A construtora Tenda (TEND3) apresentou resultados sólidos no 3T, amplamente em linha com as estimativas do Banco Safra. Embora as revisões de custos do processo de reestruturação da Alea tenham gerado um prejuízo líquido maior que o esperado na subsidiária, isso foi compensado pela recuperação das operações principais da Tenda, que registraram uma melhora de 2,3 p.p. na margem bruta anual e impulsionaram um forte ROE de 33%.
Além disso, a companhia entregou uma geração de caixa operacional (core cash generation) melhor que o esperado, de R$ 68 milhões, o que implica um yield de FCF anualizado de 10%.
A receita líquida da Tenda foi de R$ 1,13 bilhão (+14% T/T e +24% A/A), ficando 3% acima da estimativa do Banco Safra. Por outro lado, a margem bruta ajustada caiu 0,7 p.p. T/T para 31,3% (-0,9 p.p. A/A e -1,1 p.p. em relação ao Safra), refletindo a
margem bruta ajustada negativa da Alea (-3,8%), após maiores custos com iniciativas de verticalização, além de uma
queda de 0,6 p.p. T/T no segmento principal (para 34,5%).
Ainda assim, excluindo o empreendimento Pode Entrar (margem bruta de 1,8% no 3T), a margem bruta ajustada da Tenda atingiu um nível mais saudável de 36,4% (-0,1 p.p. T/T e +2,3 p.p. A/A), enquanto a margem da carteira (backlog margin) subiu para 42,0% (+0,5 p.p. T/T).
O Banco Safra destaca que o reajuste inflacionário nas contas a receber do Pode Entrar deve impulsionar as margens brutas desse projeto nos próximos trimestres.
O lucro líquido da companhia ficou em linha com a estimativa do Safra, em R$ 103 milhões. A forte receita gerou um
ganho de 1,7 p.p. A/A em alavancagem operacional, com a razão de despesas SG&A sobre receita líquida em 14,9%,
compensando um aumento de 23% T/T em provisões.
Como resultado, o ROE anualizado da companhia atingiu sólidos 33,4% (+7,3 p.p. T/T e +5,9 p.p. A/A), 140 bps acima da projeção.
Além disso, a Tenda reportou geração de caixa de R$ 147 milhões, acima do esperado (vs. R$ 88 milhões estimados pelo Safra), permanecendo em R$ 68 milhões quando excluídos o aporte privado da Alea (R$ 42 milhões) e a entrada líquida de venda de recebíveis (R$ 37 milhões).
Com isso, a alavancagem financeira caiu para 16,2% dívida líquida/patrimônio líquido (-10,1 p.p. T/T e -29 p.p. A/A) e 65% considerando obrigações de cessão de crédito (-10 p.p. T/T e -15 p.p. A/A).
Avaliação do Safra sobre os resultados da Tenda (TEND3)
O forte desempenho do segmento principal da Tenda deve compensar o prejuízo maior que o esperado da Alea, mantendo o lucro consolidado em linha com as estimativas do Safra.
A geração de caixa também surpreendeu positivamente, o que deve compensar o adiamento do ponto de equilíbrio de caixa da Alea para 2027.
O Safra mantém a recomendação Outperform para as ações da Tenda, já que a melhora no lucro deve continuar sustentando a desalavancagem da companhia.
O Safra projeta ROE de 35% em 2025 e 41% em 2026, com as ações sendo negociadas a um valuation atrativo de 4,4x P/L 2026E.