A Tenda (TEND3) divulgou mais um trimestre de forte desempenho operacional. A companhia encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido acima das estimativas do Banco Safra e do consenso de mercado, apoiada principalmente pela expansão das margens em suas operações principais.
O resultado também foi marcado pela revisão para cima das projeções financeiras para 2026, refletindo a manutenção de um cenário favorável para custos e a forte execução operacional da empresa.
Receita cresce e supera expectativas
A receita líquida da Tenda alcançou R$ 1,29 bilhão no segundo trimestre, crescimento de 30% em relação ao mesmo período do ano anterior e avanço de 9% na comparação trimestral.
O resultado ficou cerca de 2% acima das estimativas do Safra e refletiu o bom momento operacional da companhia, especialmente no segmento principal de habitação popular.
Margens avançam com força
O principal destaque do trimestre foi a evolução da rentabilidade.
A margem bruta ajustada consolidada, excluindo os efeitos do programa Pode Entrar, atingiu 37,7%, alta de 4,5 pontos percentuais em relação ao segundo trimestre de 2025.
Nas operações principais da Tenda, a margem bruta alcançou 40,4%, superando as projeções do Safra e registrando crescimento tanto na comparação anual quanto trimestral.
Segundo a companhia, parte desse desempenho foi favorecida pelo reconhecimento de economias de custos, fator que pode perder intensidade nos próximos períodos.
Mesmo assim, os indicadores operacionais seguem em níveis elevados. A margem das novas vendas avançou para 37,4%, enquanto a margem da carteira de empreendimentos contratados permaneceu em robustos 42,3%.
Lucro líquido fica 22% acima da projeção
A combinação entre crescimento da receita e ganhos de eficiência operacional impulsionou os resultados finais da companhia.
O lucro líquido atingiu R$ 161 milhões no trimestre, resultado 22% superior à projeção do Safra e cerca de 12% acima do consenso compilado pela Bloomberg.
Além disso, a empresa ampliou sua alavancagem operacional. A relação entre despesas administrativas e receita líquida caiu para 15,8%, favorecendo a expansão da rentabilidade.
Como consequência, o retorno sobre o patrimônio líquido anualizado alcançou 41,9%, um dos níveis mais elevados dos últimos anos e acima das expectativas do mercado.
Geração de caixa decepciona, mas alavancagem melhora
O único ponto mais fraco do trimestre foi a geração de caixa operacional.
A companhia reportou geração de caixa de R$ 7 milhões, abaixo da estimativa de R$ 19 milhões do Safra. Segundo a empresa, o resultado refletiu principalmente pagamentos sazonais de bônus realizados no período.
Por outro lado, a estrutura de capital continuou evoluindo positivamente.
A relação entre dívida líquida e patrimônio líquido encerrou o trimestre em 19,8%, representando redução tanto na comparação trimestral quanto anual. Considerando as obrigações de cessão de crédito, o indicador ficou em 53%, também em trajetória de queda.
Tenda eleva metas para 2026
A companhia revisou para cima parte relevante de suas projeções para 2026.
No segmento Tenda, a expectativa de vendas líquidas passou para uma faixa entre R$ 5,5 bilhões e R$ 6 bilhões, acima da previsão anterior de R$ 5 bilhões a R$ 5,5 bilhões.
A projeção de resultado operacional também foi elevada para um intervalo entre R$ 1,1 bilhão e R$ 1,2 bilhão.
Já o guidance de lucro líquido consolidado foi revisado para uma faixa entre R$ 600 milhões e R$ 660 milhões, acima da estimativa anterior de R$ 520 milhões a R$ 600 milhões.
No segmento Alea, a companhia manteve a projeção de vendas, mas reduziu a expectativa para o resultado operacional, refletindo desafios específicos da operação.
Perspectivas seguem positivas para as ações
Na avaliação do Safra, a Tenda entregou mais um trimestre consistente, reforçando a confiança na execução da estratégia e no momento operacional da companhia.
Embora parte do ganho de margem observado no período tenha sido favorecida por fatores pontuais, a empresa continua apresentando indicadores sólidos de rentabilidade e eficiência.
O Safra destaca que a Tenda permanece mais exposta a eventuais deteriorações na qualidade de crédito em comparação com concorrentes do setor, devido ao tamanho de sua carteira de recebíveis próprios. Ainda assim, a companhia mantém níveis robustos de provisão para enfrentar esse risco.
Após a recente correção das ações, o banco considera que Tenda negocia a múltiplos atrativos e mantém recomendação de compra para o papel, sustentada pelo forte desempenho operacional e pelas perspectivas positivas para os próximos anos.