O Banco Safra introduziu um preço-alvo para a ação da Usiminas (USIM5). O preço da ação no final de 2026 está fixado em R$ 6,20, ante R$ 4,70 anterior, implicando um retorno total de 16%, e mantendo recomendação Neutra para o papel.
As ações da Usiminas subiram cerca de 36% desde a revisão do Safra em agosto e, apesar do aumento do preço-alvo, o banco não vê relação risco-retorno suficiente para recomendação Compra.
O fluxo de caixa livre (FCF) surpreendeu positivamente no 3T25, explicando menor dívida líquida estimada para YE26, mas a gestão indicou menor geração de caixa no 4T25, yields pouco atrativos (FCF de -1% entre 2026–2028) e vemos downside de 15% no consenso de EBITDA para 2026–27.
Entre os pontos positivos, houve alívio nas importações após agosto e alta de 4% nos preços domésticos de HRC, mas sem melhora nos preços chineses. Por outro lado:
- (i) demanda por aço no Brasil arrefeceu;
- (ii) decisão final sobre antidumping (AD) para aço plano foi adiada para fevereiro/26; e
- (iii) resultados podem cair T/t no 4T.
Os tarifas antidumping (ADs) são o principal catalisador, dado o impacto nos preços, mas o Safra vê ausência de notícias positivas até início de 2026. O mercado de aço plano no Brasil foi sustentado por menor importação, mas esse alívio pode acabar em outubro.
Apesar de consumo doméstico subir 5% A/a em 9M25, as vendas locais ficaram estáveis, com importações capturando 25% da demanda.
Em agosto-setembro, as importações caíram 10% A/a, mas consumo e vendas domésticas perderam força (-9% e -5% A/a). Nas duas primeiras semanas de outubro, dados da Secex mostram queda menor A/a, reduzindo otimismo sobre continuidade do alívio.
Tarifas são um divisor de águas para a Usiminas
O Safra estima que a imposição de tarifa antidumping sobre aço plano poderia elevar o EBITDA da Usiminas em 2026 em ~39%, para R$ 2,6 bi (18% acima do consenso), considerando tarifa de USD 100/t (~20% do dumping estudado) sobre produtos laminados a frio e revestidos (50% do mix da Usiminas) a partir do 2T26.
Revisão de estimativas: O Safra elevou a projeção de EBITDA para 2026 em 4%, para R$1,9 bi (15% abaixo do consenso), incorporando alta recente nos preços domésticos e menor COGS/t (com BRL mais forte).
A projeção de câmbio do Safra é R$ 5,56/USD (vs. R$ 5,37/USD atual), o que não ajuda, já que a maioria dos custos é dolarizada, mas há upside se a valorização do real continuar.
O Safra reduziu o EBITDA da mineração para refletir o R$ mais forte, apesar de preços melhores do minério. Para 2027, revisamos EBITDA para R$2,5 bi (+16%), ainda 15% abaixo do consenso.
Valuation: o preço-alvo de R$ 6,20 por ação deriva de fluxo de caixa descontado (DCF), assumindo taxa de crescimento perpétuo de 3,0% e Custo Médio Ponderado de Capital (WACC) de 15,6% (inalterado), com custo de capital próprio (Ke) de 16,5% e custo da dívida pós-impostos de 7,3%.
O Banco Safra vê a Usiminas negociando a 4,2x EV/EBITDA 2026 e 3,2x em 2027, abaixo da média histórica de 4,1x.
Riscos: (i) preços domésticos divergentes do cenário base; (ii) medidas protecionistas contra importações; (iii) aceleração ou desaceleração da atividade doméstica; (iv) preços do minério diferentes das projeções; e (v) mudanças inesperadas no capex.