Os especialistas do Banco Safra elevaram o preço-alvo da Usiminas (USIM5) para R$ 9,70 por ação ao fim de 2026, ante R$ 7,70 antes. Mesmo assim, reiteraram a recomendação de venda. A revisão indica retorno total de 10%, o que o banco considera pouco atrativo diante dos riscos ainda presentes.
Desde meados de abril, a ação da companhia teve desempenho superior ao de Gerdau (GGBR4) e ao do Ibovespa. Esse movimento foi impulsionado por resultados do primeiro trimestre de 2026 acima das estimativas do mercado, pela recuperação dos preços do aço no mercado doméstico e pelo aumento da confiança em novas medidas de defesa comercial.
Ainda assim, o Safra avalia que boa parte dessa melhora já está no preço. Com isso, o espaço para novas altas parece limitado, enquanto o risco de frustração segue relevante.
Mercado interno melhora, mas demanda ainda é fraca
A leitura mais positiva para a Usiminas ganhou força com a queda mais rápida das importações de aço e com a recuperação das vendas no mercado doméstico. Esse movimento ajudou a sustentar reajustes de preços, em especial no aço laminado a quente.
Por outro lado, a demanda ainda mostra fragilidade. Na visão do Safra, esse ponto impede uma mudança mais estrutural na tese. Além disso, eventuais mecanismos para driblar medidas de proteção comercial podem reduzir a eficácia dessas ações e limitar seus efeitos sobre o setor.
O banco também considera prematuro assumir uma normalização duradoura do mercado. Dados recentes mostram recuo das importações, mas ainda não confirmam uma mudança consistente de tendência.
Revisão das projeções veio do aço
O Safra elevou em 34% sua estimativa de geração de caixa operacional da Usiminas para 2026, para R$ 2,6 bilhões. A revisão foi puxada principalmente pelo desempenho mais forte da divisão de aço.
Segundo o banco, a melhora decorre de preços domésticos mais altos e de custos menores, favorecidos pelo câmbio mais apreciado, já que parte relevante das despesas da companhia acompanha o dólar. Embora a projeção de volumes tenha recuado levemente, a melhora na rentabilidade por tonelada mais do que compensou esse efeito.
Na divisão de mineração, porém, o cenário ficou menos favorável. O Safra reduziu em 18% a estimativa de resultado para 2026, refletindo volumes mais fracos e custos mais altos. Para 2027, a projeção consolidada subiu 19%, para R$ 3,5 bilhões, apoiada por um desempenho melhor tanto no aço quanto na mineração.
Preço da ação parece pouco atraente
Mesmo com a revisão para cima das estimativas, o Safra vê as ações da Usiminas negociadas em um nível exigente. O banco destaca que os múltiplos atuais estão acima da média histórica de cinco anos, o que reforça a leitura de que o mercado já antecipou parte importante da recuperação esperada.
Na prática, isso significa que a valorização recente deixou o papel mais sensível a decepções. Se os preços do aço não avançarem como o esperado ou se os custos das matérias-primas não cederem, a ação pode sofrer. Isso porque tanto as projeções do Safra quanto as do mercado já consideram premissas mais otimistas para os próximos trimestres.
Proteção comercial ajuda, mas não elimina riscos
A possível adoção de novas medidas contra importações de aço segue no radar e pode beneficiar a Usiminas. Ainda assim, o Safra pondera que esse processo deve ser mais lento do que parte do mercado espera.
Na avaliação do banco, uma decisão para o aço laminado a quente ao longo de 2026 ainda parece provável, mas a implementação mais concreta tende a ocorrer apenas no fim do ano, com impacto mais perceptível em 2027.
Além disso, permanece o risco de desvio das importações por meio de produtos similares ou de mudança na origem dos embarques, algo já observado em outros momentos. Por isso, o banco mantém postura cautelosa, mesmo com o ambiente mais construtivo no curto prazo.
O que pode mudar essa visão
A tese do Safra para a Usiminas pode ser revista caso alguns fatores surpreendam positivamente. Entre eles estão preços domésticos de aço acima do esperado, medidas comerciais mais duras contra importações, aceleração da atividade econômica no Brasil, queda mais intensa dos custos de matérias-primas e mudanças relevantes no plano de investimentos da companhia.
Por enquanto, no entanto, o banco entende que o equilíbrio entre risco e retorno permanece desfavorável. A ação já precifica um cenário melhor, mas ainda convive com riscos importantes para justificar uma postura mais conservadora.