A Taesa (TAEE11) registrou lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização regulatório de R$ 577 milhões no segundo trimestre de 2026. O valor representa crescimento de 11% em relação ao mesmo período do ano anterior, sem considerar o efeito da equivalência patrimonial.
O resultado ficou em linha com as estimativas do Banco Safra e com as projeções do mercado. O desempenho já era aguardado pelos investidores, principalmente devido ao início da operação de novas linhas de transmissão.
Entre os principais destaques do período estão o início parcial das operações de Tangará, Saíra, em sua segunda fase, e Ananaí. A companhia também iniciou a operação comercial de Pitiguari e de reforços em São Pedro, TSN e ATE III.
Receita e despesas
A receita líquida da Taesa aumentou 9% na comparação anual. O resultado ficou 2% abaixo da estimativa do Safra.
O desempenho foi beneficiado pelo reajuste inflacionário do ciclo de Receita Anual Permitida de 2025 a 2026. As concessões indexadas ao Índice Geral de Preços do Mercado tiveram aumento tarifário de 7,03%. Já os ativos vinculados ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo tiveram reajuste de 5,32%.
A parcela variável, que reduz a receita das transmissoras em determinadas situações operacionais, ficou negativa em R$ 8 milhões. O resultado foi influenciado pela reversão de uma provisão na ETEO e por desligamentos de equipamentos em outros ativos.
As despesas com pessoal, materiais, serviços de terceiros e outras despesas somaram R$ 102 milhões, alta de 2,5% em relação ao segundo trimestre de 2025. O valor ficou 4,1% abaixo da projeção do Safra.
As despesas com pessoal cresceram 4,5%, em linha com a estimativa do banco. O avanço refletiu os reajustes salariais e o início da operação de alguns ativos.
Por outro lado, os gastos com serviços de terceiros aumentaram 22% e ficaram 14% acima da projeção. O resultado foi pressionado por maiores despesas com tecnologia da informação, consultoria e custos administrativos.
As outras despesas ficaram abaixo do esperado. A melhora ocorreu devido a menores provisões, à reversão de uma provisão ambiental e ao impacto de itens não recorrentes registrados no segundo trimestre de 2025.
Lucro líquido
O lucro líquido da Taesa alcançou R$ 207 milhões no segundo trimestre de 2026. O resultado representa queda de 28% na comparação anual e ficou próximo da estimativa do Safra.
Em relação ao consenso do mercado, no entanto, o lucro ficou 33% abaixo das projeções. A principal pressão veio do resultado financeiro, parcialmente compensado por uma carga tributária menor do que a prevista.
As despesas financeiras líquidas aumentaram 51% em um ano e ficaram 18% acima da estimativa do Safra. O desempenho refletiu a maior correção monetária e os juros sobre a dívida.
O impacto foi parcialmente compensado por maiores receitas financeiras, favorecidas pelo aumento do volume médio de caixa investido.
A carga tributária foi beneficiada pela mudança do regime tributário de São Pedro para o regime de lucro real. Esse efeito positivo foi parcialmente reduzido pela menor utilização do benefício de lucro presumido em Tangará, após o início das operações.
Também houve reversão de incentivos fiscais da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia e da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, em razão do prejuízo fiscal registrado pela holding.
A alavancagem da Taesa permaneceu estável na comparação trimestral, em 4,2 vezes a dívida líquida sobre o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização regulatório.
Dividendos aprovados
A Taesa aprovou o pagamento de juros sobre capital próprio e dividendos intermediários de R$ 0,60 por unidade.
A distribuição representa um retorno estimado de 1,6% sobre o valor da ação, considerando o pagamento total anunciado pela companhia. Parte da análise também aponta retorno de 1,3% associado ao valor por unidade aprovado, conforme a referência utilizada para a data de corte.
A data de início da negociação das ações sem direito aos proventos, conhecida como data ex, será 14 de agosto de 2026.
O pagamento corresponde a uma distribuição equivalente a 100% do lucro, segundo a análise do Safra.
Visão do Safra
Para o Safra, o resultado da Taesa foi amplamente esperado pelo mercado. O crescimento operacional veio em linha com as projeções, impulsionado pela entrada de novos ativos de transmissão.
O lucro líquido também ficou próximo da estimativa do banco. O resultado financeiro mais fraco foi compensado, em parte, por impostos menores do que o previsto.
Apesar da distribuição de proventos, o Safra mantém recomendação neutra para a Taesa (TAEE11). A avaliação considera principalmente o preço atual da ação em relação aos fundamentos e às perspectivas da companhia.