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Suzano decepciona com fluxo de caixa livre negativo

Suzano tem resultado abaixo do consenso no primeiro trimestre, com fluxo de caixa livre negativo e pressão sobre a percepção do mercado


A fabricante de papel e celulose Suzano (SUZB3) divulgou um resultado no primeiro trimestre de 2026 que frustrou o consenso do mercado e reforçou uma leitura mais cautelosa para a ação no curto prazo. Embora o lucro operacional medido pelo EBITDA comparável tenha superado a estimativa do Safra, o número ficou abaixo do esperado pelos analistas em geral.

O EBITDA comparável somou R$ 4,6 bilhões. O valor ficou 5% acima da projeção do Safra, de R$ 4,4 bilhões. Ainda assim, veio 6% abaixo do consenso, estimado em R$ 4,9 bilhões. Esse descompasso, somado à geração negativa de caixa, deteriorou a avaliação sobre o trimestre.

Celulose sustenta desempenho operacional

A divisão de celulose foi o principal destaque positivo do período. O desempenho mais forte refletiu volumes maiores de vendas e custo caixa menor do que o previsto. Com isso, a operação compensou parte da fraqueza observada em outras linhas do balanço.

O EBITDA de celulose atingiu R$ 4,056 bilhões, número 7% acima da estimativa do Safra. A margem da divisão chegou a 48,6%, acima dos 46,1% projetados. As vendas somaram 2,835 milhões de toneladas, 1% acima do esperado. Já o preço realizado ficou em US$ 560 por tonelada, em linha com as projeções, enquanto o custo caixa alcançou R$ 882 por tonelada, 2% abaixo da estimativa.

Papel enfraquece o resultado consolidado

Por outro lado, a operação de papel teve desempenho inferior ao esperado e limitou uma leitura mais construtiva do balanço. Nesse segmento, volumes mais fracos superaram o efeito positivo dos preços mais altos e do custo de produção ligeiramente menor.

O EBITDA de papel ficou em R$ 524 milhões, 11% abaixo da estimativa do Safra. A margem da unidade alcançou 20%, abaixo dos 21,5% projetados. As vendas totalizaram 378 mil toneladas, 8% abaixo do esperado. Em contrapartida, o preço doméstico chegou a R$ 7.382 por tonelada, 5% acima da estimativa, enquanto o preço de exportação ficou em US$ 1.192 por tonelada, 2% acima do previsto. O custo dos produtos vendidos por tonelada foi de R$ 4.940, em linha com as projeções.

Fluxo de caixa livre preocupa investidores

O principal ponto de atenção do trimestre ficou na geração de caixa. O fluxo de caixa livre recorrente da Suzano (SUZB3) ficou negativo em R$ 274 milhões, abaixo da expectativa do Safra, que esperava resultado positivo.

Segundo a análise, o desempenho foi pressionado principalmente por despesas líquidas com juros mais altas. Esse fator pesou sobre a percepção de qualidade do resultado e aumentou a preocupação com a capacidade de conversão operacional em caixa no curto prazo.

Alavancagem segue estável

Na estrutura de capital, a alavancagem medida em reais permaneceu estável em 3,2 vezes na comparação com o quarto trimestre de 2025. O movimento refletiu um EBITDA acumulado em 12 meses menor, compensado por uma redução da dívida líquida.

A apreciação do real contribuiu para essa redução do endividamento líquido. Assim, a companhia conseguiu preservar estabilidade financeira, mesmo em um trimestre de geração de caixa mais fraca.

Segundo trimestre pode mostrar melhora

Para o segundo trimestre de 2026, a expectativa é de um desempenho operacional mais forte. A perspectiva se apoia em preços e volumes mais altos de celulose, além de uma recuperação do EBITDA de papel, mesmo diante de um real mais valorizado.

Os preços da celulose de fibra curta branqueada na China giram em torno de US$ 603 por tonelada, acima do preço realizado pela Suzano no primeiro trimestre. Além disso, a expectativa é de queda sequencial dos custos, desconsiderando efeitos de paradas de manutenção.

Ainda assim, a visão para o fluxo de caixa livre no segundo trimestre permanece mista. O aumento dos juros pagos tende a seguir como pressão. Em contrapartida, os chamados créditos de capital de giro devem trazer contribuição positiva entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões.

O que muda para a tese de investimento

O resultado do primeiro trimestre de 2026 reforça uma leitura negativa para a Suzano (SUZB3) no curto prazo. A operação de celulose mostrou resiliência, mas isso não foi suficiente para neutralizar a frustração frente ao consenso e o fluxo de caixa livre negativo.

Para os próximos meses, o foco do mercado deve recair sobre três pontos. O primeiro é a evolução dos preços internacionais da celulose. O segundo é a recuperação da divisão de papel. O terceiro é a capacidade de a companhia voltar a gerar caixa de forma mais consistente.

Se esses vetores avançarem, a percepção sobre o papel pode melhorar. Até lá, porém, o resultado sugere cautela.


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