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Transportes devem ter quadro misto no primeiro trimestre

Setor de transportes deve mostrar desempenho desigual, com avanço de locadoras e concessões, enquanto despesas financeiras seguem no radar


O setor de transportes deve apresentar resultados mistos no primeiro trimestre de 2026, segundo avaliação do Banco Safra. A leitura reúne empresas de infraestrutura, locação de veículos e logística e aponta um quadro de melhora operacional em parte da cobertura, embora a pressão financeira ainda limite o avanço do lucro em várias companhias.

Entre os destaques positivos, o banco espera números mais fortes para Motiva (MOTV3), Movida (MOVI3), Localiza (RENT3), Hidrovias do Brasil (HBSA3) e Vamos (VAMO3). Por outro lado, a expectativa é de resultados neutros para Rumo (RAIL3), Ecorodovias (ECOR3) e JSL (JSLG3), enquanto a Simpar (SIMH3) deve registrar desempenho mais fraco no período.

Infraestrutura deve combinar avanços operacionais e pressão

No segmento de infraestrutura, a expectativa do Safra é de um conjunto heterogêneo de resultados.

A Rumo deve reportar um trimestre neutro. A companhia já mostrou crescimento de 25,5% no volume transportado na comparação anual. Ainda assim, a queda de 10% nas tarifas médias deve limitar o avanço da receita líquida, estimado em 7,8%.

O banco projeta crescimento de 1,2% no resultado operacional medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, com margem de 52%. O movimento reforça a percepção de ambiente mais competitivo em 2026.

A Ecorodovias também deve apresentar números sem grandes surpresas. O tráfego comparável subiu 0,6% em um ano, enquanto o tráfego total avançou 23,1%, apoiado por novas praças de pedágio e pela maturação de ativos.

Com isso, a receita e o resultado operacional devem crescer perto de 8%. Ainda assim, a alta das despesas financeiras deve pesar sobre a última linha do balanço.

A projeção do Safra aponta lucro líquido de R$ 89 milhões, com queda de 39,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A Motiva, por sua vez, deve se destacar positivamente. O Safra espera crescimento de 15% no resultado operacional e expansão de margem, apoiados pela maturação de concessões rodoviárias, pelo fim de contratos deficitários e pelo desempenho da concessão RioSP. O lucro líquido ajustado deve somar R$ 530 milhões.

A Hidrovias do Brasil deve entregar um resultado levemente positivo. Mesmo com volumes estáveis, tarifas mais altas nos corredores Norte e Sul devem sustentar a expansão operacional.

Além disso, a venda do negócio de navegação costeira, que teve resultado operacional negativo um ano antes, melhora a base de comparação. A projeção é de resultado operacional consolidado de R$ 238 milhões, alta de 14%.

Locadoras devem liderar a temporada

O segmento de locação de veículos tende a concentrar os melhores números da temporada.

A Localiza deve divulgar um balanço positivo, com crescimento de 13% no resultado operacional, para R$ 3,7 bilhões. O avanço deve vir do desempenho resiliente da locação e da evolução das margens tanto em gestão de frotas quanto em aluguel de carros. Mesmo com despesas financeiras mais altas, o lucro líquido pode subir 15,7%, para R$ 974 milhões.

A Movida já apresentou uma prévia forte. O resultado operacional alcançou R$ 1,6 bilhão, com alta de 17,2% em relação ao ano anterior. O lucro líquido somou R$ 125 milhões, o que representa crescimento de 60%. O desempenho reflete a melhora do negócio de locação.

A Vamos deve mostrar avanço operacional, ainda que com rentabilidade pressionada. O Safra estima alta de 8,1% no resultado operacional, para R$ 958 milhões, impulsionada pela maior utilização da frota. Em contrapartida, a elevação das despesas financeiras deve reduzir o lucro líquido em 16%, para R$ 85 milhões.

Logística deve manter tom mais cauteloso

Na logística, o cenário segue mais equilibrado.

A JSL deve apresentar um trimestre neutro. O Safra projeta crescimento modesto de receita, depois do encerramento de contratos menos rentáveis, e resultado operacional de R$ 466 milhões, alta de 10%.

Mesmo assim, as despesas financeiras ainda elevadas devem manter pressão sobre o resultado final. A expectativa é de prejuízo líquido ajustado de R$ 5 milhões.

Já a Simpar deve registrar o resultado mais fraco entre as empresas sob cobertura. A melhora esperada em controladas como Movida e Vamos não deve ser suficiente para compensar o peso das despesas financeiras consolidadas, estimadas em R$ 2 bilhões.

O Safra projeta prejuízo líquido de R$ 60 milhões. A venda da Ciclus tende a aliviar parte dessa pressão, mas o efeito ainda deve ser limitado no trimestre.

O que deve movimentar o setor adiante

A prévia do Safra indica que o primeiro trimestre de 2026 deve reforçar duas tendências no setor de transportes. A primeira é a resiliência operacional de empresas expostas à locação e a ativos maduros de concessão.

A segunda é a permanência da pressão financeira sobre companhias mais alavancadas, em um ambiente ainda desafiador para o custo da dívida.

Assim, a temporada de balanços deve confirmar um setor dividido. De um lado, empresas com melhor execução operacional e expansão de margens. De outro, grupos que ainda enfrentam limitações para transformar melhora de receita em avanço consistente do lucro.


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