A Suzano (SUZB3) realizou seu Investor Day anual e informou que espera colher os benefícios da maturação dos investimentos recentes, com maior controle de custos e menor alavancagem.
A demanda por celulose de fibra curta deve crescer, mesmo com a nova capacidade global mantendo as taxas de utilização sob controle. A empresa está melhorando a competitividade em bens de consumo, embalagens e operações nos EUA, enquanto impulsiona a produtividade florestal.
A alocação de capital agora foca em aumentar a eficiência dos ativos, reduzir despesas SG&A e usar monetização opcional de ativos quando atrativa. Mudanças estruturais na celulose, papel e fibra reciclada reforçam o foco da Suzano em liderança de custos, inovação e expansão disciplinada.
Suzano espera pressão estrutural sobre celulose e papel globais
A demanda por celulose BHKP deve aumentar em mais 4,5 mi t até 2029, chegando a 45,9 mi t, impulsionada pela China, outros mercados asiáticos e tissue, board e especialidades.
Mesmo com esse crescimento, as taxas de utilização devem cair abaixo de 90% devido à capacidade adicional significativa. A integração vertical na Ásia continua, com 6 mi t de projetos de fibra curta confirmados na China.
Essas fábricas enfrentam custos mais altos quando dependem de madeira de eucalipto importada, o que pode torná-las menos competitivas.
lguns produtores asiáticos podem ainda comprar celulose de mercado dependendo dos sinais de preço, especialmente se a inflação de cavacos acelerar.
A curva de custo caixa da China parece próxima do piso, com a inflação de cavacos tornando-se um fator-chave à medida que a demanda local por madeira pode chegar a quase metade do suprimento nacional.
Fechamentos integrados globais podem aumentar, já que a rentabilidade permanece baixa há vários meses.
Nesse cenário, a companhia foca em liderança de custos, flexibilidade operacional e aprovações de OGMs como alavanca de longo prazo para maior produtividade e competitividade.
Mesmo sob condições desafiadoras, a Suzano pode sustentar 2,7 mi t/ano no Cerrado.
A empresa prioriza iniciativas do programa de aceleração de competitividade que apoiarão nova queda no TOD no futuro. Incluem:
- (i) maior eficiência no viveiro de clones (ganho estimado de BRL 18–BRL 29/t até 2028);
- (ii) melhor modelo logístico operacional (ganhos de BRL 31–BRL 49/t até 2027);
- (iii) melhoria na logística outbound (ganhos de BRL 6–BRL 14/t até 2027); e
- (iv) otimização de despesas corporativas (ganhos de BRL 13–BRL 16/t até 2026).
A Suzano atualizou seu guidance de TOD para 2027 de BRL 1.900/t em termos reais para 2026 para BRL 1.983/t nominais em 2027, considerando principalmente inflação, já que variáveis de custo foram mantidas relativamente estáveis.
Estratégia fibra-a-fibra
A Suzano vê grande oportunidade para expandir o uso de fibra curta por meio da agenda fibraa-fibra. Cerca de 700 mil t podem ser substituídas em 2025, com ganho constante de market share de aproximadamente 1,3% ao ano sobre fibra longa.
A companhia trabalha diretamente com clientes para aumentar o consumo de fibra curta para papel e especialidades. O P&D também continua reduzindo a diferença de desempenho com fibra longa, e alguns graus já atendem ou superam especificações de resistência da fibra longa.
A equipe técnica visitou ativos de clientes e mapeou quais máquinas podem se adaptar a maior participação de fibra curta, apoiando o crescimento da demanda de longo prazo por BHKP.
Bens de consumo, papel e embalagens e silvicultura
No Brasil, a oferta permanece folgada, mas a Suzano tem bom desempenho graças à força da marca. A JV KC deve atingir BRL 3,3 bilhões em receita e BRL 500 milhões em EBITDA, com fechamento esperado para meados de 2026 e independência total após meados de 2028.
Em papel e embalagens, os custos da companhia estão no primeiro quartil no Brasil, e a empresa busca atingir o mesmo nível nos EUA, onde já reduziu custos em 6% e vê espaço para redução total de 21% versus níveis pré-aquisição.
A silvicultura continua sendo um driver central de valor, com ganhos de produtividade vindos da silvicultura e genética. Cadaumento unitário no IMA adiciona cerca de BRL 1 bilhão em VPL, e a troca de volume em pé da Eldorado aumenta ganhos líquidos em 18%.
Alocação de capital, custos e opcionalidade em ativos não core
A administração reduziu a meta de dívida líquida para USD 11 bilhões (vs. USD 12 bilhões) e espera que o capex caia à medida que os grandes projetos sejam concluídos, embora o capex de manutenção ainda dependa fortemente das necessidades florestais.
As despesas SG&A devem cair à medida que a companhia migra para uma estrutura de steady state, expande o plantio mecanizado e aplica IA
à logística e otimização de processos. Grandes vendas de ativos não estão planejadas, mas a Suzano vê valor seletivo em terras próximas a áreas urbanas e em infraestrutura como portos e terminais ferroviários, que normalmente negociam a múltiplos mais altos do que a própria ação.
Qualquer M&A deve gerar valor, e nova capacidade de celulose seria limitada a brownfields, dado o baixo retorno de projetos greenfield nos preços atuais.