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Três Tentos enfrenta desafios de curto prazo, mas mantém potencial de crescimento

Pressão sobre margens de biocombustíveis deve afetar os resultados de curto prazo, mas a estratégia de expansão sustenta a visão positiva para Três Tentos


A Três Tentos (TTEN3) atravessa um momento mais desafiador no curto prazo. A combinação entre volatilidade dos preços das commodities agrícolas e deterioração das margens de biocombustíveis levou o Banco Safra a revisar para baixo suas projeções para 2026 e 2027.

Apesar disso, o Safra mantém recomendação de compra para a companhia. A avaliação é de que os fatores que pressionam os resultados atuais não alteram os fundamentos da tese de longo prazo, sustentada pela expansão da operação, diversificação dos negócios e fortalecimento do modelo integrado da empresa.

Biocombustíveis pressionam resultados

O principal foco de atenção está no segmento industrial, especialmente nas operações ligadas ao biodiesel e ao etanol.

Dados do setor mostram que os preços do biodiesel recuaram ao longo do segundo trimestre, enquanto os custos das matérias-primas permaneceram elevados. Esse movimento reduziu a rentabilidade da atividade e pressionou as margens operacionais.

No mercado de etanol, o cenário também foi menos favorável. Os preços do combustível registraram queda durante o período, o que reduz a perspectiva de rentabilidade da nova operação baseada em milho.

Diante desse contexto, o Safra passou a adotar uma visão mais conservadora para as margens do segmento industrial nos próximos anos.

Expansão continua fortalecendo a tese

Embora o ambiente operacional tenha se tornado mais desafiador, a estratégia de crescimento da companhia segue avançando.

A Três Tentos continua ampliando sua presença geográfica em novas regiões agrícolas e expandindo sua atuação em segmentos complementares, como etanol de milho e coprodutos industriais.

Na avaliação do Safra, esse movimento fortalece o modelo integrado da empresa, que combina vendas de insumos agrícolas, originação de grãos, processamento industrial e comercialização de produtos agrícolas.

Essa diversificação ajuda a reduzir riscos ao longo do ciclo de negócios e amplia as oportunidades de crescimento no longo prazo.

Prévia aponta trimestre mais fraco

Para o segundo trimestre de 2026, o Safra projeta resultados significativamente mais pressionados.

A expectativa é de crescimento de 12% na receita líquida em relação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, a deterioração das margens deve limitar a conversão desse avanço em rentabilidade.

O banco estima queda de aproximadamente 50% no resultado operacional medido pelo EBITDA ajustado, com redução relevante da margem operacional.

O principal impacto deve vir do segmento industrial, que enfrenta preços menos favoráveis e aumento dos custos dos produtos vendidos.

Lucro pode sofrer forte retração

Além das pressões operacionais, o resultado financeiro também deve contribuir para um desempenho mais fraco.

A projeção do Safra aponta para lucro líquido de aproximadamente R$ 31 milhões no trimestre, o que representaria uma queda expressiva em comparação com o mesmo período de 2025.

Segundo o banco, o cenário reflete principalmente fatores conjunturais relacionados aos mercados de commodities e não mudanças estruturais na capacidade de geração de valor da companhia.

Preço-alvo é revisado, mas recomendação permanece

Diante da revisão das estimativas de curto prazo, o Safra reduziu seu preço-alvo para Três Tentos de R$ 23 para R$ 17,50 por ação.

Mesmo assim, a recomendação de compra foi mantida.

O banco avalia que a ação continua oferecendo potencial de valorização relevante para investidores com horizonte de longo prazo, especialmente considerando a capacidade da companhia de expandir sua área de atuação e capturar oportunidades em diferentes elos da cadeia do agronegócio.

Quais fatores podem influenciar a tese

Na visão do Safra, os principais pontos de atenção para os próximos anos incluem a execução do plano de expansão, a evolução dos custos logísticos, eventuais interrupções nas cadeias de suprimento e o ritmo de adoção dos biocombustíveis.

Além disso, mudanças nas condições de comércio internacional e o aumento do endividamento também permanecem no radar dos investidores.

Ainda assim, a combinação entre crescimento operacional, diversificação dos negócios e posicionamento estratégico no agronegócio brasileiro sustenta uma visão positiva para a companhia no longo prazo.


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