close

Abra sua conta

Vivo mantém estratégia de preços e monitora aumento da concorrência

Telefônica Brasil afirma que o setor segue equilibrado apesar do ambiente mais promocional em algumas regiões e segmentos


A Telefônica Brasil (VIVT3), dona da Vivo, realizou sua teleconferência de resultados do segundo trimestre de 2026 em meio a uma reação negativa do mercado. Apesar do sólido desempenho operacional apresentado pela companhia, as ações recuaram após investidores demonstrarem preocupação com um ambiente mais competitivo no segmento móvel.

A principal atenção esteve voltada para a evolução dos preços no setor e para os possíveis impactos sobre a rentabilidade das operadoras. Ainda assim, a administração da Vivo afirmou que o mercado permanece equilibrado e reiterou que a empresa não está adotando uma estratégia de descontos agressivos.

Na avaliação do Banco Safra, a teleconferência trouxe mensagens construtivas, embora o cenário competitivo mereça monitoramento mais próximo nos próximos trimestres.

Concorrência aumenta, mas mercado segue equilibrado

O principal tema da discussão foi o aumento da atividade promocional em determinadas regiões e segmentos de clientes.

Segundo a administração, alguns mercados apresentaram maior intensidade competitiva recentemente. Ainda assim, a companhia entende que o setor continua racional e que não há sinais de uma deterioração ampla da disciplina de preços.

A Vivo destacou que realizou reajustes de preços nos planos pré-pagos e híbridos ao longo do primeiro semestre. Os aumentos começaram para novos clientes em março e foram posteriormente estendidos para a base atual em abril.

Os reajustes alcançaram mais de 75% dos clientes dos planos híbridos e quase 80% da base de pré-pagos puros.

Para a companhia, essas medidas demonstram a capacidade de continuar monetizando sua base de clientes mesmo em um ambiente competitivo.

Segmento pré-pago segue como principal desafio

A administração reconheceu que o mercado pré-pago continua sendo o segmento mais sensível à concorrência.

Ofertas em torno de R$ 30 por mês ainda apresentam uma diferença relevante em relação aos planos controle de entrada, o que limita a migração natural dos consumidores para produtos de maior valor agregado.

Esse cenário explica parte da atenção dos investidores sobre a evolução da estratégia comercial da companhia e sobre a capacidade do setor de preservar preços ao longo dos próximos trimestres.

Apesar disso, a Vivo afirmou não enxergar necessidade de ampliar descontos de forma generalizada para proteger sua participação de mercado.

Vivo Easy Lite ganha espaço na estratégia comercial

Durante a teleconferência, a companhia detalhou o posicionamento do Vivo Easy Lite, produto voltado principalmente para clientes pré-pagos que não atendem aos critérios de crédito exigidos para contratação de planos controle tradicionais.

A operadora oferece uma modalidade anual equivalente a aproximadamente R$ 30 por mês e uma alternativa mensal de R$ 45.

Ambas as opções utilizam cartão de crédito como meio de pagamento, reduzindo riscos de inadimplência e simplificando a adesão dos clientes.

Segundo a administração, o produto tem papel relevante na estratégia de monetização da base pré-paga, especialmente para consumidores que dificilmente migrariam para planos híbridos convencionais.

A companhia também afirmou que não identificou sinais relevantes de canibalização da base de clientes controle.

Venda de ativos deve ganhar ritmo

Outro tema relevante da teleconferência foi o plano de desinvestimentos da companhia.

A Telefônica Brasil espera acelerar as vendas de ativos ao longo do segundo semestre de 2026, o que deverá contribuir positivamente para o lucro líquido.

Até o momento, aproximadamente R$ 650 milhões da meta total de R$ 4,5 bilhões em desinvestimentos já foram concluídos.

Além disso, 47 imóveis avaliados em cerca de R$ 600 milhões estão atualmente disponíveis para venda.

A administração acredita que essas operações podem representar uma fonte adicional de geração de valor para os acionistas nos próximos meses.

Menor pressão das despesas pode beneficiar resultados

A companhia também destacou uma perspectiva mais favorável para as despesas relacionadas à depreciação e amortização.

O encerramento do processo de depreciação acelerada de tecnologias legadas deve reduzir a pressão sobre esses custos ao longo do segundo semestre.

Com isso, a empresa espera um efeito positivo sobre os resultados contábeis e sobre a evolução do lucro líquido nos próximos trimestres.

Visão do Safra

O Safra mantém uma visão construtiva para a Telefônica Brasil após a teleconferência de resultados.

Embora o ambiente competitivo no segmento móvel tenha se tornado mais promocional em algumas regiões, a administração não sinalizou mudanças relevantes na estratégia comercial, na capacidade de monetização da base de clientes ou na geração de caixa da companhia.

Além disso, o avanço esperado nas vendas de ativos e a redução da pressão das despesas de depreciação podem oferecer suporte adicional aos resultados da empresa ao longo do segundo semestre de 2026.


Abra sua conta