A Ultrapar (UGPA3) reportou um EBITDA de R$ 1,745 bilhão no quarto trimestre de 2025, resultado 8% acima das estimativas do Safra. O desempenho foi impulsionado principalmente pela forte performance da Ipiranga, beneficiada por margens mais elevadas em um ambiente competitivo mais equilibrado. A contribuição de Hidrovias (HBSA3) também ajudou, ainda que em menor intensidade.
Na comparação trimestral, o EBITDA recuou 2%, movimento explicado por fatores sazonais desfavoráveis em Hidrovias e pela venda da operação de navegação costeira. Ultragaz e Ultracargo apresentaram números em linha com as projeções.
Lucro líquido
O lucro líquido somou R$ 256 milhões no período, queda de 67% frente ao terceiro trimestre. O recuo reflete, sobretudo, a ausência de créditos tributários extraordinários reconhecidos no 3T25 e uma baixa de ativos de R$ 226 milhões em Hidrovias.
Além disso, despesas financeiras e de imposto de renda acima do esperado pressionaram o resultado final, que ficou abaixo da projeção de R$ 451 milhões do Safra.
Geração de caixa segue robusta
Apesar do lucro menor, a geração de caixa permaneceu sólida. O fluxo de caixa livre alcançou R$ 1,708 bilhão no trimestre, acima dos R$ 1,649 bilhão registrados no 3T25, reforçando a capacidade da companhia de financiar investimentos e reduzir riscos financeiros.
A empresa também divulgou guidance de capex para 2026 de R$ 2,617 bilhões, valor 2% inferior à projeção do Safra e 3% acima do realizado em 2025. Desse total, 42% devem ser destinados a projetos de crescimento e 58% à manutenção das operações.
Ipiranga sustenta margens elevadas
A Ipiranga voltou a ser o principal destaque operacional. Os volumes alcançaram 6,443 milhões de metros cúbicos, alta de 4% na comparação trimestral e em linha com as estimativas. O crescimento foi puxado pelo ciclo Otto, com avanço de 14%, compensando a queda sazonal de 4% no diesel.
O EBITDA ajustado recorrente da unidade somou R$ 1,066 bilhão, alta de 20% trimestre contra trimestre e 11% acima do esperado. A margem unitária atingiu R$ 165 por metro cúbico, superando a projeção de R$ 150. O nível elevado reflete maior fiscalização governamental sobre irregularidades no setor e uma participação maior do ciclo Otto no mix de vendas.
Ultragaz e Ultracargo em linha com expectativas
A Ultragaz registrou volumes de 426 mil toneladas, estáveis frente às estimativas e com queda de 4% no trimestre. O EBITDA ajustado recorrente foi de R$ 474 milhões, alta de 2%, com margem de R$ 1.112 por tonelada. O resultado foi sustentado por um mix mais favorável e pelo repasse inflacionário, que compensaram volumes menores.
Já a Ultracargo apresentou EBITDA de R$ 144 milhões, crescimento de 7% no trimestre e em linha com as projeções, refletindo a recuperação gradual da demanda por armazenagem de combustíveis.
Hidrovias sente sazonalidade, mas supera projeções
A unidade de Hidrovias reportou EBITDA ajustado recorrente de R$ 160 milhões, queda de 56% em relação ao trimestre anterior. O desempenho foi impactado pela sazonalidade e pela venda da operação de navegação costeira. Ainda assim, o resultado superou de forma relevante a estimativa do time de Transporte, que projetava R$ 103 milhões.
Alavancagem permanece controlada
A alavancagem financeira encerrou o quarto trimestre em 1,7 vez o EBITDA, estável na comparação trimestral. A dívida líquida apresentou leve alta, compensada pelo crescimento do EBITDA dos últimos 12 meses.
A maturidade média da dívida caiu para 3,2 anos, ante 3,6 anos no 3T25, enquanto o custo médio subiu para CDI mais 0,9%, frente a CDI mais 0,3% no trimestre anterior.