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TOTVS mostra resultados sólidos em meio à tempestade da IA

Resultado do quarto semestre da empresa é positivo com lançamento de inteligência artificial, mas recomendação é neutra


A TOTVS (TOTS3), uma das maiores empresa de tecnologia do Brasil, apresentou resultados sólidos no quarto semestre de 2025 (T425), em linha com as expectativas dos especialistas do Safra. A receita líquida foi de R$ 1,51 bilhão (+16,3% A/A), EBITDA ajustado de R$ 409 milhões (+24,3% A/A) e lucro líquido ajustado de R$ 258 milhões (+14,3% A/A). Além dos números, a companhia se destacou em meio à desvalorização recente das empresas globais de software.

Embora preocupações sobre disrupção por IA tenham pressionado o setor no exterior, o core de ERP da TOTVS é altamente defensivo. A forte integração aos processos dos clientes cria altos custos de troca, que ferramentas de IA não conseguem desmontar facilmente.

TOTVS transforma IA em motor de eficiência

O anúncio da Lynn, sua fundação de IA proprietária voltada para o mercado B2B, reforça essa natureza defensiva. Ao usar dados proprietários para desenvolver agentes especializados, a TOTVS não apenas protege seu core, mas transforma IA em um motor de eficiência para a plataforma.

Ainda assim, o Banco Safra indica manter cautela, com recomendação Neutra.

  • Lynn: A TOTVS revelou a Lynn, sua fundação de IA proprietária para o mercado B2B. Diferente de modelos generalistas, a Lynn foca em inteligência artificial estreita (ANI), priorizando precisão, segurança de dados e menor custo de inferência. A empresa planeja investir adicionalmente R$ 75 milhões/ano em capex pelos próximos 4 anos, dentro de um total de R$ 600 milhões em desenvolvimento de software no período.
  • A monetização seguirá o modelo “Task as a Service” (TaaS), em que clientes pagam por tarefas executadas por agentes de IA, não por licenças. Os especilistas do Safra enxergam isso como um movimento essencial para reforçar a defensividade do negócio.
  • A preocupação de mercado de que “GenAI vai matar o software” parece exagerada para ERPs, que lidam com dados críticos e complexos, em que precisão é indispensável. Ao embutir IA proprietária no ERP, a TOTVS aumenta o lock-in e os custos de troca. O capex adicional de R$ 75 milhões é administrável, dado o forte caixa da empresa. Em análise, por ora, a Lynn mais como sustentação do baixo churn do que um motor de receita no curto prazo.
  • Gestão: A unidade registrou receita líquida de R$ 1,34 bilhão (+16,5% A/A). A receita recorrente cresceu 18,5% A/A, marcando o 27º trimestre seguido de crescimento de dois dígitos e representando 90% da receita total. O ARR atingiu R$ 5,5 bilhões, com adição líquida de R$ 167 milhões. Isso se deu graças ao recorde de novas vendas, compensando a menor contribuição dos reajustes via IGP-M. O EBITDA ajustado foi de R$ 386 milhões (+25,0% A/A), com margem de 28,8% (+190 bps), mostrando tendência de alavancagem operacional.
  • RD Station: A receita líquida foi de R$ 167 milhões (+14,4% A/A). O crescimento estabilizou nos níveis do terceiro semestre de 2025, o que reflete ajustes ao longo do ano. O SaaS acelerou +6,3% T/T e o ARR líquido somou R$ 33 milhões, quase dobrando A/A. A lucratividade foi impactada pelo RD Summit (efeito de R$ 12 milhões), levando o EBITDA ajustado a R$ 22,4 milhões (margem de 13,5%). Sem o evento, a margem teria superado 20%.
  • Techfin: A Techfin enfrentou uma base difícil de comparação. O quarto semestre de 2025 teve recorde de originação de crédito, tornando o crescimento desafiador. A originação ficou estável A/A em R$ 3,4 bilhões (-0,5%). A receita de funding líquido também ficou estável (+0,2% A/A) em R$ 96,5 milhões, impactada pelo custo de funding maior ligado à Selic. O EBITDA ajustado foi de R$ 6,4 milhões, pressionado por sazonalidade e maior opex devido à reorganização interna.

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