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Utilidades Básicas enfrentam pressão de preços e incertezas regulatórias

Hidrologia mais seca, preços de energia em patamares elevados e agenda regulatória intensa moldam o cenário do setor de utilidades básicas


O Safra atualizou sua visão para o setor de Utilidades Básicas, que engloba serviços essenciais como energia elétrica, água, saneamento e gás. O Safra identifica um ambiente mais desafiador, com avaliação mais esticada e menor prêmio de risco. O spread do IRR setorial em relação aos bonds recuou para abaixo de 2 pontos percentuais.

Ainda assim, algumas empresas seguem negociadas com retornos reais próximos ou acima de 10%, nível que o Safra considera atrativo. Entre as principais preferências do banco nos níveis atuais estão Copel (CPLE6), Axia Energia (AXIA3) e Equatorial (EQTL3).

Reservatórios pressionados elevam preços no curto prazo

O cenário-base do Safra considera hidrologia equivalente a 70% da média de longo prazo e crescimento de 1,8% ao ano na demanda. Com essas premissas, os reservatórios devem encerrar a próxima estação seca em torno de 50% da capacidade máxima.

Como consequência, o despacho térmico tende a permanecer elevado, entre 8 GW e 9 GW. Os custos marginais de operação devem variar entre R$ 400 e R$ 600 por MWh. O banco projeta um curtailment médio de 20% ao longo de 2026, favorecendo empresas mais expostas a esse ambiente, como AXIA3 e CPLE6.

No saneamento, o cenário é mais equilibrado. Os reservatórios da Sabesp (SBSP3) se recuperaram de forma relevante em fevereiro, com afluência no sistema Cantareira atingindo 100% da média histórica. Em março, a afluência iniciou em torno de 80% da média de longo prazo. O volume acumulado, próximo de 38% da capacidade, garante folga operacional até agosto no cenário-base. Mesmo assim, o Safra mantém recomendação neutra para a companhia, diante de um potencial de valorização mais limitado.

Preços de energia seguem acima da média

O Safra revisou seus modelos de custo de expansão. O banco incorporou maiores impactos de curtailment, piora do GSF, aumento da aversão ao risco e exigência maior de retorno. Também ajustou para cima as estimativas de capex em projetos térmicos, eólicos e hidrelétricos.

Com isso, o custo médio nivelado de energia subiu para cerca de R$ 240 por MWh. No curto prazo, o balanço mais apertado entre oferta e demanda sustenta preços de contratos de médio prazo acima de R$ 300 por MWh. Para o horizonte de cinco anos, a estimativa média é de R$ 260 por MWh.

Crescimento via leilões, M&A e eventos regulatórios

Em Minas Gerais, o processo de privatização da Copasa (CSMG3) segue avançando. O governo estadual planeja lançar a oferta ainda em abril. Caso a privatização se concretize, o Safra estima um valor potencial de R$ 65 por ação.

No setor elétrico, o próximo leilão de capacidade deve abrir oportunidades relevantes. O banco estima uma demanda próxima de 20 GW. Eneva (ENEV3) e CPLE6 aparecem bem posicionadas, com projetos competitivos. O Safra vê, porém, maior potencial de valorização para Copel nos níveis atuais.

Outro ponto de atenção envolve a Aneel. A agência deve votar em breve a possível caducidade das concessões da Enel em São Paulo e no Ceará. Esse movimento pode abrir espaço para novos operadores, como Energisa (ENGI11), EQTL3, CPFL Energia (CPFE3) e, novamente, CPLE6.

Agenda regulatória

O próximo ciclo regulatório deve ampliar o debate sobre o WACC regulatório, hoje em 8,1% para 2026. A expectativa é de queda gradual ao longo do tempo. Também entram na pauta a metodologia de cálculo das perdas não técnicas e a base de preços da RAB.

As discussões sobre ressarcimento de curtailment perderam força. Por outro lado, recursos do UBP devem ser utilizados para mitigar tarifas, o que pode aliviar pressões sobre consumidores e empresas.

Eleições aumentam volatilidade no setor

O calendário eleitoral adiciona ruído ao setor. Empresas como Sanepar (SAPR11) e Cemig (CMIG4) aparecem entre as mais sensíveis ao cenário político. Em um ambiente de maior volatilidade e incerteza macroeconômica, o Safra avalia que Alupar (ALUP11) pode funcionar como uma alternativa mais defensiva dentro do segmento.


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