Em 19 de março, o Safra participou de uma visita às operações da Tenda (TEND3) em Salvador, ao lado da equipe de gestão da companhia. A agenda abordou o posicionamento de produto, o modelo de engenharia e industrial e a visão da empresa para as operações no Nordeste.
A principal conclusão da visita foi clara. A operação reforçou a visão positiva para os resultados futuros da construtora. Hoje, o Nordeste já se consolidou como o principal mercado da Tenda, com cerca de 45% dos lançamentos totais da companhia. Além disso, a região entrega a maior rentabilidade entre todas as suas frentes de atuação.
Esse movimento ocorre em um momento relevante para a empresa. A expectativa de revisão do programa Minha Casa, Minha Vida pode ampliar a acessibilidade para parte importante do público-alvo da companhia. Segundo a avaliação do Safra, cerca de 15% das vendas líquidas da Tenda estão concentradas na faixa de renda entre R$ 2,85 mil e R$ 3,2 mil, segmento que tende a capturar ganhos relevantes com as mudanças esperadas no programa, além de uma carga tributária menor.
Diante desse cenário, o Safra mantém TEND3 como sua principal escolha no setor, apoiado também por um múltiplo de preço sobre lucro de 4,5 vezes para 2027.
Projeto em Salvador indica avanço em segmentos mais rentáveis
Um dos destaques da visita foi o projeto Jardim Armação Prime, um dos primeiros empreendimentos da Tenda enquadrados na Faixa 3 do Minha Casa, Minha Vida. O projeto sinaliza uma expansão gradual da atuação da companhia para além das faixas de renda mais baixas, onde tradicionalmente concentra sua operação.
O empreendimento está localizado em um bairro de renda mais alta de Salvador, em uma região onde unidades ao redor podem alcançar até R$ 1,5 milhão. Nesse contexto, a Tenda conseguiu incorporar atributos mais sofisticados ao produto, como piscina, e ampliar seu poder de precificação.
Na prática, esse posicionamento favoreceu margens brutas mais elevadas, em torno de 45%, acima da média de cerca de 41% observada em Salvador. Além disso, o ambiente regulatório local se mostra menos favorável à habitação popular, com cobranças adicionais de outorga e sem isenção de imposto sobre transmissão de bens imóveis. Como consequência, a concorrência fica menor, o que reforça a vantagem competitiva da companhia, sustentada por uma estrutura de custos eficiente.
Modelo industrial segue como diferencial competitivo
A visita também evidenciou a força do modelo de engenharia e industrial da Tenda (TEND3). A companhia mantém uma operação altamente padronizada e verticalizada, baseada em um sistema de fábricas que amplia a eficiência da construção.
Hoje, a empresa conta com sete fábricas em operação no Nordeste e prevê desenvolver mais duas em 2026. Esse formato permite executar vários projetos ao mesmo tempo, com maior controle de custos, produtividade e prazo.
Um dos indicadores que mais chamaram atenção foi a eficiência na concretagem, que alcança cerca de 97%. O número supera com folga o patamar de aproximadamente 80% observado em concorrentes bem executados. Como resultado, a Tenda (TEND3) opera com um dos menores ciclos de construção do setor, em torno de 18 meses, enquanto pares com métodos semelhantes costumam trabalhar perto de 24 meses.
Esse diferencial tem efeito direto sobre o negócio. Com obras mais rápidas, a companhia reduz exposição à inflação de custos e melhora a previsibilidade operacional, o que tende a sustentar rentabilidade ao longo do ciclo.
Bahia lidera e João Pessoa abre nova avenida de expansão
No Nordeste, a Tenda (TEND3) já ocupa posição de destaque. A Bahia responde por uma fatia relevante dessa operação, e a companhia detém aproximadamente 50% de participação de mercado no Estado.
Ao mesmo tempo, a rentabilidade da região vem avançando de forma consistente. As margens brutas de novas vendas encerraram 2025 entre 36,7% e 38,5% nas três principais praças de atuação da companhia no Nordeste: Bahia, Pernambuco e Ceará.
O Safra vê espaço para expansão adicional. A Tenda (TEND3) prepara o lançamento de seu primeiro projeto em João Pessoa, previsto para abril. A cidade reúne cerca de 1 milhão de habitantes, apresenta mercado fragmentado e conta com forte demanda ligada ao Minha Casa, Minha Vida.
A companhia mira famílias com renda mensal entre R$ 2,5 mil e R$ 5 mil e enxerga potencial para esse mercado atingir um ritmo anual de aproximadamente 2,4 mil unidades, o equivalente a cerca de R$ 500 milhões em valor geral de vendas.
Minha Casa, Minha Vida pode ampliar a demanda
A possível revisão do Minha Casa, Minha Vida aparece como um dos principais vetores para a tese de investimento. A Tenda (TEND3) já possui presença relevante em uma faixa de renda que pode ser diretamente beneficiada pelas mudanças esperadas.
Se esse cenário se confirmar, a companhia poderá combinar três fatores positivos ao mesmo tempo: aumento de acessibilidade para o comprador, menor carga tributária e expansão do mercado endereçável. Para uma empresa com escala, marca consolidada e operação industrial eficiente, esse ambiente tende a favorecer crescimento com rentabilidade.
Visita reforça visão positiva para Tenda
A visita às operações em Salvador reforçou a percepção de que a Tenda (TEND3) atravessa um momento operacional sólido. O Nordeste se tornou o centro da estratégia de crescimento da companhia, com ganho de escala, avanço de margens e novas oportunidades de expansão.
Além disso, o modelo industrial segue como um diferencial importante em um setor que depende de disciplina de execução. Somado ao potencial de captura das mudanças no Minha Casa, Minha Vida, esse conjunto sustenta uma perspectiva construtiva para os próximos anos.
Para o Safra, a combinação entre crescimento, eficiência operacional e valuation atrativo mantém TEND3 entre as preferidas do setor.