A Suzano (SUZB3) apresentou resultado operacional ajustado de R$ 4,7 bilhões no segundo trimestre de 2026. O valor ficou 3% acima da estimativa do Banco Safra, de R$ 4,6 bilhões, mas 2% abaixo do consenso compilado pela companhia, de R$ 4,8 bilhões.
O desempenho foi sustentado principalmente pela divisão de celulose. Volumes de venda acima do esperado compensaram custos de produção mais elevados.
A divisão de papel, por outro lado, ficou ligeiramente abaixo da projeção do Safra. Os volumes permaneceram em linha com a estimativa, mas o custo dos produtos vendidos por tonelada foi maior.
Celulose impulsiona resultado
O resultado operacional ajustado da celulose alcançou R$ 4,18 bilhões no trimestre, alta de 3% em relação à estimativa do Safra. A margem operacional da divisão ficou em 47,8%, acima da projeção de 47,4%.
As vendas totais de celulose somaram 2,9 milhões de toneladas, 3% acima da expectativa do banco. O preço médio realizado ficou em US$ 599 por tonelada, em linha com a estimativa.
O custo de produção, porém, alcançou R$ 972 por tonelada, 3% acima da projeção do Safra. Mesmo assim, o maior volume vendido garantiu desempenho superior ao esperado para a divisão.
Papel fica abaixo da projeção
O resultado operacional ajustado da divisão de papel totalizou R$ 521 milhões, 2% abaixo da estimativa do Banco Safra. A margem operacional ficou em 18,4%, ante projeção de 18,7%.
As vendas alcançaram 406 mil toneladas e ficaram em linha com a expectativa. O preço médio praticado no mercado doméstico também permaneceu próximo da projeção, em R$ 7.487 por tonelada.
Nas exportações, o preço médio chegou a US$ 1.223 por tonelada, 2% acima da estimativa do Safra.
O custo dos produtos vendidos por tonelada de papel totalizou R$ 5.246 e ficou em linha com a projeção do banco.
Geração de caixa surpreende
O fluxo de caixa livre recorrente da Suzano atingiu R$ 2,44 bilhões no segundo trimestre. O valor ficou acima da estimativa do Safra, de R$ 1,38 bilhão, e representa um retorno anualizado próximo de 19%.
A geração de caixa foi beneficiada principalmente pela liberação de capital de giro acima do esperado. A redução das despesas financeiras pagas em dinheiro também contribuiu para o resultado.
O Safra, no entanto, avalia que parte desse efeito pode não se repetir no terceiro trimestre. A expectativa é de menor contribuição da liberação de capital de giro e de uma participação menos positiva dos créditos de carbono.
Dívida permanece elevada
A dívida líquida da Suzano recuou para R$ 66,1 bilhões, ante R$ 68,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026.
Mesmo com a redução do endividamento, a relação entre dívida líquida e resultado operacional ajustado subiu de 3,2 vezes para 3,3 vezes. A alta ocorreu porque a queda do resultado operacional acumulado em 12 meses superou a redução da dívida.
A administração manteve a meta de reduzir a dívida líquida para US$ 11 bilhões e levar a relação de endividamento para menos de 2,5 vezes em dólar entre 2027 e 2028.
Perspectivas são mistas
O Banco Safra espera um cenário misto para a Suzano no terceiro trimestre.
Os preços da celulose tendem a recuar. Na China, a celulose branqueada de fibra curta era negociada próxima de US$ 570 por tonelada, abaixo do preço médio de exportação de US$ 604 por tonelada registrado pela companhia no segundo trimestre.
Por outro lado, o real mais fraco deve favorecer a receita em moeda brasileira. Os volumes de venda também podem crescer, enquanto o custo por tonelada tende a recuar.
A expectativa de redução dos custos considera uma menor quantidade de paradas para manutenção, além da possibilidade de menor consumo de produtos químicos e custos mais baixos com madeira.
Safra mantém visão neutra
Na avaliação do Banco Safra, o resultado da Suzano foi positivo em relação às estimativas do banco, mas ficou ligeiramente abaixo do consenso de mercado.
O fluxo de caixa livre veio mais forte do que o esperado, enquanto a divisão de celulose apresentou desempenho superior à projeção. Em contrapartida, a pressão sobre os preços da celulose e a elevada alavancagem financeira mantêm um cenário de riscos para os próximos trimestres.
Por isso, o Safra mantém visão neutra para as ações da Suzano.