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Embraer é destaque positivo no setor de bens de capital no 1T26

Setor entra no trimestre com expectativa de desempenho pressionado pela sazonalidade, enquanto Embraer e Armac tendem a se destacar de forma positiva


A temporada de resultados do primeiro trimestre de 2026 deve ser majoritariamente fraca para as empresas de bens de capital cobertas pelo Safra. A leitura do banco parte de uma sazonalidade menos favorável para a maior parte das companhias, o que tende a limitar avanço de receita, margens e lucro em vários casos.

Ainda assim, o desempenho não deve ser homogêneo. Algumas empresas podem mostrar resiliência operacional, enquanto outras devem sentir com mais intensidade a combinação entre volumes menores, pressão financeira e efeitos pontuais de execução.

Embraer deve liderar os números positivos

A Embraer (EMBR3) deve apresentar um dos melhores resultados do setor no trimestre. O Safra projeta avanço de 27% na receita na comparação anual, apoiado por um crescimento de 47% nas entregas.

Esse desempenho deve refletir o avanço das iniciativas de nivelamento de produção da companhia. Além disso, a rentabilidade tende a seguir resiliente, sustentada por um mix mais favorável em Aviação Comercial e por um desempenho consistente no segmento de jatos executivos.

Armac pode mostrar melhora gradual

A Armac (ARML3) deve reportar um resultado levemente positivo no período. A expectativa do Safra é de crescimento de 5,4% na receita na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior.

Ao mesmo tempo, a margem de locação medida pelo resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização deve avançar 639 pontos-base. O movimento reflete os esforços da companhia para elevar a rentabilidade dos contratos. Apesar disso, o resultado final ainda deve seguir pressionado por despesas financeiras elevadas.

Empresas com desempenho mais neutro

A Marcopolo (POMO4), a Iochpe-Maxion (MYPK3) e a Mills (MILS3) devem entregar resultados mais neutros no trimestre.

No caso da Marcopolo, a expectativa é de volumes menores, em parte por causa de férias coletivas mais longas no fim do ano. Esse efeito deve ser parcialmente compensado por uma reversão de R$ 70 milhões em receitas não operacionais. Mesmo assim, o lucro líquido pode cair 5% na comparação anual.

A Iochpe-Maxion deve continuar sob pressão na receita, diante de volumes mais fracos nos mercados de veículos pesados no Brasil e nos Estados Unidos. Em contrapartida, ganhos contínuos de eficiência de custos devem ajudar a preservar a rentabilidade em relação ao ano anterior.

Já a Mills deve contar com melhor utilização do negócio de plataformas e com a continuidade do bom momento em formas e escoramentos. Por outro lado, a linha amarela tende a mostrar números mais fracos por razões sazonais. Além disso, a integração da Next Rental pode pressionar levemente as margens, com queda estimada de 160 pontos-base.

Pressão deve aparecer em parte relevante do setor

O Safra espera resultados levemente negativos para Randoncorp (RAPT4), Frasle Mobility (FRAS3), Intelbras (INTB3) e WEG (WEGE3).

A WEG deve registrar queda de 4% na receita na comparação anual. O movimento reflete a perda de receitas em energia solar e restrições de capacidade em transmissão e distribuição. Ainda assim, a companhia deve preservar margens saudáveis, com alta de 62 pontos-base, apoiada por um mix de produtos mais favorável.

A Randoncorp deve mostrar melhora operacional, mas o resultado final ainda tende a sofrer com as operações da Addiante. Com isso, o Safra estima prejuízo líquido próximo de R$ 35 milhões no trimestre.

No caso da Frasle Mobility, os números devem ser afetados por efeitos pontuais ligados às implementações de sistemas e à integração da 4mobility. Como consequência, a margem operacional deve recuar 314 pontos-base, para 16,5%.

A Intelbras, por sua vez, deve apresentar resultado modesto. A sazonalidade típica do período e os ajustes em curso no portfólio devem pressionar receita e margens, especialmente após um quarto trimestre de 2025 mais forte.

GPS deve ter o trimestre mais fraco

A GPS (GGPS3) deve reportar o resultado mais negativo entre as empresas analisadas. O Safra projeta crescimento orgânico mais fraco, de 6% na comparação anual, em meio à continuidade da racionalização do portfólio de contratos da GRSA.

A margem operacional deve permanecer estável, à medida que a companhia segue absorvendo custos de implementação. Ainda assim, despesas financeiras mais altas devem levar a uma queda de 6% no lucro líquido ajustado.

O que o investidor deve acompanhar

A temporada do primeiro trimestre de 2026 deve reforçar um cenário de maior seletividade dentro do setor de bens de capital. Em vez de um movimento uniforme, os resultados tendem a mostrar diferenças relevantes entre empresas com execução operacional mais forte e companhias mais expostas à sazonalidade ou ao peso das despesas financeiras.

Nesse contexto, Embraer surge como principal destaque positivo. Armac também pode sinalizar avanço gradual de rentabilidade. Em contrapartida, nomes como GPS, Randoncorp e Frasle Mobility devem enfrentar um trimestre mais desafiador. Para o investidor, o foco deve recair sobre a capacidade de preservar margens, sustentar geração de receita e atravessar um início de ano menos favorável com disciplina operacional.


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