close

ANÁLISE

logo safra

IBOV

-

Stone (STOC3): valuation ficou barato demais para ser ignorado

A Stone (STOC31) não é consenso de compra, e o Safra não altera a recomendação Neutra. Ainda assim, o valuation da fintech brasileira focada em soluções de pagamento e serviços financeiros atingiu patamares raros. Após o ajuste pela venda da Linx, a ação negocia a cerca de 5,4 vezes o lucro estimado para 2026, considerando […]


A Stone (STOC31) não é consenso de compra, e o Safra não altera a recomendação Neutra. Ainda assim, o valuation da fintech brasileira focada em soluções de pagamento e serviços financeiros atingiu patamares raros. Após o ajuste pela venda da Linx, a ação negocia a cerca de 5,4 vezes o lucro estimado para 2026, considerando o ponto médio do guidance.

Além disso, o papel embute um yield potencial de 27%. Desse total, cerca de 9% vêm de recompras de ações ainda remanescentes e outros 18% dos recursos associados à transação da Linx. O múltiplo atual não condiz com uma empresa estruturalmente comprometida, sobretudo em um contexto de crescimento nas frentes de crédito e banking.

Esse nível de preço se aproxima dos pisos históricos da ação, observados em momentos de elevada incerteza e fraco momentum operacional.

Guidance da Stone (STOC31) pressiona e gera desconforto

A recomendação Neutra reflete preocupações relevantes. Entre elas, a desaceleração do TPV, um guidance de lucro por ação para 2026 e 2027 abaixo do esperado e o aumento da competição no segmento MSMB.

O guidance de despesas operacionais também gerou ruído. A gestão indicou crescimento das despesas comerciais como percentual da receita, o que reduz a visibilidade sobre ganhos de eficiência no curto prazo. O tom soou desalinhado com a tendência global de redução de custos via inteligência artificial, observada em pares internacionais.

Reação rápida e foco em eficiência

A Stone, no entanto, reagiu rapidamente. A empresa confirmou demissões equivalentes a cerca de 3% do quadro total, dentro de um movimento de simplificação e eficiência. A área de tecnologia concentrou parte relevante dos cortes, com redução próxima de 20%, acompanhada por maior adoção de ferramentas de IA.

Esse movimento sugere que o guidance pode ser conservador. A execução tende a ser mais rápida do que os números iniciais indicam. Sob a liderança do novo CEO, Mateus Scherer, com histórico financeiro, a disciplina na execução deve ganhar protagonismo.

Crédito sustenta resultados, mas pressiona caixa

O crédito segue como pilar central da tese. Apesar do TPV fraco, a carteira de crédito da STOC31 mais que dobrou em 2025, ajudando a sustentar o lucro por ação. Em contrapartida, houve pressão sobre a geração de caixa.

A geração de caixa dos últimos 12 meses, excluindo recompras, somou R$ 871 milhões, o equivalente a 33% do lucro ajustado. O número representa queda relevante frente aos R$ 1,238 bilhão registrados em 2024, quando a conversão alcançou 56%.

Por que a recomendação segue neutra

Apesar da assimetria positiva criada pelo valuation e pelo yield elevado, os riscos permanecem. Um ciclo de cortes de juros menos profundo pode afetar o crédito. O TPV pode seguir pressionado por mais tempo. Além disso, a transição da Stone para uma plataforma financeira mais ampla ainda está em fase de construção.

Diante desse cenário, o Safra mantém a recomendação Neutra. Ainda assim, a avaliação é clara. Aos preços atuais, a ação está barata demais para ser ignorada, mesmo sob premissas conservadoras.


Abra sua conta