close

Abra sua conta


ANÁLISE

logo safra

IBOV

-

Telecom no Brasil exige seletividade após consolidação

Safra mantém visão construtiva para telecom, mas reforça preferência por empresas com melhor execução e visibilidade de resultado


O Banco Safra atualizou suas estimativas para Telefônica Brasil (VIVT3), TIM Brasil (TIMS3) e América Móvil (AMXB), mantendo uma visão construtiva para o setor de telecomunicações. No entanto, o banco avalia que o momento atual exige maior seletividade por parte dos investidores.

Após a consolidação do mercado, que reduziu o número de grandes operadoras de cinco para três, o setor já passou por um processo relevante de reprecificação. Agora, o desempenho das ações tende a depender mais da execução operacional do que de expansão de múltiplos.

Vivo permanece como principal escolha

A Telefônica Brasil, dona da marca Vivo, segue como a principal recomendação do Safra no setor. O banco reiterou a classificação de compra e manteve o preço-alvo para o fim de 2026 em 42 reais.

Segundo a análise, a Vivo apresenta a tese mais equilibrada do mercado local. A empresa já implementou reajustes de preços em sua base, opera com baixo nível de cancelamentos e ampliou a diversificação de receitas por meio de serviços convergentes e soluções digitais para empresas.

Esse conjunto garante maior previsibilidade de resultados e reduz riscos operacionais, fatores considerados essenciais na atual fase do setor.

TIM perde fôlego no curto prazo

O Safra rebaixou a recomendação da TIM Brasil de compra para neutra, apesar de elevar levemente o preço-alvo para 28 reais. A mudança reflete uma piora no momentum operacional de curto prazo.

A operadora enfrenta menor portabilidade, adições líquidas mais fracas, aumento da inadimplência e atraso no reajuste de preços da base de clientes. Esses fatores reduziram a confiança do banco nas estimativas para os próximos trimestres.

Embora a tese de dividendos permaneça válida, o Safra avalia que a TIM perdeu parte do colchão de valuation que sustentava a recomendação mais otimista.

América Móvil melhora com novo guidance

A América Móvil teve sua recomendação elevada de neutra para compra. O preço-alvo subiu para 33,5 dólares, ante 22 dólares anteriormente.

A revisão incorpora o guidance para o período de 2026 a 2028, divulgado recentemente, além de ajustes nas premissas de longo prazo e de câmbio. Com isso, o Safra passou a enxergar uma trajetória de geração de caixa mais robusta do que a prevista anteriormente.

O banco destaca que a melhora no fluxo de caixa livre e a expectativa de crescimento de lucro próximo a 20% ainda não estão totalmente refletidas nos múltiplos da companhia.

Valuation próximo do valor justo

Do ponto de vista de múltiplos, o Safra avalia que o setor de telecomunicações negocia próximo do valor justo. A Vivo é negociada a cerca de 4,2 vezes o valor da empresa sobre o lucro operacional estimado para os próximos 12 meses, levemente abaixo da média histórica. A América Móvil aparece em torno de 4,7 vezes, enquanto a TIM opera próxima de sua média de longo prazo.

Esse cenário reforça a preferência por empresas com fundamentos mais sólidos e maior visibilidade de execução. Para o banco, a Vivo combina crescimento, defensividade e menor risco operacional. Já a América Móvil ainda oferece espaço para uma reavaliação positiva.

Riscos no radar dos investidores

No curto prazo, o principal risco para o setor está relacionado à precificação. Caso as operadoras atrasem ou reduzam os reajustes em 2026, o crescimento da receita de serviços móveis pode desacelerar, sobretudo em bases mais sensíveis a preço.

No longo prazo, o Safra aponta a conectividade via satélite como um tema a ser monitorado. A expansão de soluções lideradas pela Starlink tende a ganhar relevância no debate entre investidores, especialmente diante da possibilidade de abertura de capital da SpaceX. Apesar disso, o banco não vê a tecnologia como substituta direta das redes móveis no horizonte atual.


Abra sua conta