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Tenda supera expectativas com força da atividade principal

Expansão de receita, melhora de margens no core business e ROE elevado sustentam leitura positiva do mercado, apesar do prejuízo na Alea


A Tenda (TEND3) entregou um conjunto sólido de resultados no quarto trimestre de 2025. A forte performance das operações principais mais do que compensou a fraqueza da Alea, permitindo à companhia superar as estimativas do Safra e do consenso de mercado.

A receita líquida da Tenda alcançou R$ 1,18 bilhão no quarto trimestre. O número representa alta de 4% na comparação trimestral e avanço expressivo de 39% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado ficou cerca de 7% acima da projeção do Safra, impulsionado pelo ritmo mais forte de vendas e execução operacional.

Margem da Alea pesa, mas core mostra resiliência

A margem bruta ajustada consolidada recuou 2,3 pontos percentuais na base anual, para 31,9%. O principal fator foi a deterioração da margem da Alea, que caiu 41 pontos percentuais em um ano e atingiu -29%. O desempenho reflete, sobretudo, uma revisão de custos de R$ 55 milhões reconhecida no trimestre.

Em contrapartida, as operações principais da Tenda apresentaram evolução consistente. A margem bruta do core subiu 1,1 ponto percentual frente ao trimestre anterior e 1,2 ponto percentual na comparação anual, alcançando 37,4%. O patamar superou as estimativas e reforçou a qualidade do resultado operacional.

O ajuste inflacionário sobre os recebíveis do programa Pode Entrar também contribuiu para o desempenho, elevando a margem do empreendimento para 20%, com avanço relevante em relação ao trimestre anterior. A margem bruta de novas vendas chegou a 36,5%, enquanto a margem do backlog permaneceu elevada, em 41,9%.

Lucro e ROE

O lucro líquido da Tenda somou R$ 116 milhões no trimestre, cerca de 12% acima da estimativa do Safra. O crescimento da receita gerou ganhos de alavancagem operacional, com a relação entre despesas de vendas, gerais e administrativas e receita líquida recuando para 14,1%.

Mesmo com alta de 22% nas outras despesas operacionais na comparação trimestral, a companhia conseguiu expandir sua rentabilidade. O ROE anualizado atingiu 37,9%, com avanço relevante tanto na base trimestral quanto anual e desempenho superior ao projetado.

Caixa e alavancagem sob controle

A geração de caixa operacional foi majoritariamente neutra no trimestre, com fluxo de caixa core positivo em R$ 26 milhões. O nível de alavancagem seguiu em trajetória de melhora. A relação entre dívida líquida e patrimônio líquido encerrou o período em 22,1%, com queda na comparação trimestral e anual. Considerando as obrigações de cessão de crédito, o indicador ficou em 72%.

Análise dos especialistas

Na avaliação do Safra, o desempenho acima do esperado da atividade principal da Tenda (TEND3) tende a sustentar uma reação positiva do mercado, mesmo diante de mais um trimestre fraco da Alea. A anualização do resultado operacional on-site indica um lucro líquido próximo de R$ 670 milhões, já acima do limite superior do guidance para 2026.

Além disso, as vendas preliminares divulgadas para janeiro e fevereiro apontam crescimento de 27% na comparação anual, reforçando o momento favorável do segmento principal. Diante desse cenário, o Safra mantém recomendação de compra para TEND3, destacando a melhora das perspectivas de resultados e a redução dos riscos da tese de investimento. As ações negociam a um múltiplo de P/L estimado de 5,6 vezes para 2026, entre os níveis mais baixos do universo de cobertura.


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