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Usiminas: ação sobe, mas fundamentos pedem cautela

Banco Safra mantém recomendação neutra e reduz preço-alvo para R$ 8,30 no fim de 2027, diante da pressão de custos e do cenário desafiador para o aço


O Banco Safra manteve a recomendação neutra para Usiminas (USIM5) e atualizou o preço-alvo para R$ 8,30 por ação ao fim de 2027, ante R$ 9,20 na estimativa anterior.

As ações da siderúrgica acumulam alta de 26% desde meados de agosto. No entanto, o banco avalia que o movimento não encontra respaldo nos fundamentos dos mercados em que a companhia atua.

Os preços do aço recuaram, enquanto os custos de insumos avançaram de forma relevante. Além disso, o real mostrou relativa estabilidade no período. Ainda assim, a ação acompanhou mais de perto o desempenho do Ibovespa e as especulações sobre um eventual fechamento de capital.

Para o Safra, não houve revisões positivas de resultados que justificassem uma reprecificação mais forte dos papéis.

Custos pressionam projeções

O Safra projeta lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização de R$ 2,7 bilhões para 2026 e de R$ 2,6 bilhões para 2027. As estimativas consideram custos abaixo dos preços atuais para quase todos os principais insumos, com exceção das placas de aço.

O carvão metalúrgico é negociado a US$ 41 por tonelada, patamar 18% superior à premissa adotada pelo banco. Já o frete marítimo está em US$ 42 por tonelada, 19% acima do valor considerado no modelo.

A expectativa do Safra é que esses custos cedam e se aproximem de níveis mais compatíveis com a média do ciclo. Caso isso ocorra, a Usiminas poderia alcançar um lucro operacional normalizado próximo de R$ 3,5 bilhões, cerca de 30% acima da projeção para 2026.

Ainda assim, o banco avalia que essa recuperação depende de condições de mercado que permanecem incertas.

Cenário mais adverso amplia queda

O Safra estima que o consenso de mercado para o resultado de 2027 seja otimista. A projeção do banco indica resultado 17% inferior à média das estimativas dos analistas.

Em um cenário que considera a manutenção dos preços atuais dos insumos, a diferença aumenta para 26%. Nesse caso, o lucro operacional da Usiminas cairia para R$ 2,3 bilhões.

A divisão de mineração passaria a registrar resultado negativo de R$ 192 milhões. Ao mesmo tempo, o resultado da área de aço recuaria 13%, para R$ 2,53 bilhões.

A persistência de custos elevados representa o principal risco. O conflito no Irã pode manter o frete marítimo pressionado. Além disso, fatores ligados à oferta global podem sustentar os preços do carvão metalúrgico em patamares altos.

Setor automotivo limita reajustes

Parte relevante da projeção do Safra depende das negociações de contratos com montadoras. Os acordos vencem entre janeiro e abril de 2027, e o banco considera um reajuste médio de preços de 5% na comparação anual.

O cenário, porém, é desafiador. A participação de veículos chineses importados avançou no mercado brasileiro, enquanto os estoques do setor correspondem a 128 dias de vendas.

A estrutura tarifária também cria distorções na demanda. Veículos eletrificados totalmente montados passaram a pagar tarifa de importação de 35% em julho de 2026. No entanto, kits de veículos completamente desmontados seguem sujeitos a uma tarifa de 14% até o fim de 2026 e passarão a recolher 35% a partir de janeiro de 2027.

Há ainda uma cota de US$ 463 milhões com tarifa zero para determinados volumes de kits, válida até 31 de dezembro de 2026. Para o Safra, esse ambiente pode limitar a capacidade das siderúrgicas de obter reajustes semelhantes aos observados no mercado de distribuição.

Preço reflete recuperação incerta

O preço-alvo de R$ 8,30 para a Usiminas resulta da avaliação pelo método de fluxo de caixa descontado. O cálculo considera custo médio ponderado de capital de 15,2%.

Atualmente, a ação negocia a 3,6 vezes o valor da empresa em relação ao lucro operacional estimado para 2027. O múltiplo fica abaixo da média dos últimos cinco anos, de 4,2 vezes.

Para o Safra, esse desconto é adequado. A recuperação esperada para 2027 e 2028 depende de uma combinação de menor pressão sobre custos, melhora do ambiente para o aço e capacidade de repassar preços aos clientes.

Embora a normalização dos custos possa abrir espaço para resultados melhores, o banco vê retorno de caixa livre médio próximo de 5% entre 2027 e 2029. Portanto, a relação entre risco e retorno ainda não justifica uma recomendação mais positiva para Usiminas.


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