O Banco Safra reuniu executivos de empresas de transporte no J. Safra Transportation Day, realizado em 22 de junho de 2026, no Rio de Janeiro. O encontro contou com a participação de Vamos (VAMO3), Movida (MOVI3), Motiva (MOTV3) e Ecorodovias (ECOR3). As companhias priorizam eficiência operacional, desalavancagem e alocação seletiva de capital.
Vamos aposta em ganhos graduais e desalavancagem
A Vamos sinalizou melhora sequencial dos resultados no segundo trimestre de 2026. A empresa espera ganhos operacionais apoiados pelo controle das retomadas de ativos, pela execução disciplinada do investimento e pela venda de estoques. Esse movimento deve elevar de forma moderada a taxa de utilização da frota.
Ao mesmo tempo, a companhia mantém foco claro na desalavancagem. O recente aumento de capital de 600 milhões de reais deve ser direcionado principalmente à recompra de dívida corporativa. Apesar da recuperação operacional, a administração adota postura cautelosa para o crescimento. O Safra avalia que a empresa prioriza contratos com melhor qualidade de crédito diante das incertezas do ambiente macroeconômico.
Movida mantém força no aluguel de carros
A Movida apresentou uma visão construtiva para o segmento de aluguel de carros no segundo trimestre de 2026. A empresa espera um desempenho robusto, sustentado por reajustes de tarifas, crescimento das diárias e maior ocupação da frota.
No mercado de seminovos, a administração demonstrou preocupação limitada com a depreciação. A expectativa é de margens estáveis nos próximos trimestres. Ainda assim, a companhia não antecipa uma aceleração relevante do crescimento em 2027. A leitura do Safra indica uma estratégia mais conservadora, alinhada a um cenário econômico que segue desafiador para o setor de transporte.
Motiva prioriza reequilíbrios contratuais
Na Motiva, a agenda de reequilíbrio contratual permanece como o principal vetor de curto prazo. Diversas concessões avançam nesse processo, com destaque para a revisão do contrato da Linha 5. Segundo a administração, a renegociação pode seguir um modelo semelhante ao da Via4, combinando ajustes tarifários, extensão de prazo e aportes do poder concedente.
Outras discussões continuam em andamento, como o reequilíbrio do Metrô Bahia e o pleito das Barcas. Em relação à possível venda de participação minoritária na plataforma de mobilidade urbana, a empresa indicou não haver urgência. A prioridade segue na alocação de capital em rodovias, apoiada por uma agenda robusta de leilões.
Ecorodovias concentra capital e observa tráfego positivo
A Ecorodovias destacou o aditivo do contrato da Imigrantes como a principal prioridade de capital. A empresa não espera necessidade de oferta de ações no início do projeto, o que reduz a pressão de financiamento no curto prazo.
As tendências de tráfego seguem positivas em diferentes ativos. A Ecovias Norte Minas registra crescimento de 7,9 por cento no ano até maio, enquanto a Ecovias Capixaba avança 6,7 por cento no mesmo período. O Safra atribui o desempenho a melhorias de infraestrutura e ao aumento dos fluxos de exportação.
No pipeline de leilões, a companhia adota postura seletiva. As restrições de capital limitam a participação em novos projetos no momento. No financiamento, a empresa destacou a captação de 2,4 bilhões de reais em debêntures para sustentar a expansão da Ecovias Capixaba.
Setor mantém estratégia defensiva
De forma geral, o Safra avalia que o setor de transporte segue com uma estratégia defensiva. As empresas combinam foco em eficiência, preservação de caixa e disciplina financeira. O crescimento permanece seletivo, enquanto o cenário macroeconômico não oferece sinais claros de inflexão.