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Tyson Foods fecha unidades e favorece JBS e MBRF

Redução da capacidade de abate nos Estados Unidos pode aliviar a disputa por gado e acelerar a recuperação das margens da carne bovina


A Tyson Foods (TSN) anunciou uma reestruturação estratégica de suas operações de carne bovina nos Estados Unidos. A companhia vai fechar uma unidade de abate em Joslin, no estado de Illinois, e uma planta de processamento em Eagle Mountain, em Utah.

Além disso, a Tyson Foods colocou à venda uma terceira unidade de abate em Pasco, no estado de Washington.

As medidas devem reduzir em aproximadamente 20% a capacidade de carne bovina da companhia. Na avaliação do Safra, o movimento é positivo para a JBS (JBSS3) e a MBRF (MBFR3), pois pode aliviar a disputa por gado nos Estados Unidos e favorecer a recuperação das margens das empresas.

Pressão sobre o gado

A reestruturação ocorre em um momento de oferta restrita de gado vivo no mercado americano.

A escassez de animais elevou a competição entre os frigoríficos e pressionou os custos de aquisição da matéria-prima. Como consequência, as margens das operações de carne bovina permaneceram sob pressão.

Na avaliação do Safra, a decisão da Tyson Foods representa uma resposta direta a esse cenário. Com a retirada de capacidade produtiva, a companhia reduz a necessidade de compra de gado e pode contribuir para diminuir a disputa entre os frigoríficos.

Impacto para JBS e MBRF

A unidade de Joslin tem capacidade de abate de aproximadamente 3 mil cabeças de gado por dia. O volume equivale a cerca de 3% da capacidade diária total da indústria americana, estimada em 104 mil cabeças.

A saída imediata dessa unidade deve reduzir estruturalmente a demanda do setor por gado vivo. Com menor pressão de compra, os preços dos animais podem se estabilizar ou recuar gradualmente.

Esse movimento tende a ampliar a diferença entre os preços da carne bovina e os custos da matéria-prima. Como resultado, as margens dos frigoríficos podem se recuperar.

A JBS e a MBRF estão entre as empresas que podem se beneficiar desse ambiente. As duas companhias possuem operações relevantes de carne bovina nos Estados Unidos e, portanto, estão expostas à dinâmica de oferta de gado no país.

Unidade de Pasco pode ser vendida

A planta de Pasco, em Washington, possui capacidade de abate de aproximadamente 2 mil cabeças por dia.

Como a unidade foi colocada à venda, o Safra não considera essa capacidade como retirada do mercado neste momento. O comprador pode manter as operações e preservar a capacidade produtiva da indústria.

Por isso, o impacto imediato sobre a oferta de abate nos Estados Unidos está concentrado na unidade de Joslin.

Caso a venda de Pasco resulte no encerramento da operação, a redução da capacidade do mercado será maior. No entanto, ainda não há confirmação de que a unidade será definitivamente fechada.

Tyson busca eficiência

A Tyson Foods também pretende retomar o segundo turno de sua unidade em Amarillo, no Texas, assim que houver maior disponibilidade de gado.

Segundo a companhia, o fechamento de unidades e a venda de ativos permitirão manter um nível de abate semelhante em uma rede de produção mais moderna e eficiente.

A estratégia combina a redução de capacidade em plantas consideradas menos competitivas com a concentração das operações em unidades de maior produtividade.

Embora a capacidade de carne bovina da Tyson Foods caia aproximadamente 20%, a companhia espera preservar uma produção próxima da atual por meio da reorganização de sua rede.

Capacidade já caiu

A Tyson Foods já havia fechado a unidade de Lexington, no estado de Nebraska, no início de 2026.

Considerando a planta de Lexington, a companhia terá reduzido sua capacidade de carne bovina em aproximadamente um terço nos últimos movimentos de reestruturação.

A concentração da produção pode melhorar a eficiência operacional da Tyson Foods. Ao mesmo tempo, a menor capacidade disponível tende a reduzir a demanda agregada por gado vivo no mercado americano.

México pode ampliar oferta

Outro fator que pode contribuir para a recuperação das margens é a retomada das importações de gado do México para os Estados Unidos.

O aumento das compras pode representar uma expansão de 3% a 5% na oferta de gado do mercado americano, segundo a análise do Safra.

A maior disponibilidade de animais ajudaria a reduzir a pressão sobre os preços do gado e complementaria o efeito da redução de capacidade anunciada pela Tyson Foods.

A combinação entre maior oferta de gado e menor demanda dos frigoríficos pode melhorar as condições de compra da matéria-prima nos próximos trimestres.

Margens podem se recuperar

A redução da capacidade da Tyson Foods, a possível retomada das importações mexicanas e a reorganização da produção formam um cenário mais favorável para os frigoríficos americanos.

Para a JBS e a MBRF, o principal benefício potencial está na redução da pressão sobre os custos do gado.

A recuperação, porém, dependerá da velocidade de normalização da oferta de animais e da capacidade das empresas de preservar os preços da carne bovina.

O Safra considera que as mudanças anunciadas pela Tyson Foods reforçam as perspectivas de melhora das margens de carne bovina nos Estados Unidos.

Perspectivas

A reestruturação da Tyson Foods deve alterar a dinâmica competitiva do mercado americano de carne bovina.

A retirada imediata da unidade de Joslin reduz a capacidade de abate da indústria. Além disso, a possível venda da planta de Pasco pode ampliar esse efeito, caso o comprador não mantenha as operações.

Na avaliação do Safra, o movimento favorece a JBS e a MBRF, que podem se beneficiar de custos menores de gado e de uma recuperação gradual das margens nos Estados Unidos.

A retomada das importações de gado do México será outro ponto importante para acompanhar, assim como a execução do plano de eficiência da Tyson Foods.


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