A Usiminas (USIM5) divulgou resultados do segundo trimestre de 2026 acima das expectativas do mercado, impulsionados principalmente pela divisão de aço.
O EBITDA reportado alcançou R$ 761 milhões. Parte desse valor, porém, foi beneficiada por cerca de R$ 70 milhões em ganhos não recorrentes relacionados à recuperação de créditos vinculados a um plano de pensão e à venda de um ativo não operacional.
Ao desconsiderar esses efeitos extraordinários, o EBITDA recorrente ficou próximo de R$ 691 milhões, superando levemente as estimativas do Banco Safra e do consenso de mercado.
Na avaliação do banco, a leitura do trimestre é positiva, embora parte da surpresa favorável tenha origem em fatores não recorrentes.
Alta dos preços do aço impulsiona desempenho
A melhora operacional da Usiminas foi sustentada principalmente pelo avanço dos preços do aço no mercado doméstico.
As vendas totais da divisão de aço alcançaram 989 mil toneladas, com aproximadamente 94% do volume direcionado ao mercado brasileiro.
Os preços domésticos avançaram 5% em relação ao trimestre anterior, enquanto os preços de exportação registraram alta de 6%.
Esse movimento ajudou a compensar o aumento dos custos de produção, que continuaram pressionando parte da rentabilidade da operação.
O custo caixa por tonelada subiu 14% na comparação trimestral, refletindo a elevação de despesas operacionais e de insumos.
Mineração apresenta volumes mais fortes
A divisão de mineração também contribuiu positivamente para os resultados.
As vendas de minério de ferro atingiram cerca de 2,5 milhões de toneladas, volume superior ao esperado pelo Safra.
Por outro lado, os preços realizados ficaram abaixo das projeções do banco, limitando parcialmente o impacto positivo do crescimento dos embarques.
Ainda assim, a operação se beneficiou de custos menores do que o esperado, o que ajudou a sustentar a rentabilidade da divisão.
Fluxo de caixa decepciona
Apesar do desempenho operacional mais forte, a geração de caixa foi um dos pontos menos favoráveis do trimestre.
O fluxo de caixa livre somou apenas R$ 35 milhões, abaixo das expectativas do Safra.
Segundo o banco, a maior necessidade de capital de giro consumiu parte relevante dos recursos gerados pela operação e mais do que compensou os benefícios de um menor volume de investimentos.
Embora o resultado permaneça positivo, o desempenho representa uma desaceleração em relação ao trimestre anterior.
Empresa reduz previsão de investimentos
A Usiminas também anunciou uma revisão para baixo de sua projeção de investimentos para 2026.
A companhia passou a estimar desembolsos entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,4 bilhão neste ano, abaixo da faixa anteriormente projetada.
A mudança reforça a estratégia de maior disciplina na alocação de capital diante de um cenário ainda desafiador para a indústria siderúrgica.
Ao final do trimestre, a empresa mantinha posição de caixa líquido de R$ 499 milhões, acima dos R$ 391 milhões registrados no início do ano.
Perspectiva para o próximo trimestre é menos favorável
As perspectivas para o terceiro trimestre trazem sinais de maior cautela.
Na divisão de aço, a companhia projeta resultados operacionais estáveis, desconsiderando os ganhos extraordinários registrados entre abril e junho.
Segundo a administração, maiores volumes vendidos no mercado doméstico e preços mais elevados para clientes industriais devem ser compensados pelo aumento dos custos de matérias-primas, especialmente carvão, coque e placas.
Esse cenário tende a pressionar a rentabilidade da operação nos próximos meses.
Na mineração, a expectativa também é de resultados mais fracos, refletindo menores volumes de vendas, preços mais baixos do minério de ferro e custos logísticos ainda elevados.
Safra vê resultado positivo, mas com ressalvas
Na avaliação do Safra, a Usiminas entregou um trimestre melhor do que o esperado, apoiado pela recuperação dos preços do aço e pelo desempenho operacional consistente.
No entanto, a menor geração de caixa e a perspectiva de rentabilidade mais pressionada no terceiro trimestre limitam o potencial de revisão positiva para a tese de investimento.
Dessa forma, embora os resultados mostrem evolução em relação aos períodos anteriores, o banco acredita que os investidores continuarão acompanhando de perto a capacidade da companhia de sustentar margens e ampliar a geração de caixa em um ambiente de custos mais elevados.