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Stone (STNE): guidance implica forte pressão de custos

Resultados do 4T25 da Stone ficam de acordo com as expectativas, mas recomendação do Banco Safra se mantém neutra


Os resultados da Stone (STNE) vieram de acordo com as estimativas do Banco Safra e com o consenso do mercado, mas espera-se que o guidance seja o principal catalisador da reação do mercado, sugerindo revisões negativas de lucro à luz da pressão de OPEX nos próximos anos.

Os especialistas do Safra acreditam que isso reflete principalmente a desaceleração do volume total de pagamentos (TPV), e o consequente compromisso da companhia em reforçar o reconhecimento da marca Stone e reposicioná-la como uma empresa mais completa de serviços financeiros.

A gestão comenta que espera crescimento de TPV em dígito médio este ano, enfraquecendo a expectativa de reaquecimento no início de 2026. A ação oferece um carrego atrativo (a distribuição de R$ 3,0 bilhões da Linx foi confirmada, contribuindo para um dividend yield >20% considerando recompra), além de um valuation barato em torno de 5x–6x P/L 2027 (usando o ponto médio do EPS), embora isso contraste com o momentum negativo e o balanço risco-retorno do setor competitivo.

A recomendação do Safra é Neutra.

Guidance

As faixas de lucro bruto para 2026 e 2027 estão em R$ 6,6 bi – R$ 7,0 bi e R$ 7,2 bi – R$ 8,3 bi, e as estimativas atuais do Safra coincidem com o limite superior e o ponto médio, respectivamente.

Em relação ao EPS ajustado, a empresa espera R$ 10,8 bi – R$ 11,4 bi em 2026, e o guidance sugere um lucro líquido ajustado de R$ 2,55 bi – R$ 2,7 bi (+6% A/A no ponto médio), abaixo da estimativa atual do Safra e do consenso fornecido pela empresa.

Usando 225 milhões de ações como base para o guidance de 2027 (mesma estimativa para o fim de 2026), o lucro líquido implícito
fica entre R$ 2,75 bi – R$ 3,1 bi, +12% A/A.

Resultado da Stone no 4T25

A receita líquida foi de R$ 3,725 bi, +13% A/A e em linha com a estimativa. O custo dos serviços foi uma surpresa negativa, vindo 6% acima da projeção Safra, impulsionado por provisões maiores para perdas esperadas de crédito (+11% vs. JSe) devido à aceleração nas concessões de crédito e a um cenário mais conservador.

Consequentemente, o custo de risco subiu 26bps sequencialmente para 17,1% (+154bps vs. JSe).

Por outro lado, as despesas financeiras vieram 2% abaixo da previsão dos especialistas do Safra, em R$ 1,153 bi. Como resultado, o lucro bruto de R$ 1,660 bi cresceu 4% T/T e 9% A/A (abaixo do guidance para o ano, como esperado), em linha com o número, enquanto a
margem bruta contraiu 34bps T/T.

As despesas totais (GAAP) vieram 4% acima da projeção Safra, principalmente explicadas por despesas outras decorrentes de uma cobrança não recorrente de R$ 49 milhões relacionada a um processo coletivo de 2021.

Assim, o EBT GAAP caiu 9% T/T para R$ 726 milhões, 10% abaixo da projeção. O lucro líquido Non-GAAP foi de R$ 707 milhões (+12% A/A), em linha com a estimativa Safra, e o ROE ficou em 23%.

Principais indicadores operacionais

No 4T25, o TPV de cartões da Stone totalizou R$ 124 bi, +5% T/T e praticamente estável A/A, com o TPV total e de cartões do MSMB crescendo 11% e 6% A/A, respectivamente.

As adições líquidas do MSMB foram de 87 mil (desaceleração vs. 140 mil no 3T25) e o take rate do MSMB caiu 9bps T/T, em linha com a
estimativa Safra.

A receita financeira cresceu 9% T/T e 26% A/A, 2% acima do esperado. A carteira de crédito para lojistas somou R$ 2,541 bi e a carteira de cartão de crédito continuou a crescer, atingindo R$ 296 milhões (+23% T/T combinados).

O NPL 90d chegou a 5,2% (vs. 5,0% no 3T25), e a empresa mencionou que o aumento de 131bps no NPL 15–90d se deveu principalmente a um número limitado de clientes da área especializada.

Os depósitos de varejo cresceram 23% T/T (+27% A/A), e os depósitos a prazo agora representam 86% do total (+2pps).


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