atual patamar de preços de energia, o Safra avalia que o fluxo de caixa tende a se fortalecer, o que deve permitir à companhia sustentar um payout atrativo.
Axia: foco em transmissão e disciplina de capital
No caso da Axia, as discussões abordaram tanto o cenário de curto quanto de longo prazo para os preços de energia. A administração apontou que a volatilidade da geração renovável e uma hidrologia mais fraca pressionaram os preços para cima no curto prazo.
No horizonte mais longo, a visão também indica níveis razoáveis de preços. A matriz elétrica passou por mudanças relevantes, com maior presença de geração distribuída e impacto do curtailment sobre as margens. Além disso, custos variáveis mais elevados das térmicas tendem a aumentar o custo marginal de expansão, o que dá suporte a preços mais altos no futuro.
Em alocação de capital, a Axia reforçou o foco em investimentos no segmento de transmissão, seja por meio de reforços nos ativos existentes, seja via participação em novos leilões. A estratégia busca equilibrar captura de oportunidades no mercado de energia com previsibilidade de fluxo de caixa no longo prazo.
Visão dos investidores
Durante as reuniões, Copel, Axia e Sabesp (SBSP3) apareceram entre as companhias mais citadas pelos investidores. Ao mesmo tempo, surgiram questionamentos sobre risco regulatório, em função da proximidade das eleições, e sobre o cenário macroeconômico, especialmente possíveis impactos da crise no mercado de petróleo sobre as metas de inflação.
O Safra avalia que o arcabouço regulatório do setor de Utilidades Básicas, que engloba serviços essenciais como energia elétrica, água, saneamento e gás, evoluiu, embora ainda demande ajustes. O ambiente conta hoje com mais participantes, maior peso do mercado livre nos contratos, resultados regulatórios considerados razoáveis e ausência de interferência direta nos reajustes tarifários. Ainda assim, subsídios elevados e potenciais incentivos adicionais seguem no radar.
Também houve interesse pontual em possíveis novos IPOs no segmento de saneamento e em privatizações previstas para 2026, como a da Copasa (CSMG3). Em contrapartida, o segmento de distribuição despertou menor apetite, em razão de preocupações regulatórias e pressões tarifárias.
Setor segue atrativo no cenário atual
Apesar do questionamento sobre valuation após a alta recente do mercado brasileiro, os investidores reconhecem que o setor de Utilidades Básicas ainda oferece boas histórias a múltiplos atrativos. O Safra destaca companhias com alavancagem controlada, perspectiva consistente de dividendos e oportunidades de crescimento com retornos adequados.
Além disso, o setor de infraestrutura tende a se beneficiar em cenários de eventual queda de juros. Os ativos oferecem proteção contra a inflação e geração de caixa previsível, mesmo em um ambiente de crescimento econômico mais desafiador. Ao final da agenda, o Safra manteve uma visão positiva para Utilidades Básicas dentro da cobertura Brasil.